18 agosto 2009

Oficinas literárias - o que fazer com um texto?

TRÊS PROFESSORES DE OFICINAS LITERÁRIAS CHAMAM A ATENÇÃO PARA REGRAS BÁSICAS DE LEITURA E ESCRITA

"Use em abundância o ponto final"

LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL
ESPECIAL PARA A FOLHA

PARA LER

1. Ignorar os best-sellers, por maior que seja a tentação. Deixe passar cinco anos.
Se o livro ainda respirar bem, pode investir.

2. Ler com desconfiança o que lê. Se o livro resistir a essa leitura, é porque é bom.

3. Ler com um lápis na mão. E usá-lo.

4. Conhecer pessoalmente o escritor só depois de ler o livro; caso contrário, a figura do escritor ficará colada ao texto, como um fantasma.

5. Ler edições que tenham bom gosto. Uma edição amadora piora dramaticamente o livro.

PARA ESCREVER
1. Dedicar mais tempo à leitura do que à escrita.

2. Usar em abundância o ponto final, especialmente quando a frase resiste a qualquer conserto.

3. Usar material de primeira qualidade: bom computador, bom papel de impressão, bons cadernos (sugiro o Moleskine), boas canetas, bons lápis.

4. Não levar o laptop para a cozinha ou para a sala de visitas. Se não tiver um gabinete exclusivo, o quarto é uma boa escolha.

5. Escrever apenas sobre o que conhece perfeitamente, mesmo que seja um romance passado no futuro.

--------------------------------------------------------------------------------
LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL é professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e autor de "Ensaios Íntimos e Imperfeitos" (L&PM), entre outros livros.

"Desconfie das dicas que lhe dão"
MARCELINO FREIRE
ESPECIAL PARA A FOLHA

PARA LER

1. Quanto mais um livro fizer mal, melhor.

2. Confortável precisa ser a cama, não a literatura.

3. Evitar lista dos mais vendidos.

4. Livro não é para ser entendido, é para ser sentido.

5. Desconfiar das dicas que te dão.

PARA ESCREVER

1. Cortar palavras.
2. Não usar gravata na hora de escrever.
3. Ouvir, mesmo que baixinho, a própria voz.
4. Desconfiar daquele texto que sua mãe gostou.
5. Ler e beber muito. E, no mais: viver.


--------------------------------------------------------------------------------
MARCELINO FREIRE é autor, entre outros livros, de "Contos Negreiros" (ed. Record) e organizador de "Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século" (Ateliê).

"Leia como se fosse o psicanalista que ouve um paciente"
LUÍS AUGUSTO FISCHER
ESPECIAL PARA A FOLHA

PARA LER

1. Se você estiver diante de um um clássico provado pelos tempos -Shakespeare, Voltaire, Machado de Assis- e acontecer alguma dificuldade na leitura, pode ter certeza de que o problema é seu, não do texto. Bons textos muitas vezes exigem mais de uma tentativa de leitura.

2. No concreto de uma leitura, pode acontecer que a fruição fique embaçada. Antes de entrar em pânico, tente localizar o foco do impasse: se for uma palavra específica que seja desconhecida, para isso existe o dicionário; se não, volte a atenção para os "que", para os nexos entre as partes da frase.

3. Um texto literário, obra de arte que é (ou aspira a ser), tem direito de ser como é, em sua integridade. Isso alerta para a necessidade de a leitura ser respeitosa: o leitor deve dispor-se a receber as informações e as formas do texto tal como o autor as concebeu. Mas isso não impede que o leitor comum pule fora ao perceber que seu honesto empenho de leitura não está sendo recompensado.

4. Um texto literário merece ser lido em pelo menos duas dimensões, uma linear e a outra enviesada. A segunda é menos perceptível, mas muitas vezes é decisiva, e tem sua carnadura num plano alusivo, nas chamadas entrelinhas, num patamar figurado ou alegórico. A boa leitura não pode contentar-se com a decifração daquela primeira dimensão, necessitando uma atenção mais difusa, próxima da atenção que os psicanalistas praticam ao ouvir o paciente.

5. Em narrativas, um detalhe radicalmente importante, em especial nos romances e contos escritos a partir do final do século 19 (no Brasil, o marco é Machado de Assis, mas você pode pensar em Dostoiévski, em Poe, em Flaubert), é o jeito de ser do narrador. O bom leitor sempre mantém em vista que o narrador pode ser parte interessada no enredo, pode ser parcial na avaliação dos fatos e das pessoas que menciona, pode saber mais ou menos do que aparenta.

PARA ESCREVER

1. Tenha sempre em conta que do outro lado de seu texto há, na melhor hipótese, um leitor; e que essa figura, preciosa e fugidia, pode abandonar o barco a qualquer momento. O autor tem todo o direito de radicalizar sua escrita, ser inventivo e ousado, mas também o leitor tem o direito de radicalizar por sua parte, caindo fora.

2. Uma das escolhas básicas para quem escreve um relato diz respeito à distância que o texto vai colocar entre a voz narrativa e o(s) personagem(ns), entre as palavras que o leitor vai ler e a vida íntima do personagem, dentro do enredo. Mesmo um narrador de terceira pessoa pode ser muito próximo dos fatos e das pessoas envolvidas, pode acompanhar as ações muito de perto, assim como um narrador de primeira pessoa pode manter uma distância relativamente serena a respeito dos fatos.

3. Embora no sentido trivial o leitor é quem escolhe o texto que vai ler, num sentido muito profundo é o texto que escolhe seu leitor: suas escolhas vão delimitando o universo potencial dos leitores, que serão mais ou menos sofisticados ou numerosos conforme as opções do autor. Confrontar ou agradar o leitor, eis uma questão que é bom ter em mente, para fazer a escolha que interessa (nisso os grandes revolucionários têm muito a ensinar; veja como Miguel de Cervantes, Honoré de Balzac, Machado de Assis e outros tratam o leitor).

4. Escrever é, em grande medida, administrar entre conhecido e desconhecido, redundância e informação. Um dos riscos sempre implicados nesse campo é o de depender do "background" do leitor, das informações que ele traz (ou não) consigo. Muitas vezes um relato sucumbe porque espera que o leitor aporte conteúdos para compor o sentido de alusões, entreditos, sugestões que o enredo contém.

5. Quem inventa uma ficção está mentindo e espera que o leitor aceite a mentira. Mas sobre essa base há uma outra camada de indispensável verdade: o escritor nunca deve trapacear, nunca fazer pose ou jogar para a torcida. Se começar a contar uma história, tem que assumir o compromisso de contar tudo que importa para que ela aconteça.

--------------------------------------------------------------------------------
LUÍS AUGUSTO FISCHER é crítico literário, professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e autor de "Machado e Borges" (ed. Arquipélago), entre outros.

Obras didáticas A Preparação do Escritor
Raimundo Carrero, autor de "O Amor Não Tem Bons Sentimentos" (ed. Iluminuras), divide o texto em 11 "aulas" sobre temas como "a invenção do personagem" ou "como são feitos os diálogos". Inclui sugestão de exercício ao final dos capítulos. Lançamento da ed. Iluminuras.

Para Ler Como um Escritor
Francine Prose é autora de "A Vida das Musas" (Nova Fronteira) e romancista. O título entrega o segredo dos demais professores de escrita: ler atentamente os clássicos. Ela analisa autores como Jane Austen e Vladimir Nabokov. Ed. Zahar.

Oficina de Escritores
Autor de "O Ponto de Ruptura" (ed. Difel), Stephen Koch foi professor de escrita criativa em Columbia e Princeton. Com frases de autores consagrados sobre o ato de escrever, o livro dá dicas como "o que faz a legibilidade não é a clareza, mas a atitude". Ed. Martins Fontes.

17 agosto 2009

Aula inaugural da Unisc discute audiodescrição no audiovisual

A atriz e audiodescritora Graciela Pozzobon da Costa será palestrante de aula inaugural na Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) na próxima quinta-feira, 20 de agosto. Graciela, santa-cruzense radicada no Rio de Janeiro, é uma das pioneiras em audiodescrição no país, e irá falar sobre esse novo recurso tecnológico para a produção audiovisual – a audiodescrição -, que permite aos deficientes visuais compreenderem as cenas sem texto na programação de Tv, de cinema e outros audiovisuais. A atividade será às 20h, no Anfiteatro do bloco 18, aberta ao público, gratuita e sem a necessidade de inscrições.

Além da palestra, na sexta-feira, 21, Graciela ministra uma oficina sobre audiodescrição, dirigida à comunidade acadêmica da universidade. Acontecerá nos turnos da tarde e noite, a partir das 13h30min, também no Anfiteatro, no bloco 18. Com inscrições gratuitas até o dia 19 de agosto, junto ao Curso de Comunicação Social.

Graciela se dedica desde 2003 a criação de roteiro e gravação de audiodescrição em produtos audiovisuais e em peças de teatro. Possui mais de 100 roteiros em filmes e gravações de narrações e tem reconhecimento de grupos e instituições ligados a defesa da pessoa com deficiência visual. A audiodescritora também ministra cursos sobre as técnicas de audiodescrição, e capacita atores para fazê-la. É responsável por mais de dez projetos relacionados à audiodescrição, como o da Programadora Brasil, do Site Blind Tube (http://www.blindtube.com/ ) e o do Programa e do Festival Assim Vivemos (http://www.assimvivemos.com.br/ ). Seu trabalho também pode ser conhecido no site http://www.audiodescricao.com.br/

Os eventos são promovidos pelos cursos de Comunicação Social, Serviço Social, Ciências Sociais, Departamento de Educação, Pró-reitoria de Extensão e Núcleo de Apoio Acadêmico da Unisc, e acontecem durante a Semana Nacional das Pessoas com Deficiência.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Unisc.

Curso gratuito de cinema no Maranhão

O curso gratuito "Maranhão na Tela", projeto sócio-cultural de fomento à produção audiovisual maranhense, que conta com o patrocínio da Itaqui Energia/MPX – empresa do Grupo EBX – realizará cursos de cinema gratuitos, entre os dias 17 e 28 de agosto. Ao todo, serão oferecidas 200 vagas para os cursos de gestão da produção e linguagem cinematográfica, que serão realizados no auditório do SEBRAE Jaracaty. Para a Itaqui Energia, o apoio ao projeto é mais uma iniciativa de qualificação profissional da companhia, que já tem parcerias com o SENAI/SESI para treinar 600 pessoas até 2010. Para a empresa, que constrói uma termelétrica no distrito industrial do porto de Itaqui, o Maranhão na Tela amplia as oportunidades de geração de renda e valoriza a cultura local.

O curso de gestão da produção, que acontecerá de 17 a 21 de agosto, vai contar com uma abordagem bastante completa dos temas de leis de incentivo fiscal, formatação de projetos, captação de recursos e prestação de contas, e será ministrado por Antônio Leal, diretor do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema e professor de Formação Executiva em Cinema e TV, da Fundação Getúlio Vargas – FGV. Segundo o professor, “a idéia é permitir que os inscritos consigam viabilizar e gerir projetos de cinema e TV através das leis de incentivo fiscais, com foco na Lei Rouanet”.

Já na segunda semana de curso, de 24 a 28 de agosto, o tema será a linguagem cinematográfica e suas múltiplas possibilidades de abordagem. O curso será ministrado por Maria Camargo, roteirista de cinema e televisão e professora de roteiro da Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Atuando como roteirista desde 2008, seu currículo conta com a roteirização de programas como “Sitio do Pica-Pau amarelo” e “Por Toda Minha Vida”, da Rede Globo, entre outros. O tema é bastante rico e complementar ao conteúdo abordado na primeira semana de curso, já que para viabilizar um projeto, além das etapas relacionadas à produção, é fundamental o domínio da linguagem audiovisual.

Os cursos, que também contam com a parceria da Universidade Virtual do Maranhão / UNIVIMA, serão gratuitos e as inscrições poderão ser realizadas através do site do projeto (http://www.maranhaonatela.com.br/ ) a partir do dia 10 de agosto. Vale destacar que quando forem preenchidas as 200 vagas, o site continuará aceitando inscrições na lista de espera e que, após a solicitação de confirmação da inscrição, as vagas não confirmadas serão disponibilizadas para os que aguardam na lista. “Como a procura é grande, é importante que as vagas sejam de fato confirmadas pelos inscritos, pois quem se inscreve e não comparece está tirando a possibilidade de participação de outra pessoa”, ressalta Mavi Simão, idealizadora do projeto.

SOBRE OS PROFESSORES:

Antonio Leal: é consultor de Incentivos Fiscais à Cultura desde 1993, diretor-executivo do Fórum dos Festivais Audiovisuais Brasileiros, diretor do IBEFEST - Instituto Brasileiros de Estudos de Festivais Audiovisuais, diretor do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema, coordenador do Diagnóstico Setorial dos Festivais Audiovisuais Brasileiros/2008, consultor das Oficinas de Formatação de Projetos da Caravana Petrobras Cultural / Programa Petrobras Cultural, professor do Curso Film & Televison – Formação Executiva em Cinema e TV - Fundação Getúlio Vargas – FGV, membro da Comissão de Seleção do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade / Edição 2009 – IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional / MinC e membro do Conselho Deliberativo da AMI-CTAV – Associação de Amigos do Centro Técnico Audiovisual / MinC.

Maria Camargo: é roteirista de cinema e televisão, formada em cinema pela PUC-RJ, consultora do Laboratório de Roteiros SESC-RIO, professora de roteiro na Escola de Cinema Darcy Ribeiro e associada à AC (Autores de Cinema). Escreve roteiros para cinema e televisão desde 1998, entre eles o “Linha Direta” (1999-2001), a novela infanto- juvenil “Sítio do Pica-pau Amarelo”(2005), baseada na obra de Monteiro Lobato; e o programa “Por toda a minha vida”(2008). Participou também da criação do seriado “Tudo novo de novo”. Desde 2001 atua também como consultora e avaliadora de roteiros para a televisão (TV Globo, 2001-2004) e cinema (Laboratórios Sesc-Rio, 2008; distribuidora Lumiére, 2001-2003). Atualmente, além do trabalho como roteirista, professora de roteiro e consultora, finaliza dois curta-metragens como diretora. Em julho de 2009 publicou, pela editora Companhia das Letras, o livro de ficção “O medo e o mar”.
Site relacionado:
www.maranhaonatela.com.br

Rede Brasil é acusada de piratear filmes e seriados

A Rede Brasil foi acusada pela Associação Antipirataria Cinema e Música (APCM) de exibir filmes e seriados mesmo sem ter os direitos para veiculação.

O canal é transmitido através de canais UHF para várias cidades do país, inclusive para a capital paulista. Em sua programação, além de atrações nacionais comandadas por Celso Russomano e Ney Gonçalves Dias, a emissora exibe vários filmes, desenhos e seriados, como “Arquivo X”, “Lois & Clark”, “Pica-Pau” e até a telenovela mexicana “Rebelde”.

De acordo com a coluna Outro Canal, a APCM notificou a emissora na última semana a pedido da Fox, que diz que a Rede Brasil não tem autorização para exibir os conteúdos produzidos pelo estúdio.

Além da APCM, a MPA, associação formada pelos estúdios americanos, também solicitou ao canal UHF explicações sobre a exibição de séries.

Em entrevista a Folha de S. Paulo, o presidente da Rede Brasil, Marcos Tolentino, disse que a emissora não pirateia seriados e filmes. Segundo ele, o canal comprou os direitos de exibição com empresas que representam os estúdios no Brasil. Uma delas é a brasileira E+ Entretenimento, que adquiriu os seriados através de uma empresa sediada na Ilhas Virgens, tradicional paraíso fiscal. O presidente da E+ confirmou a coluna Outro Canal que cedeu os direitos à Rede Brasil, e se defende informando que nunca teve problemas com direitos autorais.
Comentários do GRTV: em tempos de retomada na produção audiovisual, de canais internacionais sedentos por co-produções brasileiras, não é espantoso ver uma Rede "Brasil" piratear conteúdo estrangeiro???

Canais a cabo buscam produção nacional

Produção nacional é foco do Boomerang

O foco da nova diretora do canal Boomerang para a América Latina, Vicky Zambrano, é a produção nacional. Segundo a executiva, as aquisições continuam a acontecer, mas as produções locais devem crescer, com foco nos segmentos de música, filmes e séries. A primeira série nacional para o canal foi apresentada durante a ABTA 2009. "Temporada de Moda Capricho" foi realizada sem recursos incentivados, em parceria com a Abril. No momento, o Boomerang prepara o piloto de uma nova série.

Vicky lembra que as portas estão abertas para produtoras brasileiras interessadas em fazer projetos em co-produção. Além das séries, a ideia é fortalecer o Boombox, com a participação de outras bandas brasileiras. Fresno e NX Zero já participaram do projeto.
Site relacionado:
http://www.boomerangla.com/portuguese/


Discovery prepara novos episódios de "Rio Ink"

A Discovery prepara de quatro a cinco novos episódios de "Rio Ink", versão brasileira do reality show "Miami Ink", com produção da CaradeCão Filmes. Um episódio piloto foi exibido pelo People & Arts no primeiro semestre do ano. A série é realizada com recursos do artigo 39.

O gerente de programação da Discovery Networks no Brasil conta que além das produções locais, o Discovery exibe produções que tenham apelo para o público brasileiro. A grande aposta para o segundo semestre é o reality show "The Amazing Race", produzido na América Latina, e que conta com duas duplas brasileiras.

Licenciamento

Além de cadernos e mochilas, agora a marca Animal Planet está também no salgadinho Fandangos Eco, da Elma Chips. Segundo a gerente de licenciamento da Discovery, Paula Nass, haverá cards colecionáveis nos pacotes da versão assada do salgadinho. Tela Viva News.
Site relacionado:
www.discoverybrasil.com/

16 agosto 2009

UFRJ organiza Seminário Internacional sobre Televisão

A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) organiza no 25 de agosto, um Seminário Internacional cujo tema é "A TV em transição: tendências de programação no Brasil e no Mundo". O evento será no salão doutrado do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade, localizado à Av. Pasteur, 250, no Campus da Praia Vermelha.
As palestras terão tradução simultânea e a entrada é franca. As inscrições devem ser realizadas no dia e no local.

Veja a programação:

9h – Credenciamento e brunch.
9h45m – Abertura: João Freire Filho
(Coordenação do PPGCOM/UFRJ)

Mesa 1
10h às 13h –
Toby Miller (University of California); Vera França (UFMG); Itania Gomes (UFBA);
Gabriela Borges (Universidade do Algarve).
Moderador: João Freire Filho
(ECO/UFRJ)

Mesa 2
14h45m às 17h45m – Heather Nunn
(Roehampton University); Dana Heller (Old Dominion University); Yvana Fechine
(UFPE); Bruno Campanella (ECO/UFRJ).
Moderador: Denilson Lopes (ECO/UFRJ)

18h às 20h – Coquetel e lançamento da coletânea A TV em Transição:
Tendências de Programação no Brasil e no Mundo (Porto Alegre: Editora Sulina).

Abaixo, segue minibiografia dos participantes do encontro:

Toby MillerProfessor de estudos midiáticos e culturais da University of California, em Riverside. Editor do periódico Television & New Media. Autor e organizador de diversos livros, dentre eles: The well-tempered self: citizenship, culture, and the postmodern subject (The Johns Hopkins UP, 1993); Technologies of truth: cultural citizenship and the popular media (University of Minnesota Press, 1998); The television genre book (British Film Institute, 2001); Television studies (British Film Institute, 2002); Cultural policy (Sage, 2002 – com George Yúdice); Television: critical concepts in cultural and media studies (Routledge, 2003); A companion to film theory (Blackwell, 2004 – com Robert Stam). Publicou, recentemente, Makeover Nation: The United States of Reinvention (Ohio State University Press, 2008) e The contemporary Hollywood reader (Routledge, 2009).

Heather NunnProfessora de estudos midiáticos e culturais e Diretora do Centro de Cinema e Culturas Audiovisuais da Roehampton University, em Londres. É autora, entre outros trabalhos, dos livros Reality TV: realism and revelation (Wallflower Press, 2005) e The tabloid culture reader (Open University Press, 2008). Atualmente, está escrevendo, em parceria com Anita Biressi, o livro Class in contemporary British culture.

Dana HellerProfessora da Old Dominion University, onde dirige o Instituto de Humanidades e o Programa de Graduação. Autora do livro The selling of 9/11: how a national tragedy became a commodity (Nova Iorque: Palgrave Macmillan, 2005) e organizadora das coletâneas The great American makeover: television, history, and nation (Nova Iorque: Palgrave Macmillan, 2006) e Reading makeover television: realties remodelled (Londres: I.B. Tauris, 2007).

Gabriela BorgesMestre e Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com estágios de investigação na Universidade Autónoma de Barcelona e no Trinity College Dublin. Realizou seu pós-doutorado na Universidade do Algarve, em Portugal, onde leciona atualmente como professora convidada. Tem vários artigos publicados em revistas científicas no Brasil e na Europa. Organizou a antologia Discursos e Práticas de Qualidade na Televisão, lançada pela Livros Horizonte; sua tese de doutorado, A poética televisual de Samuel Beckett, será publicada em 2009.

Vera FrançaFormada em Comunicação, com doutorado e pós-doutorado em Sociologia (Université René Descartes e Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales, Paris, França, respectivamente). Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG. Pesquisadora do CNPq, é coordenadora do GRIS (Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade da FAFICH/UFMG). Autora dos livros Jornalismo e vida social – a história amena de um jornal mineiro (1998) e Narrativas televisivas: programas populares na TV (2006).

Itania GomesPesquisadora do CNPq e professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas/UFBA, onde coordena o Grupo de Pesquisa em Análise de Telejornalismo. Realizou pós-doutorado na Université Sorbonne Nouvelle. Autora de Efeito e recepção. A interpretação do processo receptivo em duas tradições de investigação sobre os media (e-papers, 2004). Atualmente (2009-2011), é presidente da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação/Compós.

Yvana FechineJornalista e professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco. É mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Publicou, entre outros trabalhos, Televisão e Presença: uma abordagem semiótica da transmissão direta (Estação das Letras e Cores, 2008). É coautora e editora (com Alexandre Figueirôa) de Guel Arraes, um inventor no audiovisual brasileiro (CEPE, 2008). Com Sebastião Squirra, organizou Televisão digital: desafios para a comunicação (Sulina, 2009) e, juntamente com Ana Claudia de Oliveira, editou Imagens Técnicas, Semiótica da arte e Visualidade, urbanidade, intertextualidade (Hacker, 1998).

Bruno CampanellaMestre em Transnational Communications and the Global Media pelo Goldsmiths College, University of London. Atualmente, é doutorando em Comunicação e Cultura pela ECO/UFRJ. As conclusões preliminares de sua pesquisa sobre o programa Big Brother Brasil foram apresentadas em diversos eventos acadêmicos, como o Colóquio Internacional de Televisão e Realidade, em Salvador (2008); o II EASA Workshop on Media Anthropology: Media Practices and Cultural Producers, em Barcelona (2008); a LSE Media, Communication and Humanity 5th Anniversary Conference, em Londres (2008); e o XVIII Encontro da Compós, em Belo Horizonte (2009).

Festival de animação no Caribe recebe inscrições


Estão abertas até o dia 1º de setembro as inscrições para o Animae Caribe 2009, festival de animação e novas mídias que acontece em Trinidad e Tobago de 30 de setembro a 3 de outubro. Haverá seis mostras competitivas. Serão aceitas inscrições de curtas-metragens produzidos entre 2007 e 2009. O festival terá também oficinas e palestras com profissionais do setor, entre eles, Joan Vogelsang (Toon Boom Animation) y Peter Deluca (Disney Studio).
Mais informações e inscrições no site:
http://www.animaecaribe.com/

14 agosto 2009

History Channel produz sua primeira série nacional

Os canais A&E, Biography Channel e History Channel estão preparando uma série de produções nacionais. Segundo o vice-presidente de marketing dos canais, está em produção o "Detetives da História", primeira série do History Channel com 13 episódios produzida no Brasil, pela Mixer. A atração, que está sendo realizada com um mix de recursos do artigo 39 e do próprio canal, deve estrear em 2010.

Depois da realização de "História Secreta São Paulo", "História Secreta Rio de Janeiro" é a vez de Salvador ganhar um especial. O documentário também será exibido pelo History Channel.

Além destes, o canal Biography Channel deve ganhar quatro biografias de brasileiros: Ayrton Senna e Oscar Niemeyer devem ser os primeiros. Recentemente o canal exibiu a biografia do cartunista Mauricio de Sousa.

Para o canal A&E, a persepectiva é de aumentar o número de shows produzidos localmente.

Regional


Além das novas produções para os canais, há um investimento na área digital, com a realização de mini sites dos principais programas da grade dos canais. Luciana Pavan é a diretora de digital media, responsável pela coordenáção dos sites para o Brasil.

A América Latina ganha novo foco com a criação, há algumas semanas, de um escritório na Argentina focado em produção para a região. Embora todo o planejamento esteja na Argentina, as produções brasileiras continuam a ser realizadas no País.
Da Redação do "Tela Viva News".

Oficinas itinerantes de vídeo no RJ e Itaquaquecetuba

O projeto "Oficinas Itinerantes de Vídeo Tela Brasil" recebe, ao longo dos meses de agosto e setembro, inscrições para mais duas cidades: Rio de Janeiro e Itaquaquecetuba.
A Oficina Tela Brasil oferece ferramentas de criação e expressão por meio do audiovisual. Através de uma introdução às áreas técnicas da produção de vídeo e com equipamentos profissionais oferecidos pelo projeto, os alunos desenvolvem três curtas-metragens em vídeo. É oferecida também uma ajuda de custo para gastos de transporte, além de material de apoio, café da manhã, almoço e lanche.
As inscrições podem ser realizadas no Portal Tela Brasil.

- Rio de Janeiro (RJ)
Período de inscrição: 12 a 26 de
agosto de 2009.
Data das aulas: 12 a 23 de setembro de 2009. Aulas aos
sábados e domingos
das 9h às 18h e de segunda a sexta das 19h às 23h.

- Itaquaquecetuba
(SP)
Período de inscrição: 19
de agosto a 02 de setembro de 2009.
Período de aulas: 19 a 30 de setembro de
2009. Aulas aos sábados e domingos
das 9h às 18h e de segunda a sexta das
19h às 23h. A inscrição e a participação são gratuitas.

Ancine aponta aumento na aprovação de projetos com uso de Artigo 39

A parceria entre produtores independentes e programadores internacionais de TV por assinatura está cada vez mais frutífera. Foram aprovados mais projetos para uso do Artigo 39 da MP 2228/01 no primeiro semestre de 2009 que em todo o ano de 2008. Manoel Rangel, presidente da Ancine, apresentou os números nesta quinta, 13, último dia ABTA 2009. Segundo ele, foram aprovados 11 projetos em 2008, contra 12 no primeiro semestre de 2009. Nestes seis meses foram captados quase R$ 9 milhões com o mecanismo, o que aponta um crescimento em relação à média de captação de R$ 15 milhões ao ano.

Além disso, Rangel apontou que o mecanismo Artigo 3A da Lei do Audiovisual, que permite que canais de TV aberta e por assinatura recolham parte do imposto devido pela compra de direitos no mercado internacionais, já conta com recolhimento, ainda que modesto, se comparado ao Artigo 39. Segundo ele, foram recolhidos no primeiro semestre quase R$ 1,5 milhão, a maior parte derivada de remessas associadas a compras de direitos esportivos e de direitos de filmes estrangeiros. O presidente da Ancine destacou que o mecanismo não é compulsório e foi regulamentado a pouco tempo, portanto nem todas as emissoras abertas e programadoras se prepararam para o recolhimento.

Preservação de direitos

Manoel Rangel voltou a afirmar que está em construção na Ancine uma instrução normativa para regular as relações entre as produtoras independentes. "Produtoras e canais serão convidados a participar deste processo", disse. Segundo Rangel, está na agenda da agência ainda a criação quadros especializados nas atividades de televisão. "Recebemos vários projetos, que sabemos que contam com contratos de gaveta. O produtor mantém os direitos patrimoniais, mas depois vende a preço de banana", disse o presidente da agência.

Rangel diz que sempre há uma relação de prestação de serviço entre produtoras independentes e canais, e disse que esta relação é saudável. "Mas entendemos que não devemos (o Estado) pagar a conta da prestação de serviços", disse.

TV por assinatura

Rangel voltou ainda a afirmar que a penetração da TV por assinatura está muito aquém do desejado para que se tenha uma indústria audiovisual saudável no país. Segundo ele, os preços praticados no país estão entre os mais caros do mundo e há uma oferta pequena de canais dedicados a conteúdos nacionais, assim como há pouco espaço para o conteúdo local nos canais internacionais. Por conta disso, a penetração do serviço no Brasil, embora seja crescente, é pior que em países africanos. Outro ponto negativo em sua opinião é a concentração da base de assinantes em duas operadoras.

Para o presidente da Ancine, estas são distorções que podem ser corrigidas no âmbito das discussões do PL 29, que trata da TV por assinatura e do conteúdo audiovisual. Para Rangel, é "absolutamente possível um jogo do tipo 'ganha-ganha'".

Produção independente

Fernando Dias, presidente da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão (ABPI-TV), que participou do debate com Manoel Rangel, afirmou que a produção independente já provou ao setor de TV por assinatura que tem capacidade de produção. "Agora é o momento do ajuste de parâmetros", disse. O presidente da associação de produtores disse o setor trabalha "pela demanda da TV" e não pela "necessidade de viabilizar projetos pessoais". Justamente por isso, os produtores precisam de uma relação próxima aos canais. Dias cobrou das programadoras uma estrutura profissional de relacionamento com a produção independente, na figura de commissioning editors. O presidente da ABPI-TV, associação que completa dez anos de existência neste mês de agosto, comemorou o resultado da associação e da Ancine para fortalecer o setor, mas fez críticas ao trabalho da agência.

A associação cobrou da Ancine mais agilidade na aprovação de projetos para televisão, destacando que a dinâmica dos canais de TV exige agilidade na produção do conteúdo. "Se eu tenho uma TV ligada ao meu projeto, tenho que ter prioridade na análise", disse. "Esse processo não pode levar mais que 60 dias", completou. Caso contrário, o canal poderia ter que preencher um eventual slot de programação com um conteúdo pronto. "Tem que haver escaninhos diferentes para TV e cinema", disse.

Dias cobrou ainda mais objetividade na análise de projetos. Segundo ele, a agência seria muito subjetiva, vetando a produção de projetos de alguns formatos. "O programa 'Ensaio' (criado por Fernando Faro para a TV Cultura), por exemplo, seria vetado pela agência". Rangel se defendeu afirmando que não há subjetividade na agência. "Acreditamos que o fomento público não deve se destinar a qualquer conteúdo para TV", disse. Rangel disse que toda produção é importante, mas que nem por isso precisa da dinheiro público. "Não acredito que haja amparo legal para financiar alguns tipos de programa".

Dias pediu ainda mudanças na pontuação que as produtoras recebem da agência pelos seus currículos de produção. Esta pontuação determina o volume de recursos públicos que as empresas podem usar. Segundo Dias, muitas vezes uma produtora que tem no acervo um ou dois curtas-metragens é melhor pontuada que uma produtora independente com histórico de produção de várias temporadas de programas para TV, se a produtora não manteve o direito patrimonial da obra. Segundo Rangel, nestes casos as produtoras são apenas peças na engrenagem. Mesmo assim, diz que a agência tem sido flexível. "Não mudamos a classificação das empresas, mas nunca uma produtora foi impedida de produzir e evoluir na pontuação", disse. por Fernando Lauterjung, Tela Viva News.