06 setembro 2006

Roteiro#15 - Discussão entre Marido e Mulher

DISCUSSÃO ENTRE
MARIDO E MULHER –
TRAIÇÃO AMOROSA

AMBIENTE: APARTAMENTO CLASSE MÉDIA

PERSONAGENS:
JÚLIO, 33 ANOS, ADVOGADO
MARISA, 31 ANOS, PROFESSORA

CENÁRIO: APARTAMENTO ESPAÇOSO, COM MÓVEIS MODERNOS, DECORAÇÃO DE MUITO BOM GOSTO. OBJETO ALGUM DO AMBIENTE (COMO SOFÁ, PORTA-RETRATOS, CORTINA) TEM GRANDE IMPORTÂNCIA PARA O DIÁLOGO QUE SEGUE.


AMBIENTE POUCO CLARO. A CAMPAINHA TOCA. MARISA LOGO APARECE, CAMINHANDO EM DIREÇÃO À PORTA.

MARISA – Quem será, a essa hora... (abre a porta e logo se espanta) Júlio!

JÚLIO – (bem sério, com um pouco de receio) Oi, Marisa. Como vai?

MARISA – Bem. E você?

JÚLIO –Também. (aproxima-se) Posso entrar?

MEIO CONTRARIADA, MARISA ABRE PASSAGEM PARA ELE. JÚLIO ENTRA, CALADO. ELA FECHA A PORTA SEM FAZER MUITO BARULHO.

JÚLIO – Eu... eu queria conversar com você. Pode ser agora?

MARISA
Acabei de sair do quarto das crianças, tava contando histórias pra elas dormirem, acabaram conseguindo. Estava indo me deitar.

JÚLIO
E elas... como estão?

MARISA
Depois do que passaram... até que estão sim, como eu, muito bem.

JÚLIO
Eu sinto muita falta delas...

MARISA
(com má vontade, quer que ele vá embora)
Pois é, mas, como você já sabe, não vai ser possível matar a saudade delas agora/

JÚLIO (interrompe-a)
Espera, Marisa. Espera. Como eu já disse, estou querendo muito ter uma conversa com você, séria, aberta, como a gente nunca teve.

MARISA (ri levemente, com ironia)
Conversa séria, aberta? Não acha que tá um pouco tarde pra isso? Literalmente e não literalmente?

JÚLIO (insiste)
Isa... eu sei, eu entendo que você continua muito magoada comigo, que eu te feri muito, fui um crápula, não só com você, com os meninos também, mas, mesmo assim... me deixa explicar, me deixa eu me abrir com você, falar de mim... eu preciso.

MARISA
Ouvindo você falar assim... parece uma piada.

JÚLIO
Estou falando sério, não é brincadeira.

MARISA
Eu sei, quero dizer, não duvido, eu acredito nas suas palavras, na sua vontade de se expor, de desabafar comigo... Eu confio na sua sinceridade. O que eu acho curioso é que você só está agindo dessa maneira quando não estamos mais casados...

JÚLIO
Ainda estamos casados...

MARISA
Mas não estamos mais juntos, foi isso o que eu quis dizer, e você entendeu. Dividindo um teto, tendo uma vida a dois... Hoje você quer desabafar, ter uma conversa aberta... mas naquela época, acontecia o contrário. Era eu quem queria trocar idéias com você, ora falar de coisas bobas, sem urgência, ora tratar de assuntos sérios, importantes... o que me faltava, ou melhor, o que nos faltava, era uma coisa simples, mas muito necessária, fundamental: diálogo.

JÚLIO(tenta se defender)
Eu era um homem muito ocupado, Isa, o trabalho nunca me deu folga, você sabe, mil assuntos a resolver num dia só, uma correria sem fim, um stress danado...

MARISA (ironiza)
Só o trabalho? Vai me dizer agora que sempre se ocupou só com o escritório? Mil assuntos a resolver? E como é que arranjava tempo e disposição pra se encontrar com aquela desfrutável que dizia ser minha amiga? Será que você sacrificava os momentos em que poderia estar com seus filhos pra tirar o atraso? Que pena que o seu discurso baixou de nível, você tava indo tão bem... nem as crianças se sentiriam convencidas com essa sua conversa ridícula.

JÚLIO (meio nervoso, ofendido)
Pára com isso, Isa!

MARISA
Fala baixo, as crianças estão na cama!

JÚLIO(defende-se)
Eu nunca tive nada sério com a Marlene, você tem que acreditar... um caso sem importância alguma pra mim, ela nunca significou nada de verdade pra mim! Sempre aparecia no escritório... eu não saía de lá pra nada, nem pra almoçar, e ela sempre lá, se oferecendo, se mostrando disponível... eu reconheço, fui um canalha de não ter resistido às investidas dela, mas em nenhum momento a relação que eu tive com ela trouxe algo de significativo pra minha vida, felicidade, tranqüilidade, nada disso! Uma aventura que não disse mais nada, a não ser que sou um homem cheio de defeitos, de fraquezas...

MARISA
Você teve uma “aventura” que disse muita coisa, Júlio. Tanto pra você quanto pra mim. Sem falta modéstia, foi graças a ela que eu descobri que você nunca me mereceu, que você nunca teve vocação pra fazer parte do casamento com o qual eu sempre sonhei. A sua pulada me fez ter certeza de uma coisa que eu não queria assumir enquanto estávamos juntos: que você se dá bem melhor com mulheres como a Marlene do que comigo e, logo, que não combinamos... que não nascemos um pro outro.

JÚLIO
Todo mundo diz que a gente só dá valor às coisas quando as perde, mas pouca gente dá muita bola pra isso. Eu, por exemplo. Sempre tive uma mulher maravilhosa, uma companheira honesta, digna... filhos inteligentes, bondosos, esforçados... e dei pouco valor, pra não dizer nenhum. Hoje eu sou capaz de enxergar que não fui um bom marido, nem um pai presente...
que eu faltei em momentos que as crianças precisavam de mim.
(aproxima-se dela, que, nesse momento, esquiva-se)
Mas, Isa, eu tô disposto a mudar, a ser o pai de família que nunca fui antes... e, pra provar isso, eu preciso do seu perdão, da sua compreensão. Não me negue a oportunidade de me tornar o marido que você quis que eu fosse.

MARISA
Quis, Júlio, quis. Não quero mais. A decepção que você me fez sofrer me fez tirar da cabeça e do coração o desejo de ver você mudado, transformado, de te ver dando pra mim e pros seus filhos a atenção e o carinho que qualquer pai de família deve dar a ela.

JÚLIO
Eu não consigo acreditar que você não sinta mais nada por mim.

MARISA
(tempo)
Sinto. Sinto pena.

JÚLIO
(choca-se)
Pena?

MARISA (começa a se emocionar)
Pena, mais nada. Porque você é um fraco. Porque você dispensou o amor, que não era pouco,
que eu tinha a lhe dar...

JÚLIO (interrompe-a)
Se não era pouco, é impossível que tenha se acabado!

MARISA (cont.)
Porque você jogou pro vento o lar que um dia a gente disse um pro outro que ia construir. Um lar feliz, alegre, onde todos se amam! Mas isso não pôde acontecer... porque você nunca soube o que quis!

JÚLIO
É verdade, Isa, que eu fui um fraco, que eu nunca decidi ao certo o que queria pra mim, mas isso é passado, ficou pra trás, eu estou diferente... o erro que eu cometi me fez enxergar uma porção de coisas que eu não podia ou não queria enxergar, como, por exemplo... que eu te amo! Que eu te quero, que eu quero os meus filhos por perto, os nossos filhos, que eu desejo um lar pra nós todos, o mesmo que você tanto lutou pra conseguir, mas não teve sucesso porque eu não fiz a minha parte! Esquece tudo o que aconteceu, Isa, me perdoa... que você passe uma borracha no que passou... que você me veja como um homem que acabou de conhecer e que pelo qual começou a se interessar... é tudo o que eu quero.

MARISA
Júlio... chega de se humilhar. Acabou. Não tem mais jeito! Que você esteja arrependido, que você tenha vontade de reatar comigo, de tentar ser uma família de verdade, eu até acredito. Mas essa sinceridade sua não me faz estar certa de que eu não vou passar de novo pelo que já passei uma vez. Ninguém pode me assegurar que você não vá voltar a se interessar por outra mulher. Eu não tenho estômago suficiente pra digerir novamente àquela cena lastimável que eu presenciei naquele dia. Eu tô muito bem como estou, sem você, eu e Deus, ninguém mais. Ainda vai demorar um pouco pra eu sentir falta de alguém dormindo na mesma cama que eu, nem que seja por dias espaçados, duas, três vezes por semana. Pode parecer que eu esteja pensando só em mim, não levando em conta o desejo dos meninos de que você volte... mas eu também tô pensando neles... eles talvez se decepcionariam mais do que eu se você desperdiçasse uma nova chance. Vai embora, Júlio. Faz o favor de não nos procurar mais. Já tá tarde, amanhã é dia de trabalho. Pra mim e pra você.

JÚLIO
(já à porta)
Eu não vou desistir, Marisa, não vou. Tenho certeza de que você ainda me perdoar... a gente vai começar do zero... e ser um casal feliz de verdade.
(abre a porta e fica do lado de fora)
Boa noite.

MARISA
Boa noite.

MARISA FECHA A PORTA E DEIXA ROLAR NO ROSTO ALGUMAS LÁGRIMAS. DEPOIS, SAI DA SALA E VAI PRO QUARTO.

FIM

Roteiro#16 - Um tiro no coração

UM TIRO NO CORAÇÃO


PERSONAGENS:
MARIANA: 30 anos.Esposa do professor Universitário Luiz Alberto.Termina uma relação de dez anos, porque se apaixona por um aluno dele.É assassinada pelo marido.

LUIZ ALBERTO: Professor Universitário.40 anos.Apaixonado pela esposa. Descobre a traição.Mata a esposa.

FLÁVIO: Aluno de Luiz Alberto.O pivô da separação.Não aparece na trama.Mais é citado e fala pelo telefone com MARIANA.

CENÁRIO:
Apartamento de classe média.Típico de um casal sem filhos.
Um quarto onde contém uma cama, guarda-roupa e o banheiro.

SALA:
Sala simples.Sofá, televisão. Jarros de flores, cortinas.
Onde acontecerá o assassinato.



CENA 1: SALVADOR. EXTERNA/ DIA
STOCK-SHOTS DE LINDAS IMAGENS DE SALVADOR. VISÃO DA CIDADE DO ALTO, PASSANDO POR PONTOS TURÍSTICOS. EMBALADO AO SOM DE ‘É DOCE MORRER NO MAR’ DE DORIVAL CAYMMI.ATENÇÃO SONOPLASTIA UNS 40 SEGUNDOS.
CORTA PARA.

CENA 2: APARTAMENTO. EXTERNA/DIA.
UM PRÉDIO DE CLASSE MÉDIA. VISTO POR INTEIRO. IMAGENS CONGELADAS. VAI APROXIMANDO. PARA EM UMA JANELA.
CORTA PARA:

CENA 3: APARTAMENTO. QUARTO DE MARIANA.INTERIOR/DIA.
MARIANA ESPRIGUIÇANDO LEVANTA DE CALCINHA E SUTIÃ.
PARA EM FRENTE A UM ENORME ESPELHO QUE SE ENCONTRA NA PAREDE.
ADMIRA O TEU CORPO. OLHANDO PARA SUA PRÓPRIA IMAGEM.

MARIANA: (PENSANDO) Você não é de se jogar fora. É um mulherão e tanto. Se ele não quer, tem quem queira. E como tem. Foi tão bom o sonho que você teve com o FLÁVIO.Vou dá sinal verde para ele.

OLHA PARA O LADO E VER UM BILHETE EM CIMA DA TELEVISÃO.PEGA E LÊ.

MARIANA:(VOZ ALTA) Me aguarde que hoje volto para o almoço.

AMASSA O BILHETE E JOGA NO CHÃO. VOLTA PARA O ESPELHO.PV DE MARIANA COM SUA PRÓPRIA IMAGEM NO ESPELHO.

MARIANA: Hoje você toma uma decisão na sua vida.Está mais que na hora. Chega de viver de aparência.
CORTA PARA:

CENA 4: PORTA DO EDIFÍCIO. EXTERNA/DIA
PORTA DO EDIFICIO.LUIZ ALBERTO ESTACIONA O CARRO.
SAI.CAMINHA EM DIRAÇÃO AS ESCADAS.SOBE.
CORTA PARA:

CENA 5: CORREDOR DO APARTAMENTO. INTERIOR/DIA.
LUIZ ALBERTO CAMINHA EM DIRAÇÃO AO APARTAMENTO.
CHEGA NA PORTA.ENTRA.
CORTA PARA:

CENA 6: SALA DO APARTAMENTO. INTERIOR/DIA
LUIZ ALBERTO ENTRA.COLOCA A BOLSA NO SOFÁ.
DÁ UNS PASSOS. O TELEFONE TOCA. VOLTA E ATENDE.

LUIZ ALBERTO: Alô...Quem está falando? FLÁVIO. Você quer falar com a MARIANA. Um momento.(COLOCA A MÃO NO FONE E GRITA.) MARIANA...MARIANA.
MARIANA APARECE DO QUARTO.

MARIANA:O que foi? Não sei porque essa gritaria.

LUIZ ALBERTO: Telefone para você.

MARIANA: Quem é?

LUIZ ALBERTO: FLÁVIO.

PV DE LUIZ ALBERTO PARA MARIANA.ROSTO PÁLIDO.ATENDE O TELEFONE.LUIZ ALBERTO SAI EM DIREÇÃO O QUARTO.
CORTA PARA.

CENA 7: SALA DO APARTAMENTO. INTERIOR/DIA.
LUIZ ALBERTO ENTRA NA SALA. PV DE LUIZ ALBERTO PARA MARIANA.TENSA.MARIANA LEVANTA.

LUIZ ALBERTO:O que FLÁVIO queria com você?

MARIANA: FLÁVIO é um rapaz muito carinhoso.

LUIZ ALBERTO: Conheço FLÁVIO.É um excelente aluno.Você na me disse o que ele queria.

MARIANA:Precisamos conversar...

LUIZ ALBERTO: Sobre?!...

MARIANA:Nós dois. Eu estava ensaiando como conversar com você.

LUIZ ALBERTO:Não estou te entendendo.

MARIANA: Você sabe que a nossa relação já está congelada
a muito tempo. Não suportamos olhar um para a cara do outro.

LUIZ ALBERTO: Mais que papo é esse agora?

MARIANA: Não se faça de inocente.Você sabe que vivemos de aparências.
Fingir para a sociedade,que somos um casal perfeito.
Que vive em harmonia.Eu já estou cansada.Definitivamente hoje acordei
com a intenção de dá um basta nisso.Estou cansada.

MARIANA SAI EM DIREÇÃO AO QUARTO.LUIZ ALBERTO A SEGUE.PV DE LUIZ ALBERTO PARA MARIANA ENTRANDO NO QUARTO.
CORTA PARA.

CENA 8: QUARTO DO APARTAMENTO DE MARIANA.INTERIOR/DIA.
MARIANA ENTRA,PARA EM FRENTE AO ESPELHO.LUIZ ALBERTO A SEGUE.

LUIZ ALBERTO:Me diz quem é o canalha, que você anda saindo.
A quanto tempo vocês estão juntos? Hem... Vai dá uma de santa agora?

MARIANA CONTINUA OLHANDO PARA O ESPELHO.

MARIANA:Você não completa mais a minha vida.Estou cansada.

LUIZ ALBERTO APROXIMA,PEGA MARIANA PELOS BRAÇOS.CARA A CARA.

LUIZ ALBERTO: Eu te fiz uma pergunta.Quem é o canalha, que você anda me traindo?

MARIANA: Você quer mesmo saber?

LUIZ ALBERTO:Diz logo de uma vez, sua safada.

MARIANA: É o FLÁVIO. É ele que é o canalçha que estou apaixonada.
Ele simplesmente é maravilhoso, gentil, educado.
Faz amor como ninguém nunca fez. Você é tão bobo.
Se julga tão esperto e nunca percebeu.
Já fiquei com ele na sua cama. Pronto falei.

LUIZ ALBERTO DÁ UMA BOFETADA EM MARIANA. MARIANA CAI.

CENA 9 : SALVADOR. EXTERNA/DIA.
CORTES DESCONTÍNUOS. FAROL DE ITAPOÃ.
PESCADORES JOGANDO REDE,COLOCANDO OS PEIXES
NO CESTO.UMA BAIANA SERVINDO ACARAJÉ PARA TURISTAS.
CORTA PARA:

CENA 10: QUARTO D APARTAMENTO DE MARIANA.EXTERNA/DIA.
*MARIANA LEVANTA, VAI PARA A SALA.
*REVÓLVER NA CABECEIRA DA CAMA.
*LUIZ ALBERTO DÁ UNS PASSOS.PEGA A ARMA E SEGUE MARIANA.
CORTA PARA:

CENA 11: SALA DO APARTAMENTO. EXTERNA/DIA.
MARIANA ENTRA NA SALA, LUIZ ALBERTO ATRÁS.

LUIZ ALBERTO: Sempre desconfiei, que você era safada.
Mais chegar a este ponto. Me trair dentro de minha própria casa.
Ainda por cima com um aluno meu. FLÁVIO é como um filho.
MARIANA: Mais não é. FLÁVIO é um rapaz atraente.
Tem um fogo danado.É jovem, tem energia.
E desde o primeiro dia que eu vi, sentir uma forte atração por ele.

LUIZ ALBERTO: Meu Deus. Onde eu estava que não percebi esta traição? Onde?...Onde?...

MARIANA: Você estava presente. Nas suas ausências eu deitava com ele.
Fazíamos amor, constantemente. Você ia com os amigos para o clube.
Você saia ele entrava. Foi gostoso.

LUIZ ALBERTO: Sua...

MARIANA: Sua o quê? Eu estou cansada de tudo. Dá sua voz, que me causa náuseas.
Do teu cheiro insuportável. De suas manias que me stressa.
De tudo que lembra você, eu estou cansada. Eu vou embora pra sempre.

LUIZ ALBERTO: Não vai. Não vou deixar...

MARIANA PASSA EM FRENTE A LUIZ ALBERTO. ELE SEGURA ELA PELO BRAÇO.

MARIANA: Me solte. Não te pertenço mais. Tudo que existia entre nós acabou.
É hoje, eu vou embora pra sempre de sua vida.

LUIZ ALBERTO: Eu acabo com sua vida.

MARIANA VIRA.DÁ UM SORRISO PARA LUIZ ALBERTO.ELE APONTA A ARMA EM DIREÇÃO A ELA.

MARIANA: Você está louco...

LUIZ ALBERTO: Louco não. É justiça pela traição.

LUIZ ALBERTO DÁ TRÊS DISPARO EM MARIANA. ELA EM CAMÊRA LENTA CAI MORTA NO CHÃO.SANGUE JORRA NA SALA, EM CIMA DO SOFÁ. LUIZ ALBERTO DEIXA À ARMA CAIR AO VER MARIANA NO CHÃO. COLOCA A MÃO NA CABEÇA EM DESESPERO. ÂTONICO NÃO SABE O QUE FAZER. CAMINHA DE UM LADO PARA OUTRO. PARA. LÁGRIMAS ESCORRE DO ROSTO. EM DESESPERO SAI CORRENDO, BATENDO A PORTA NUM BARULHO ESTARRECEDOR. CLOSE EM MARIANA MORTA.


FIM

Roteiro#17 - A Morte do Toquinho

A MORTE DO TOQUINHO

PERSONAGENS:
Giovanna, 35 anos: Morena de olhos azuis e pele clara. Sabe valorizar seu corpo com uma boa roupa. Mulher moderna, pra frente. Costuma utilizar seus ideais para justificar suas ações. Casada há 10 anos com Fernando, ama o marido. Nunca mentiu, sempre omitiu. Não tem filhos. Trai sem motivos. Não viaja para a praia com o marido pois não tem paciência para ficar na areia enquanto ele surfa. É dominadora na relação. Atualemnte é gerente de contas em um grande banco.

Fernando, 37 anos: Loiro de cabelo comprido e tom bronzeado na pele. Surfa com os amigos a cada 15 dias. Mora em um apartamento financiado em parceria com Giovanna. Tipo atlético. Desperta interesse em quase todas as mulheres com que conversa. É louco por sexo e normalmente submisso às vontades da mulher na relação. Surpreende quando se mostra mais seguro frente à mulher. É professor de história em dois cursinhos pré-vestibular e barman às sextas feiras em uma casa noturna.

Gabriel, 19 anos: Estudante, skatista. Como todo adolescente tarado, não sabe dizer não para uma mulher. Mora no apartamento abaixo ao de Giovanna e Fernando. É um dos favoritos para a segunda etapa do campeonato paulista de skate.

Jardineiro, 57 anos: É um senhor pacato e aparentemente frágil. Seus cabelos brancos contrastam com o tom de pele queimada de sol. Mora e trabalha como jardineiro no prédio do casal há 30 anos, sempre cuidando da vida de seus moradores.

Cenário:
PRÉDIO DO CASAL: GARAGEM, HALL DE ANDAR E DOIS APARTAMENTOS. CLASSE MÉDIA LOCALIZADO EM BAIRRO UM RESIDENCIAL DE SÃO PAULO.

Objetos cênicos:
- 1 CARRO
- 1 PRANCHA DE SURF.
- 1 MOCHILA
- 3 CAMISINHAS
- 1 SKATE
- 1 TUPERWARE
- 1 PEDRA CALCITA VERDE COM UM CORAÇÃO GRAVADO
- 1 BILHETE DE MULHER COM NÚMERO DE TELEFONE
- ESCOVA E PASTA DE DENTE
- GELO EM CUBOS ENROLADO NO PANO.


CENA 1: PRÉDIO DO CASAL/ PORTARIA E GARAGEM/ EXT-DIA
FERNANDO CHEGA DE CARRO COM PRANCHAS DE SURF E ESTACIONA NA GARAGEM DO PRÉDIO.

CENA 2: APTO DO CASAL/ QUARTO/ INT–DIA
GIOVANNA ACORDA E VÊ PELA JANELA O CARRO DE FERNANDO ENTRANDO NA GARAGEM. DESESPERADA, ELA ACORDA GABRIEL.

GIOVANNA
GABRIEL.. GABRIEL!! LEVANTA!! VAMOS!

GABRIEL (SONOLENTO)
– NÃO (..) É CEDO AINDA.

GIOVANNA
VAI MOLEQUE, MEU MARIDO CHEGOU!!!

GABRIEL
VIXX! PORQUE NÃO FALOU ANTES!

CENA 3: GARAGEM DO PRÉDIO/ CARRO DE GABRIEL/ INT-DIA
ANTES DE SAIR DO AUTOMÓVEL, FERNANDO VERIFICA SE NÃO HÁ NENHUMA PISTA DA NOITE ANTERIOR. AO ENTRAR NO ELEVADOR SE OLHA NO ESPELHO PARA VER SE ESTÁ COM ALGUMA MARCA NO PESCOÇO.

CENA 4: HALL DO PRÉDIO/ PORTA DO APARTAMENTO/ INT-DIA
GABRIEL SAI DO APARTAMENTO TROPEÇANDO NAS CALÇAS LARGAS. GIOVANNA SEGUE LOGO ATRÁS JOGANDO SUAS MEIAS E TÊNIS E FECHA A PORTA. FERNANDO SAI DO ELEVADOR INSTANTES DEPOIS DE GABRIEL DESCER AS ESCADAS.

CENA 5: APTO. DO CASAL/ QUARTO/ INT-DIA
GIOVANNA RETORNA PARA A CAMA E FINGE ESTAR DORMINDO. LOGO APÓS FERNANDO ENTRA E SE APROXIMA DE GIOVANNA QUE ACORDA.

GIOVANNA (SONOLENTA)
OI AMOR. VOLTOU ANTES DA PRAIA?

FERNANDO
É, O TEMPO NÃO TAVA MUITO BOM PRA SURFAR.

GIOVANNA SE LEVANTA E VAI AO BANHEIRO ENQUANTO FERNANDO COLOCA SUA MALA SOBRE A CAMA

FERNANDO
AMOR, QUE SKATE É ESSE AQUI NO QUARTO?
GIOVANNA NO BANHEIRO (SUSSURA) – MERDA!

CENA 6: APTO. DO CASAL/ BANHEIRO/ INT-DIA
FERNANDO SEGUE GIOVANNA ATÉ O BANHEIRO. ELA COMEÇA A ESCOVAR OS DENTES PARA NÃO PRECISAR RESPONDER OBJETIVAMENTE O QUE ELE PERGUNTA.

FERNANDO
HEM? O QUE É AQUELE SKATE?

GIOVANNA
HUN??

FERNANDO
O SKATE AMARELO QUE ESTÁ ALI.

GIOVANNA
HÃÃÃNNN.. O QUE TÊM?

FERNANDO
DE QUEM É?

GIOVANNA
É DO SOBRINHO DA KARINA!

FERNANDO
COSPE ESSA ESPUMA! NÃO DÁ PRA CONVERSAR ASSIM.

GIOVANNA ABAIXA PARA CUSPIR E VÊ TRÊS CAMISINHAS NO LIXINHO DO BANHEIRO. FERNANDO VOLTA PARA O QUARTO.

CENA 7: APTO. DO CASAL/ QUARTO/ INT-DIA
FERNANDO COMEÇA A DESFAZER SUA MALA DE VIAGEM ENQUANTO BRIGA COM GIOVANNA QUE ESTÁ NO BANHEIRO DA SUÍTE ENROLANDO AS CAMISINHAS NO PAPEL HIGIÊNICO.

FERNANDO
APOSTO QUE ISSO TEM A VER COM ESSE MOLEQUE DO PRÉDIO! VOCÊ SEMPRE COMENTA DELE. QUE ELE ANDA DE SKATE, QUE É BONITINHO, QUE TEM O CABELO LEGAL. VOCÊ SABE QUE EU NÃO GOSTO DELE!

CENA 8: APTO. DO CASAL/ BANHEIRO/ INT-DIA
GIOVANNA JOGA PELA JANELA DO BANHEIRO AS CAMISINHAS ENROLADAS NO PAPEL.

GIOVANNA
AI BEM, COMO VOCÊ É ENCANADO!

ELA VOLTA PARA O ESPELHO DO BANHEIRO E AMARRA O CABELO, REVELANDO UMA MARCA NO PESCOÇO. FERNANDO APARECE ATRÁS DELA E PERCEBE A MARCA.

FERNANDO
SOU ENCANADO? (..) VOLTO DE VIAGEM, ENCONTRO UM SKATE NO MEU QUARTO E MINHA MULHER COM UMA MARCA NO PESCOÇO QUE NÃO FUI EU QUE FIZ. E DEPOIS EU QUE SOU ENCANADO? (..) VOCÊ ME TRAIU GIOVANNA!
GIOVANNA
AI DROGA (..) DESCULPA. É QUE ACONTECEU, EU TAVA SOZINHA (..) NÃO PREMEDITEI NADA, JURO!

CENA 9: PRÉDIO DO CASAL/ JARDIM DOS FUNDOS/ EXT-DIA
JARDINEIRO TRABALHA TRANQUILAMENTE. NO MOMENTO EM QUE SE ESPREGUIÇA BOCEJANDO O PAPEL COM AS CAMISINHAS CAI EM SEU ROSTO.

CENA 10: APTO. DO CASAL/ QUARTO/ INT-DIA
FERNANDO DÁ AS COSTAS PARA GIOVANNA E PEGA O SKATE

FERNANDO
TUDO BEM GIOVANNA. ISSO NÃO VAI ATRAPALHAR NOSSO CASAMENTO. NOSSO AMOR É MUITO MAIOR DO QUE UM DESEJO CARNAL PASSAGEIRO.

GIOVANNA
COMO ASSIM? VOCÊ ME PERDOA?

FERNANDO
SIM, MAS TAMBÉM NÃO VAI FICAR FAZENDO ISSO DIRETO!

CENA 11: APTO DO CASAL/ QUARTO-COZINHA/ INT-DIA
FERNANDO DEIXA A MALA ABERTA NA CAMA E VAI PARA A COZINHA LEVANDO O SKATE. ELE DEIXA UM TUPERWARE VAZIO SOBRE A PIA E O SKATE PERTO DA PORTA DO APTO. GIOVANNA FUÇA NA MALA E ACHA UM BILHETE DE MULHER COM TELEFONE E UMA PEDRA CALCITA VERDE COM UM CORAÇÃO GRAVADO.

GIOVANNA
HA NÃO! AÍ TEM COISA. TENHO CERTEZA QUE ELE APRONTOU ALGUMA. ESSE SURFISTINHA ME PAGA.
(APÓS ACHAR A PEDRA)
EU SABIA. SEU PUTO, PROMÍSCUO. DORMIU COM ALGUMA PUTINHA ONTEM NÉ!

CENA 12: APTO DO CASAL/ COZINHA/ INT-DIA
A CAMPAINHA TOCA, FERNANDO ABRE A PORTA. É O JARDINEIRO DEVOLVENDO AS CAMISINHAS. GIOVANNA ENTRA BRAVA NA COZINHA E JOGA A PEDRA EM FERNANDO, QUE ABAIXA E ACERTA O JARDINEIRO.

GIOVANNA
SEU PUTO. VOCÊ ME TRAIU, POR ISSO PEDROOU FÁCIL! VOCÊ ME PAGA, SEU VERME! – JOGA A PEDRA

CENA 13: APTO. DO CASAL/ SALA/ INT-DIA
FERNANDO ARRASTANDO O JARDINEIRO PARA O SOFÁ.

FERNANDO
OLHA O QUE VOCÊ FEZ. DESMAIOU O JARDINEIRO!
E VAI PARA O QUARTO
GIOVANNA (COZINHA)
NÃO MUDA DE ASSUNTO! VOCÊ ME TRAIU!

CENA 14: APTO. DO SKATISTA/ SALA/ INT-DIA
TELEFONE TOCA. GAROTO ATENDE.

GABRIEL
ALÔ. (..) FALA MANO! (..) ENTÃO, ESPERA UNS DEZ MINUTOS PRA PASSAR AQUI QUE EU TENHO QUE PEGAR MEU SKATE NO VIZINHO! (..) EU SEI, EU SEI. VOU CORRER NA PRIMEIRA BATERIA. MAS FICA FRIO, VAI DAR TEMPO. ATÉ!


CENA 15: APTO. DO CASAL/ SALA/ INT-DIA
GIOVANNA SAI DA COZINHA, COLOCA GELO NA TESTA DO JARDINEIRO E VAI PARA O QUARTO.

GIOVANNA
ATÉ IMAGINO COMO FOI. SURFISTA, LOIRO, SARADO. A VAGARANHA CAI EM CIMA MESMO!

CENA 16: APTO. DO CASAL/ QUARTO/ INT-DIA
FERNANDO ESTÁ TERMINANDO DE DESFAZER A MALA.

FERNANDO
AH GIOVANNA, PÁRA COM ISSO. E ESSAS CAMISINHAS ENROLADAS NO PAPEL QUE O JARDINEIRO VEIO TRAZER? NO MÍNIMO VOCÊ DEVE TER JOGADO PELA JANELA!

GIOVANNA
OLHA COMO VOCÊ ME ACUSA SEM MOTIVO! É SEMPRE ASSIM. E ESSE PERDÃO SEM RODEIOS? NO MÍNIMO ELA ERA BEM MELHOR DO QUE EU NA CAMA.


CENA 17: PRÉDIO DO CASAL/ HALL DO ANDAR/ INT-DIA
GAROTO ANDA ATÉ A PORTA DO APTO. DO CASAL E COLOCA O OUVIDO NA PORTA. OUVE ALGUÉM FALANDO E SE ESCONDE NA ESCADA

CENA 18: APTO. DO CASAL/ SALA/ INT-DIA
JARDINEIRO LEVANTA DO SOFÁ RESMUNGANDO E RESOLVE SAIR DO APTO. ELE RECONHECE O SKATE NA PORTA, LEVA CONSIGO E ENTRA NO ELEVADOR.

CENA 19: APTO. DO CASAL/ QUARTO/ INT-DIA

FERNANDO (MALICIOSO)
LÓGICO QUE NÃO. IGUAL A VOCÊ NÃO EXISTE.

FERNANDO ABRAÇA GIOVANNA

FERNANDO
E O SKATISTA. ERA MELHOR DO QUE EU?

GIOVANNA
ERA NADA. ELE ERA MINDINHO. NÃO FAZIA NEM CÓCEGAS.

FERNANDO
HAHAHA... SE EU VER ELE POR AQUI DE NOVO, ARRANCO O TOQUINHO FORA! (..) ME PERDOA?

GIOVANNA
ESTAMOS QUITES ENTÃO! VAMOS ESQUECER ISSO.

SE BEIJAM – FADE OUT

CENA 20: PRÉDIO DO CASAL/ HALL DO ANDAR/ INT-DIA
FADE IN – GAROTO COM O OUVIDO NA PORTA, NÃO OUVE NADA. PERCEBE A PORTA DESTRANCADA E ENTRA NO APTO ESCONDIDO.
FADE OUT.

05 setembro 2006

Roteiro#18 - Tarde para Chorar

“tarde pra chorar”


Personagens
FERNANDO: marido
LAURA : esposa

Cenário :
A sala do apartamento deles ,e o hall.


Objetos cênicos :
Cigarro , mesinha de centro ,rádio,a capa do cd do cartola ,copo de uísque na metade e um enorme espelho de vidro frente a ela e a raquete de FERNANDO.



Cena 1 . int. noite – apartamento do casal .
LAURA esta sentada na sala , de pernas cruzadas levando o cigarro hora a hora na boca .com o olhar fixo no copo de uísque que está em cima da mesa. Toca no radio ,a musica de cartola ...exatamente na frase : “deixe-me ir preciso anda.vou por ai a procurar ...rir pra não chorar...” FERNANDO entra com sua raquete nas mãos e sorrindo.

FERNANDO
Oi amor !

Ela não diz nada. Continua fixa no copo.

FERNANDO
o que foi LAURA, diz alguma coisa,você está me assustando com essa cara!


Ela levanta e joga o copo no espelho enorme que tem bem a sua frente.


LAURA
Jogando tênis né FERNANDO ?!(grita totalmente histérica) que tipo de mulher você acha que eu sou,hein ?


Ele tenta abraçá-la

FERNANDO
Vamos conversar eu/

LAURA
Conversar é o cacete !sai daqui (começa a agredi-lo) sai,sai, tenho nojo de você ...tenho vergonha de ter tido um filho com homem tão nojento,tão promiscuo ...barato.

FERNANDO
LAURA, você ta falando besteira,vê se fica calma vai..

LAURA
(se acalmando,mas chorando) como é que eu posso ficar calma ,se o cara eu escolhi pra viver me trai com uma VAGABUNGA!?

FERNANDO
ela não é vagabunda/

LAURA
(bate palma) nossa,que lindo vai,continua..a defender sua amante . você é muito baixo mesmo!

FERNANDO
Ah,não vem com essa agora que você bem que gosta,sempre gostou.

LAURA
Eu tenho nojo de você,nojo!

FERNANDO
Nojo?(ri) a poupe-me não é LAURA!me ama,me adora,me deseja como uma cadela no cio ,e agora vem me dizer que tem nojo?
não tem nada . o Maximo que você pode estar sentindo é raiva do chifre que te coloquei.e nem precisava tanto,afinal de contas àquela transa não significou nada pra mim (tentado beijá-la) eu amo você,só você!

LAURA
E o que você sabe de amor?confunde amor com sexo/

FERNANDO
E não é a mesma coisa?

LAURA
É claro que não!se me amasse como diz,não teria ido procurar outra na rua.amor,SEXO,respeito e fidelidade andam juntos FERNANDO .quando você foi pra cama com aquela piranha,que é exatamente isso que ela é.mostrou pra mim que você é um erro na minha vida,um erro!

FERNANDO
(suspira) olha vamô zerar essa historia,tentar de novo!?

LAURA
Eu não quero mas (aponta pra porta) vai embora!

FERNANDO
(estourando) que saco LAURA,como você dificulta as coisas (tom)
eu sei que eu errei amor e to arrependido.juro que to me perdoa vai..eu prometo que/

LAURA
Para de prometer o que não pode cumprir.não tenta me
enganar,não tenta se enganar.a verdade é uma só.você é um bom vivam,malandro da pior espécie!

FERNANDO
Olha,você pode me bater se quiser,eu mereço ..vacilei!
fui um canalha,assumo que fui (querendo chorar) mas eu te amo.

LAURA
Ta um pouco tarde pra descobrir esse amor todo!você não vai mudar.e pra falar a verdade pra mim já não faz diferença (levantando em direção a porta) agora vai,sai daqui.não me faça perder a paciência.sai

Ele se joga aos pés dela,chorando.

FERNANDO
Não faz isso comigo LAURA !

LAURA
Não seja patético,levanta daí eu não vou mudar de idéia!

Ele continua a chorar aos pés dela ,ela o empurra para fora e bate a porta . ele e ela sentam um em cada lado da porta e choram . volta a tocar a musica de cartola .


Cena 2.ext.noite-hall
FERNANDO
Não precisava ser assim,
(chora,grita) TE AMO LAURA.

Cena3.int.noite.sala

LAURA de pé,encostada na porta.

LAURA
(chora,e diz baixinho)
eu também ,meu amor..

FIM

Roteiro#19 - O Cachorro é meu!

O CACHORRO É MEU

PERSONAGENS
BENEDITO – 35 anos – um homem que vive com medo da mulher, Gláucia. Ela o traiu com seu melhor amigo, mas Benedito é tão frouxo que é incapaz de fazer nada a respeito, apenas resolve sair de casa e levar tudo o que lhe pertence. Trabalha com algo burocrático e tem o peito peludo.

GLÁUCIA – 35 anos – mulher extremamente autoritária, que faz o marido de gato e sapato. Mesmo o traindo, ela atira sobre ele a culpa pelo adultério e ainda faz com que o homem saia de casa. É uma boa-vida.
PLEBE - 7 anos – cachorro vira-lata, grande e lerdo, preguiçoso, como um São Bernardo.



CENÁRIO
Apartamento de Benedito e Gláucia
1- Sala do Apartamento: Ambiente amplo, vastamente decorado com móveis clássicos. No entanto, a cor das paredes é viva e os objetos (bibelôs, porta-retratos) também são coloridos, deixando a sala sem nenhuma sofisticação.
2- Quarto do casal: Assim como a sala, o quarto é bem colorido, com uma parede de cada cor (sugestões: verde e roxo). A cama de casal tem lençóis vermelhos. Há um armário grande, duas poltronas, uma penteadeira e uma mesa encostada na parede.


Objetos cênicos:
Maleta de Benedito;
Duas malas de Benedito;
Retrato de casamento dos dois na parede ao lado da porta de saída;
Cigarro de Gláucia;
Chave de Casa

CENA 1. Sala do Apartamento. INT. DIA
Benedito entra irritado na sala (de dentro do apartamento, em direção à porta de saída), carregando desajeitadamente suas duas malas e sua maleta. Ele veste um terno sem qualquer caimento. O nó de sua gravata está mal-feito, seu cabelo está desarrumado. Logo atrás dele, entra Gláucia, despreocupada, vestindo uma camisola de ficar em casa, fumando um cigarro.


BENEDITO
Muito bem, Gláucia, eu acho o fim da picada o nosso casamento terminar dessa forma ridícula, com você me traindo com o Geleinha... e olha que aquele canalha nem tem o peito peludo... e você dizia que amava o meu peito peludo.

GLÁUCIA
Ah, Benedito. Não me irrita, vai? Esse nosso casamento já tava uma palhaçada, mesmo.(traga) Eu se fosse você, tinha um pouco de dignidade e saía por essa porta sem me reclamar de nada, que eu fui uma guerreira agüentando esse teu ronco durante todos esses oito anos.

BENEDITO
Dez anos, Gláucia. Dez anos... Nem te lembra mais dos anos de casada. Muito me admira não ter me traído antes.

GLÁUCIA
Ta, não me irrita. Sai logo. Já colocou o dinheiro do gás em cima da geladeira?

BENEDITO
Já... mas só coloquei porque a conta ta no meu nome... E eu não quero que meu nome fique mais sujo na praça... Porque até onde eu sei, até a torcida do Bragantino ta sabendo que tu me colocou um par de chifres.

GLÁUCIA
Tá, até na hora de ir embora você se lamenta. Vai logo!

BENEDITO
Eu vou, mesmo. Adúltera. Madalena sem coração. (grita) Plebe, o Plebe, vem com o papai... (o cão entra de dentro do apartamento e fica ao seu lado)

GLÁUCIA
Mas o que que isso, Benedito? Você não está pensando em levar o Plebe, não, né?

BENEDITO
Mas é claro...o cachorro é meu, foi minha mãe que me deu.

GLÁUCIA
Mas era só o que me faltava (se aproxima de Plebe e o apanha)! O cachorro é meu, você nunca deu bola pra ele. Ele não vai de jeito nenhum.

BENEDITO
Você quer largar, por favor, que do Plebe eu não abro mão.

GLÁUCIA
Pelo amor de Deus, Benedito, não vai passar por mais esse constrangimento. Você quer largar o meu cachorro, por favor.


Os dois iniciam uma disputa pelo cachorro, segurando, cada um de um lado. O tom da cena é cômico, com a mulher tentando fechar o robe que envolve sua camisola e apoiando o cigarro, enquanto ele tenta segurar o cachorro com a maleta na mão. O cachorro sai correndo para dentro do apartamento. Os dois ficam resmungando a posse do cachorro.
Na saída do casal para dentro do quarto, CORTA PARA:

CENA 2. Quarto do Casal. INT. DIA
Plebe entra correndo e se enfia embaixo dos lençóis. Eles entram e começam a procurar o cachorro sobre a cama.

GLÁUCIA
Larga, Benedito, você quer fazer o favor de largar o meu cachorro.

BENEDITO
Nem a pau, que o Plebe é meu (os dois estão completamente sob os lençóis)... Que é isso, Gláucia? Tira a mão do meu peito...(começa a ceder à sedução de Gláucia, fazendo voz manhosa) Gláucia...

GLÁUCIA
Ai, é que esse peito...peludo... me dá uma coisa... Ai, Benedito...

BENEDITO
Sua Madalena arrependida, cuidado pra não me queimar com o cigarro.

GLÁUCIA
(atira o robe para fora da cama)
Ai, Benedito.

Plebe pula para fora da cama e pára ao lado do guarda-roupas enquanto o casal troca carícias sobre a cama (Vale lembrar que o tom da cena é cômico, não permitindo que essa parte seja vulgar. A carícia dos dois deve provocar o riso).

Com Plebe olhando a cena, com a língua para fora, CORTA PARA:


*** FIM ***

Roteiro#20 - Quem vê cara, não vê coração!

Quem vê cara, não vê coração!


Personagens:
Celeste – Morena, cabelos negros e liso, 35 anos, corpo escultural, uma mulher linda, veste-se sempre com roupas provocantes. Casada e apaixonada pelo marido. Era secretária no escritório onde trabalha Nestor, deixou todos os seus sonhos para trás, para viver um casamento feliz com o amor de sua vida e morre de ciúmes dele, colocando-o sempre contra a parede, pois vive duvidando de sua fidelidade.

Nestor – Não é o que se pode dizer de um homem lindo, ostenta uma pequena barriga, usa óculos e se veste com ternos de modelos não muito tradicionais. Tem 38 anos e é contador de um grande escritório de contabilidade. É viciado em trabalho e trabalha sempre até altas horas. Uma pessoa sem jeito, que se enrola sempre nas suas explicações.

MERCEDES – Tem 37 anos, cabelos castanhos aloirados enrolados em um coque, veste roupas comportadas, de uma magreza sem fim, aparelhos nos dentes e sem nenhum interesse por qualquer relacionamento.

Cenários:
Sala do apartamento: Tem uma certa extravagância em sua decoração, com uma das paredes texturizada na cor vermelha, a cor da paixão que Celeste sente; dois sofás de um material semelhante ao couro de dois lugares, portas-retratos com fotos do casal enfeitando duas mesas laterais, um quadro com uma pintura abstrata decora uma parede, duas estátuas de gesso decorando o ambiente, um vaso de planta em um canto e um móvel com televisão, aparelho de som e dvd, uma porta para os quartos e uma porta para cozinha.

Escritório de Nestor: Mesa de madeira, duas cadeiras de clientes, uma cadeira para Nestor, dois montes de papéis sobre a mesa, uma maquina de calcular, um relógio de parede.

Corredor do escritório: Um bebedouro e alguns quadros nas pa-redes.

Objetos cênicos:
Dois sofás, quatro portas-retrato, duas mesinhas laterais, um quadro, duas estátuas de gesso, um vaso de planta, um móvel, uma televisão, um aparelho de som e um aparelho de dvd, alguns pequenos objetos de decoração e um telefone celular. Mesa de madeira, três cadeiras, papéis, máquina de calcular e relógio de parede, bebedouro e quadros.
Cena 1 – Sala do Apartamento – Int.Noite.

Celeste está sentada em um dos sofás, vestida com um short doll bem curtinho, passa cremes pelas pernas, demonstra nervo sismo. Não pare de olhar a hora em seu celular que está joga do sobre o sofá.

CELESTE
Nestor está demorando de novo! Todo dia essa
demora agora! Isso já está me cheirando a ou
tra mulher!

Nestor abre a porta, demonstra cansaço e senta-se quase que se jogando no sofá.

CELESTE
Outra vez chegando tarde, né amorzinho?

NESTOR
Desculpe, meu amor! Até tentei, mas não con
seguia encontrar a diferença naquele balan-
cete!

CELESTE
Balancete?... Sei!... Não estou engolindo es
sa sua história! Todo dia agora, tem balance
te?

NESTOR
É verdade, Celeste! Esse mês, é mês de impos
to de renda! E você conhece seu Agenor, tudo
tem que bater!

CELESTE
Estou achando que você tem outra! Pode con-
fessar! Eu sou forte!...

NESTOR
Da onde você tirou essa idéia? Eu te amo! Eu
estava trabalhando! (T) Agora quer saber de
uma coisa? Vou tomar um banho e cair na cama!

CELESTE
Olha aí, tá vendo? Eu aqui, passando cremes,
esperando você, e você diz que vai deitar?
O que foi? Estou feia, não é?...

NESTOR
Você é linda meu amor!

CELESTE
Foi essa celulite aqui, não foi?

NESTOR
Não tem celulite nenhuma, Celeste!

CELESTE
Eu te conheço, Nestor! Você está me escondendo alguma coisa!

NESTOR
Precisava terminar o balancete da firma do
Dr.Peixoto hoje! Ele até queria que eu levas
se pra ele ver hoje!... Eu juro!

CELESTE
Olha aí! Eu sabia! Você não sabe mentir! Tin
ha certeza que tinha mulher no meio!

NESTOR
Que mulher? A firma é do Dr.Peixoto.

CELESTE
E quem é a secretária do Dr.Peixoto?

NESTOR
A dona Mercedes!

CELESTE
Dona Mercedes!... E você fala assim como se
não conhecesse aquela descarada! Até hoje
eu sei que ela não aceitou que você trocou
ela por mim.

NESTOR
Mas eu nunca tive nada com ela!

CELESTE
Você esqueceu que eu vi você dando o fora ne

la?
CORTA PARA:


CENA 2 – SALA DO ESCRITÓRIO DE NESTOR. INT.DIA.
FLASHBACK.NESTOR ESTÁ SENTADO, CONVERSA COM MERCEDES.

NESTOR
Desta vez não deu pra segurar! Seu Agenor me
pediu pra te mandar embora!

MERCEDES
Mas, eu não tive culpa!

NESTOR
Eu falei pra ele, mas ele nem quis me ouvir!
Ainda me disse: Ou você manda ela, ou eu man
do você!

MERCEDES
(CHORANDO)
E agora, o que faço da minha vida?

NESTOR
(CONSOLANDO-A)
Eu conversei com o Dr.Peixoto e ele me gara-
tiu que tem uma vaga pra você no escritório
dele!

MERCEDES
(ENXUGANDO O ROSTO)
Puxa, Nestor, não sei nem como te agradecer!
Você é realmente uma pessoa especial!
CORTA PARA:

CENA 3-CORREDOR DO LADO DE FORA DA SALA DE NESTOR. INT.DIA.
CELESTE SE APROXIMA DA PORTA E OUVE A CONVERSA.

NESTOR
(EM OFF)
Pena que a gente vai ter que se separar!

MERCEDES
(EM OFF)
Eu posso te ligar de vez em quando?

NESTOR
(EM OFF)
Claro! (T)Podemos ser amigos, não podemos?

MERCEDES
(EM OFF)
Posso te dar uma abraço de despedida?

NESTOR
(EM OFF)
Claro!
CORTA PARA:

CENA 4 – SALA DO ESCRITÓRIO DE NESTOR – INT.DIA.
CONT.DA CENA 2. NESTOR E MERCEDES SE ABRAÇAM COM MUITO CARINHO.
CORTA PRA:

CENA 5 – CORREDOR DO LADO DE FORA DA SALA DE NESTOR. INT.DIA
CONT.DA CENA 3. CELESTE FAZ MENÇÃO DE ENTRAR NA SALA, MAS SE ASSUSTA QUANDO ESTA SE ABRE E SE AFASTA. MERCEDES SAI TRISTE DA SALA.

CELESTE
O que foi, já veio dar em cima do meu namorado?

MERCEDES
Me deixa em paz!... Sai da minha frente!

MERCEDES SE AFASTA. CELESTA A PROVOCA.

CELESTE
Invejosa! O Nestor é meu! Só meu!

CELESTE ENTRA NA SALA. FIM DO FLASHBACK. CORTA PARA

CENA 6 – SALA DO APARTAMENTO – INT.NOITE.
CONT.DA CENA 1. CELESTE PRESSIONA NESTOR.

CELESTE
Até hoje não engoli aquela despedida! Ninguém dá o fora na namorada daquele jeito!

NESTOR
Mas, que namorada?... Que fora?...Que jeito?

CELESTE
Aquele dia em que ela foi mandada embora!

NESTOR
Eu nunca tive nada com a Mercedes! Eu é que
estava mandando ela embora! (T) Mas, você é
ciumenta, ninguém merece!

CELESTE
Não vem dizer que a culpa é minha, não!

NESTOR
Celeste, dá licença, eu vou deitar! Eu estou
um bagaço! Boa noite!

NESTOR SAI DA SALA.

CELESTE
Não foge, não! Sempre que a gente começa es-
sa conversa, você corre! Pode me esperar!

CELESTE SAI DA SALA E VAI ATRÁS DE NESTOR DEIXANDO AS LUZES DA SALA ACESA.

CELESTE
(EM OFF)
Nestor, volta aqui! Não adianta fugir! Você
está me traíndo, eu sei!...

- FIM -

Roteiro#21 - TUDO BEM

TUDO BEM


PERSONAGENS
CLEO – Jovem produtora de moda bem sucedida, tem 28 anos. Alta, magra, estilo hippie chique, despojada, cabelos curtos, corte moderno. É uma mulher determinada, altiva, dona de si, intensa, sua maior preocupação é ser feliz, doa a quem doer.

MARCOS – Rapaz na faixa dos 32 anos, ar meio perdidão, já foi várias coisas na vida. Atualmente é corretor de imóveis. Se ressente de não ter feito uma faculdade e não sabe qual a sua vocação. Na cena em questão, usa óculos de grau, camisa social amarrotada e calça social larga.



CENÁRIO
Sala ampla do apartamento de classe média de Cleo. Decoração clean, sofisticada, de bom gosto. Sofás amplos, home theater, DVDs e CDs num hacker estiloso. Quadros de pinturas abstratas. Mesa de centro chique, grande, retangular com alguns objetos de decoração e a bolsa de Cleo.


CENA ÚNICA – APARTAMENTO CLEO/SALA/INT/DIA
Cleo e Marcos em cena. Clima tenso. Brigaram.

MARCOS
E você me fala isso, assim, com essa cara deslavada?

CLEO
Marcos, deixa de drama, vai. O que foi que eu falei? Eu não falei nada demais!

MARCOS
Como não? Acabou de me contar que passou a noite com outro cara num motel! Você não acha que isso é grave?

CLEO
Se eu achasse não teria contado...

MARCOS
Sei... Então o que é grave, pra você, senhorita Cleo?

CLEO
Sei lá... Acho que existem poucas coisas graves na vida e, uma delas, é existir, ao invés de viver.

MARCOS
Não vem com esse papinho pseudo-filosófico pra justificar a sua putaria, não!

CLEO
Não é papinho pseudo-filosófico, Marcos! Eu tava num bar, conheci um cara, a gente se olhou, rolou um clima, fomos pro motel, o que que há de mal?

MARCOS
Definitivamente você não é normal! Sabe o que que há de mal nisso, Cleo? Eu! Talvez eu seja a parte má dessa sua história! Você quer terminar pra poder levar sua vidinha de uma maneira mais livre?

CLEO
Eu nunca falei em terminar. Quem tá falando isso é você. Pra mim tá ótimo do jeito que tá.

MARCOS
Pra você tá ótimo! Mas você já parou pra se perguntar, como é que tá pra mim? Pro corno aqui? Você não contou nada pra Malu, né?

CLEO
Malu? O que é que a Malu tem a ver com essa história?
MARCOS
Contou ou não contou?

CLEO
Não/

MARCOS
(aliviado)
Graças a Deus!

CLEO
Vem cá, eu posso saber por que é que você tá tão preocupado em saber se eu contei ou não contei pra Malu?

MARCOS
O problema não é a Malu. O problema é o Mário. Já pensou se ela conta pro Mário. Vou ter até que deixar de bater minha pelada no sábado à tarde!

CLEO
Machista! Doente! Então quer dizer que o problema não é o corno que você diz que botei na tua cabeça; o importante é a turma da pelada ficar sabendo! Quer saber de uma coisa, Marcos? Cansei! Pega as suas coisas e vai embora!

MARCOS
Você tá terminando?

CLEO
Você ouviu a palavra ‘terminar’ sair da minha boca?

MARCOS
Não. Mas é como se/

CLEO
É como se nada! Foi uma idiotice da minha parte ter te chamado pra vir morar comigo! Você tem o seu apartamento da Lagoa, eu tenho o meu, somos adultos, independentes, bem resolvidos... bem, você menos que eu, né?

MARCOS
Mas tava dando tão certo/

CLEO
Dando certo uma ova, Marcos! Quem que a gente quer enganar? Eu gosto de você! Adoro quando você roça sua barba por fazer nas minhas costas, quando você começa a falar de filme francês pra me impressionar, mas a rotina tá acabando com o nosso casamento!

MARCOS
(emocionado, surpreso pelo uso da palavra casamento)
Casamento?

CLEO
Não é casamento? A gente mora junto há quatro anos!

MARCOS
É que é a primeira vez que eu ouço você falar assim... casamento.

CLEO
Você tem razão, eu não devia ter usado mesmo a palavra casamento. Acho que é muito pesada... namoro. A gente namora há tanto tempo, Marcos. Pensa bem, você na Lagoa, eu aqui em Copa. Vai ser melhor assim.

MARCOS
É esse cara, não é? Esse cara que foi com você pro motel!

CLEO
(sincera)
Não! Eu só tava sendo uma menina obediente, obedecendo ao meu instinto! Era um cara lindo, olho verde, sorriso safado, acho que até tu pegava!

MARCOS
(tempo)
Bonitão mesmo?

CLEO
Lindo!

MARCOS
E você pegou o telefone?

CLEO
(tira um papelzinho de dentro da bolsa que está sobre a mesa, risinho sacana)
Tá aqui ó.

MARCOS
Casas separadas?

CLEO
Vai ser melhor pra nós dois. Podes crer.

MARCOS
Hum...

Marcos vai até Cleo e começa a fazer cosquinhas na namorada. Brincadeiras íntimas, momento descontraído e feliz.

*** FIM ***

Roteiro#22 - MARIA-FUZIL

Maria-Fuzil


PERSONAGENS:
Silvia – Mimada e fútil. Uma linda loira, tipica da zona-sul do Rio de Janeiro.Corpo malhado e bronzeado de uma jovem de 19 anos.Filha de empresários, fazia faculdade de Medicina quando conheceu Diguinho. Resolveu sair da casa dos pais e morar junto com o traficante. Vive com Diguinho há cerca de 6 meses, porém suas traições lhe deixam com muito ciúme. Está decidida a se separar do rapaz,pois está cansada de ser maltratada e de ser traída.

Diguinho – Negro. Ignorante e sem estudo, veio de uma condição socio-econômica inferior. Porém, entrou para o crime desde moleque, isso lhe deu a oportunidade de subir na vida. Apesar de ter apenas 24 anos, é um dos maiores vendedores de drogas da zona sul do Rio de Janeiro. Conheceu Silvia numa festa rave, onde ofereceu cocaína e logo em seguida já estavam juntos. Mora na zona-sul, bem classe-média alta. Vende droga para playboy de classe média. Goza de um certo status na favela onde nasceu e por isso tem todas as mulheres a seu dispor. Acha que todas devem se submeter a sua vontade e por isso não aceita ser rejeitado.

Toni boladão – Traficante, rival do Diguinho. São inimigos mortais porque ambos são concorrentes de pontos de drogas na zona-sul. Toni Boladão é o traficante mais temido da região, e Diguinho pretende se tornar num futuro próximo, o chefe da área . Por isso tenta de qualquer forma minar a força de Toni. Toni é muito vaidoso, usa as roupas da moda, tipo rapper americano, Cordões de ouro- branco no pescoço, isso para mostrar que ele é uma estrela e que é o dono do pedaço.


CENÁRIO
Apartamento luxuoso típico da zona-sul. Com móveis modernos, visual e casa bem decorada, com estilo bem jovem. Tv de plasma, computador, Som. Todo apartamento bem equipado.
Objetos cênicos: Sofá no centro, computador bem ao lado direito, no caminho dos quartos. Na esquerda uma poltrona reclinável no qual o personagem de Diguinho senta. Telefone. Mesa de centro. Quadros decorativos. Sala muito luxuosa, disfarçando um apartamento de classe-média típico dos anos 70.


CENA 1. Apartamento/sala . INT/. DIA
Diguinho, chega levemente bêbado. Põe a chave na mesa de centro. Vê Silvia sentada lhe esperando.


Silvia
(Firme)
Isso são horas, Diguinho...


Se levanta e cruza os braços, emburrada.

Diguinho
(bêbado)
O que que tem amor? Estava na Maré. Tu sabe muito bem que eu sempre tenho que ir lá.

Silvia
(nervosa)
Eu sei que você anda piranhando... eu tô cansada dessa vida.Não aguento mais.

Diguinho

Não aguenta? Eu te dou tudo. Dinheiro pra tu comprar essas porcaria de roupa. Tu tem que ficar quieta que tá muito bom. Tem um monte ai que queria isso que tu tem.

Silvia
(histérica)
Eu não quero nada seu. Você me trai com um monte de puta, some durante dias, não deixa eu fazer uma faculdade. Cansei, juro pra você... pra mim... Acabou!

Silvia chorando vai em direção a porta , quando é interrompida por Diguinho que a segura pelos braços e a joga no sofá.

Diguinho
Peraí,sua piranha. Quem tu pensa que é? Fica no maior bembão e acha que pode sair assim a hora que quer?

Sobe em cima de Silvia. Segura seus braços.Dá vários tapões no rosto de Silvia, até se cansar de bater.

Diguinho
Sua vadia... toma essa pra aprender a respeitar seu homem. Essa é pelo abuso... E essa é pelas putas que tão doida pra tomar seu lugar e não podem te dar na cara... Ah, essa é pelo prejuízo que tu me dá, toma!

Tira a arma da cintura e coloca na boca de Silvia. E começa a acaricia-lá.

Silvia
(chorando resignada)
Se no inicio do ano escrevesse no meu diário “as coisas que jamais aconteceriam comigo”...Você me matar seria a primeira da lista.

Diguinho
Você se enganou Silvia... E olhar pra sua carinha bonitinha e vê você toda ferrada me dá gosto... Você pode pensar que isso é sadismo meu... minha linda, juro que não é...Você sabe por que eu tô fazendo isso?... Aposto que não sabe né?


Silvia
(chorando desesperada)
Anda me mata logo! Atira, acaba com esse meu sofrimento... Você não tem piedade? Atira logo... é um covarde! E um corno. Isso mesmo, você é um corno. E o filho que eu tô esperando não é seu. É do Toni Boladão. Ele me comeu com gosto.

Silvia cospe na cara Diguinho. Ele engatilha a arma. Closes alternados. Barulho de tiro. Escurece a tela.

Corta para:

CENA 2. Apartamento/sala . INT/. Dia
Silvia está deitada no sofá e acorda com o toque do telefone. Ela se assuta e atende.

Diguinho
(off)
Oi linda, sou eu... É o seguinte: Vou ter que ficar até mais tarde aqui na Maré! Tenho uma reunião, tá bem?

Silvia
Tá bem amor, vou tá te esperando aqui... Não se preocupa vou fazer umas compras lá no Shopping.Beijos.

Desliga o telefone , fica apreensiva. A campainha toca. Silvia corre em direção a porta. Abre a porta, é Toni Boladão de braços abertos. Silvia olha preocupada. Toni sorri. Closes alternados entre Silvia e Toni. Silvia puxa a gola da camisa de Toni e empurra-o para dentro de sua casa. Ela então lhe dá um beijo.

Corta.


*** FIM ***

24 agosto 2006

Projeto "Contos Natalinos"

PROJETO “CONTOS NATALINOS”


Tema: “Natal e relações pessoais”
Parâmetros
: 8.500 toques a 10.000 toques (com espaço)



PARA OS AUTORES – OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:


1) A linguagem deverá ser prosa corrida, no formato tradicional dos contos. Crônicas “puras” não serão aceitas, pois não “contam histórias” e porque “envelhecem rapidamente”. Os diálogos poderão estar entre aspas, com travessões, itálico... da forma que o autor preferir. Isso faz parte do estilo individual de cada um.


2) Para que evitemos o excesso de narrativas muito semelhantes sobre o Natal (apenas encontros e desencontros familiares), aqui vai um CONSELHO que deve servir mais para aguçar a criatividade de todos, do que cercear a liberdade de cada um: BUSQUE UMA ABORDAGEM DIFERENCIADA NO SEU TEXTO.
Sempre mantendo o tema “Natal e relações pessoais”, você poderá:

a) alterar a parte temporalcontos no passado (décadas atrás, século passado, vinte anos no futuro, “flashbacks”, elipses etc. e tal);
b) alterar a parte espacialgrandes metrópoles, pequenas cidades, países imaginários, uma floresta, um navio, um avião, um aeroporto, um dirigível na década de 30, um bote salva-vidas etc. e tal.;
c) personificar objetos ou animais - no melhor estilo Disney, o protagonista pode ser qualquer coisa, desde o bule de chá até o poodle da tia-avó. Isso dará ares de fábula à tua narrativa;
d) escolha um gênero narrativo e procure desenvolvê-lo. Mesmo falando de “natal de relações pessoais”, você optar por:

· humor;
· crítica social (evitando sempre que o texto se torne uma crônica pura ou um ensaio crítico puro);
· drama;
· política (também evitando o que foi dito acima);
· suspense;
· ironia/humor negro.


Essas observações servem apenas para garantir que o livro “Contos Natalinos” fique o mais rico, interessante e diversificado possível. Sintam-se sempre livres para criar o quanto desejarem, e escreverem aquilo que desejarem DENTRO DO TEMA.

Os textos devem ser enviados para o email: ragazzodifamiglia@yahoo.com.br

Prazo: 15/setembro/2006

Grande abraço a todos,

Leonardo de Moraes.
http://www.leonardodemoraes.com.br/

15 agosto 2006

2º Concurso GRTV "Ivani Ribeiro" de CENAS

2º CONCURSO GRTV “Ivani Ribeiro” DE CENAS

REGULAMENTO

OBJETO:
ROTEIRO DE ATÉ 5 páginas


FORMATAÇÃO:
Usar o modelo/Word que consta nos arquivos do GRTV.
Obs.: 1ª página = capa; 2ª página = Personagens, Cenário e Objetos cênicos importantes; 3a. a 5a. página = diálogos.


TEMA:

DISCUSSÃO ENTRE MARIDO E MULHER, SOBRE TRAIÇÃO AMOROSA
AMBIENTE: apartamento classe média


GÊNERO DO ROTEIRO:
Comédia, drama ou tragi-comédia (a escolha do autor)


JUSTIFICATIVA DO TEMA:
Qualquer programa de televisão (seriado cômico ou telenovela) traz essa situação.
É mais fácil identificar o repertório de referências do escritor – conhecimento do sexo oposto e suas nuanças. E é fato que a necessidade de diferenciação das falas dos personagens se mostra imperativa.

CRITÉRIOS PARA ANÁLISE:
- criatividade (sobretudo em uma situação comum);
- abordagem diferenciada;
- riqueza, agilidade e naturalidade diálogo;
- repertório/referências do autor;
- capacidade do autor em lidar com os gêneros comédia ou drama.


PRÊMIO:
Livro “O Roteirista Profissional”, de Marcos Rey


PRAZO:
DIA 31/AGOSTO


OS TEXTOS DEVEM SER ENVIADOS PARA O EMAIL:
ragazzodifamiglia@yahoo.com.br
No assunto, colocar: “2º Conc. GRTV”


DIVULGAÇÃO DO RESULTADO:
DIA 04/SETEMBRO


Os roteiros enviados serão todos, sem exceção, publicados no BLOG DO GRTV, para que os demais participantes do concurso, assim como os demais associados, possam ler e analisar o trabalho dos demais autores.


BLOG DO GRTV:
http://roteirostelevisao.blogspot.com/

04/Agosto/2006
Leonardo de Moraes
Moderador GRTV

"GRTV - GRUPO ROTEIROS PARA TELEVISÃO"

http://br.groups.yahoo.com/group/roteirostelevisao/