05 março 2013

'Strip Solidão': curta-metragem revive mito das Amazonas

Os selecionados receberão um retorno da produção, que marcará data e horário para a realização dos testes, a serem feitos na Casa de Cinema do Amazonas, localizada na rua Ferreira Pena, 145, Centro, nos dias 14, 15 e 16 de março

Vencedora do concurso de roteiros do 9° Amazonas Film Festival (AFF), a realizadora de audiovisual Flávia Abtibol iniciará o processo de desenvolvimento do seu curta-metragem, intitulado “Strip Solidão”, pela seleção do elenco. Para participar, os interessados devem preencher uma pequena ficha que estará disponível no endereço eletrônico blogdestripsolidao.blogspot.com e na página no Facebook “Strip Solidão”. Depois disso, até o dia 12 de março, é necessário encaminhar o material para o e-mail contato.stripsolidao@gmail.com, contendo uma foto de rosto e outra de corpo inteiro.
Os selecionados receberão um retorno da produção, que marcará data e horário para a realização dos testes, a serem feitos na Casa de Cinema do Amazonas, localizada na rua Ferreira Pena, 145, Centro, nos dias 14, 15 e 16 de março.
História
O filme “Strip Solidão” é uma livre transposição do mito das Amazonas para os dias atuais. Na trama, as mitológicas guerreiras são simbolizadas pelas prostitutas que habitam as boates da área portuária de Manaus, local habitado por uma atmosfera ora grotesca, ora bela, e por uma dilacerante solidão.
“A trama, pontuada por esperança e desilusão, tem como personagens principais a prostituta Luana, o marítimo Téo e um cineasta estreante. Juntos, os três personagens simbolizam a gênese do mito das Amazonas: Luana é a própria guerreira, o marítimo Téo simboliza o navegador espanhol Francisco de Orellana e o cineasta representa Frei Gaspar de Carvajal, responsável pelo relato de viagem que deu origem ao mito que perdura até hoje”, contou Flávia Abtibol, que assina o roteiro, a direção e a produção executiva.
Este é o primeiro curta de uma trilogia que a jornalista pretende desenvolver, intitulada “Tríade do Descobrimento”. Este primeiro irá enfocar a história sob a ótica da prostituta, o segundo será a versão do marítimo, e o terceiro será o relato contado pelas lentes do cineasta. Cada película terá até 15 minutos de duração.
Estreia
“Este é o meu primeiro filme de ficção, e marca o meu início de interesse por tramas ficcionais, de entender como elas são capazes de construir universos que estão perdidos na nossa vida, nas cidades, nas ruas... Universos que ficam num limbo causado pela vista cansada do dia a dia, pelo vaivém das cidades, nas idas e vindas das pessoas”, informou Flávia.
As cenas serão gravadas no interior de uma boate de strip tease de Manaus. A previsão é que as filmagens iniciem no final do próximo mês. Segundo a idealizadora, a equipe está estreitando parcerias com alguns proprietários que, de antemão, mostraram-se bem “dispostos em contribuir com a cultura amazonense”.
Equipe concentrada
Segundo Flávia Abtibol, responsável pelo curta-metragem “Strip Solidão”, alguns arranjos de produção já foram sendo discutidos desde o dia seguinte à premiação no Amazonas Film Festival (AFF), como locações, figurino e a própria composição da equipe. Os trabalhos, porém, só começaram a ser realizados efetivamente na semana passada, quando ela começou a reunir os integrantes da equipe que moram em Manaus e a estreitar a relação com os demais profissionais que moram em outros Estados.
“A equipe do filme está quase toda formada. São profissionais bem heterogêneos, entre estreantes e profissionais já conhecidos do mercado cinematográfico brasileiro, como o diretor de som Márcio Câmara, de filmes como “Deus é brasileiro” e “Elvis e Madona”, e o diretor de fotografia Emerson Bueno, do filme “400 contra 1”.
Apoio
A direção de arte será assinada pela artista visual e professora do Departamento de Artes da Ufam, Kasmin Carnevali. A produção será de Jalna Gordiano. A produção de elenco está sob a coordenação da atriz Mariana Baldoino, e a preparação dos atores ficará com o professor Luiz Carlos Martins.

02 março 2013

MinC e Secultfor discutem projetos

por Iracema Sales, publicado em Diário do Nordeste

Em passagem pela Capital, representante do Minc fala de projetos culturais para a Copa do Mundo de 2014
Conhecido mundialmente como o país do futebol e do carnaval, o Brasil quer mostrar, justamente durante a Copa de 2014, que essa imagem está sendo, aos poucos, desconstruída. E o palco para exibir esse Brasil múltiplo, rico em atividades culturais, além de patrimônio natural e simbólico, será a “Fifa Fan Fest”, evento que acontecerá em cada uma das 12 cidades que sediarão os jogos do mundial 2014. 

Jeanine Pires, secretária-executiva do Ministério da Cultura (MinC) Foto: Viviane Pinheiro 

“Nosso objetivo é promover o maior festival de cultura que o País já teve”, promete Jeanine Pires, secretária-executiva do Ministério da Cultura (MinC) que participou, ontem, em Fortaleza, às 15h, de reunião com o secretário de Cultura de Fortaleza, Magela Lima, já que cabe a cada cidade à elaboração de sua programação. 

Em seguida, teve encontro com o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio; o secretário especial para a Copa, Domingos Neto; e Magela Lima. 

Fortaleza é a terceira cidade a receber a representante do MinC, que já esteve em São Paulo e Recife para tratar sobre a programação cultural que será organizada pelas 12 cidades-sedes da Copa 2014. A visita tem o objetivo de articular as ações entre o Minc e a Prefeitura de Fortaleza para a elaboração da programação da “Fifa Fan Fest Fortaleza”, evento que acontecerá durante a Copa do Mundo. As visitas que contemplam as seis cidades que participam da Copa das Confederações, que acontece ainda em 2013, devem terminar este mês. 

Para incentivar a participação dos artistas e produtores culturais, tanto de manifestações tradicionais quanto contemporâneas, o MinC vai lançar um edital, marcado para ser divulgado em abril, para ampliar as apresentações que irão compor as “Fifa Fan Fest”. Vale lembrar que a programação do evento inclui cinema, teatro, mostras de arte e apresentações de rua. Jeanine Pires lembra que, no Nordeste, a Copa acontecerá em pleno São João, “ajudando as cidades na elaboração de suas agendas culturais”. Cita, ainda, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas, afirmando que o Ceará foi contemplado com três, entre o total de 44 municípios. São elas: Fortaleza, Aracati e Sobral. Além do PAC dos Centros Unificados das Artes e do Esporte (Ceus) que o Ceará vai contar com 21 unidades, sendo duas em Fortaleza, localizados nos bairros Bom Jardim e na estrada do Ancuri. Cada um custará R$ 3 milhões e contará com área construída de 7 mil metros quadrados. No Brasil, serão construídos 360 equipamentos, cujos recursos são oriundos do Minc, sendo repassado para a Caixa Econômica Federal (CEF) direto para os municípios. 

Dentre os 21 Ceus previstos para o Ceará, 14 estão em obras, sendo o de Barbalha o mais adiantado com 61% da obra concluída. Os espaços variam de 700, 3 mil e 7 mil metros quadrados. O objetivo dos centros é promover a inclusão social através da cultura e do esporte. Vão contar com cinemas, bibliotecas, telecentros para utilização de Internet. “O objetivo é descobrir novos talentos”, afirma Jeanine Pires, acrescentando que os Ceus de Fortaleza ainda não tiveram as licitações publicadas, mas os terrenos estão disponíveis. “A expectativa é de que mais da metade dos centros fiquem prontos neste ano”. Outra novidade, o funcionamento do “Vale Cultura” no segundo semestre. Aprovado e sancionado pela presidente Dilma Rousseff, no ano passado, encontra-se em fase de regulamentação. Trata-se de cartão pré-pago, opcional para as empresas, sendo beneficiado empregados que ganham entre um a cinco salários mínimos. A empresa abate R$ 45 do imposto de renda, sendo vedado a aposentados e funcionários públicos, justificando ficar altíssima a renúncia fiscal. Utilizando os cartões, as pessoas poderão comprar livros, instrumentos musicais e pagar assinatura de revistas. 
“Será uma grande mudança na forma de consumir produtos culturais, porque as pessoas irão escolher”, diz, considerando uma “revolução” para quem produz cultura. 

Festival
Na reunião, Jeanine Pires compartilhou a parceria do Minc na realização das atividades que serão desenvolvidas em 2013 e 2014, como objetivo de promover um “grande festival de cultura no Brasil”. O trabalho não se resume apenas em organizar uma festa para brasileiros e estrangeiros que estejam aqui, acompanhando os jogos. “Existe uma audiência acumulada, estimada em três bilhões de espectadores no mundo e nas cidades-sedes ”, adverte. É preciso mostrar e levar esse conteúdo para o mundo, daí ser necessário mostrar toda a diversidade cultural brasileira, que passa por manifestações tradicionais, preservação do patrimônio e também formas contemporâneas. A qualificação também está nos planos do Minc mediante trabalho com o Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do Ministério da Educação (Mec) oferecendo 57 mil vagas, das quais, 8 mil são específicas para o setor da cultura. São destinados a iluminadores, cenógrafos, figurinistas, entre outras atividades voltadas à cultura. 

Sobre o edital nacional que será lançado em abril, explica que está em fase de conclusão. No entanto, Jeanine Pires disse que não sabe ainda o valor. Vai englobar as áreas de teatro, dança, artesanato, literatura, circo e ações de rua. “A programação é da Cidade”, diz, completando que cabe ao Minc colaborar com a complementação dessa agenda. “A ideia é construir um grande banco”, diz, explicando que cabe ao Ministério a relação direta com a imprensa internacional. Serão imagens e histórias que serão apresentadas e o Minc vai atuar como facilitador do trabalho. A conversa como o prefeito de Fortaleza vai incluir também a programação para a Copa das Confederações. “Cada cidade preparou a sua”. Jeanine Pires chama a atenção para o turismo, afirmando que cada cidade tem a sua particularidade, propondo a elaboração de roteiros que incluam as manifestações culturais. “O que diferencia Fortaleza de Salvador e Cancun é a cultura, representada por seus valores únicos”. Essa essência tem que chegar às pessoas que quando visitam uma cidade querem conhecer as pessoas, como elas vivem, seus aspectos subjetivos.

15 fevereiro 2013

Entrevista com Nelson Rodrigues, por Otto Lara Resende, em 1977

Em entrevista de 1977, exibida pela TV Globo, quando perguntado por Otto Lara Resende sobre sua coragem para dizer e escrever o que pensa, Nelson Rodrigues responde "peço a Deus que nunca me deixe meter a mão na cara de alguém...".

Vale a pena conferir.


Nelson Rodrigues - entrevista com Otto Lara Resende - Parte 1 de 3

Nelson Rodrigues - entrevista com Otto Lara Resende - Parte 2 de 3

Nelson Rodrigues - entrevista com Otto Lara Resende - Parte 3 de 3

12 fevereiro 2013

Entrevista com Marici Salomão (dramaturga e jurada do prêmio Shell)


Marici Salomão é escritora, professora de dramaturgia e jurada do Prêmio Shell. Participa das principais iniciativas paulistas na busca de novos talentos da dramaturgia, como o "Dramaturgias Urgentes" e o Núcleo de Dramaturgia do Sesi-British Council, em São Paulo.

Em entrevista originalmente concedida ao site "Alternativo?" em 2007, Marici tece comentários sobre o teatro alternativo em São Paulo.

Marici Salomão


O que é teatro alternativo pra você?
É um teatro que não se pauta pelo comercial, não depende do mercado para sobreviver, do fato de atrair público. Ele pode estar inserido, mas não depende. Tem também liberdade temática. Ele pode acontecer em qualquer reduto não tradicional. Antes, o teatro alternativo acontecia na região do Bexiga, agora pode acontecer em qualquer lugar.
Não está inserido na grande mídia, não depende disso pra sobreviver. Mas, em alguns casos, a mídia absorveu. No caso do Satyros, pegou tão bem, que a própria grande mídia absorveu. O Satyros não depende da grande mídia, mas está nela. É um alternativo chique. Não é só underground. Alguns ainda não saem na mídia. Podem sair em mídias pequenas, como blogs, o Boca-a-boca, até o caso de vocês, da Bacante.
Você acompanha o teatro alternativo em São Paulo?
Sim, também porque sou jurada do prêmio Shell, então sou obrigada a ver tudo ou quase tudo que está em cartaz. Por ofício e interesse. Na Praça há uma grande gama de tendências e filiações. Peças de diferentes tendências e diversidade de teatros. Há os Satyros, Parlapatões, Teatro X (atual Studio 184). Diferentes tendências no mesmo espaço. Atualmente, teve o Projeto das 7 peças, que foram peças em horários nobres todos os dias da semana. O horário, aliás, é outro fator que também determina o teatro alternativo. Lá, pode-se ver uma peça às 19h, depois outra às 22h30, depois às 24h, a famosa sessão maldita, como tinha os teatros antigamente. O horário também é determinante. Uma peça começar depois das 21h é bem alternativo. O espectador desses horários diferentes também é novo.
Quais grupos você relaciona ao teatro alternativo em São Paulo?
Tem peça Jogando no Quintal – confesso: ainda não fui ver – que é encenada em campos de futebol de bairros da periferia e fora dela. Tem também o Next, o caso da Terça Insana começou alternativo, foi ganhando cada vez mais público e ganhou asas.
Você acha que deixou de ser alternativo?
Será? Eu acho que não. Acho que não perdeu a alma porque foi absorvido. Não é por isso que é menos alternativo. O próprio Satyros não deixa de ser alternativo porque aparece mais na mídia. Agora é super bem divulgado e não é por isso que deixou de ser alternativo. que perdeu a alma. Esse é só um dos fatores do teatro alternativo, os outros continuam. O espaço não convencional, liberdade temática, não depender do mercado. Não é quanto pior for, mais alternativo é. Na verdade, é quanto melhor, melhor. Os espaços da Roosevelt não são convencionais. Teatro alternativo está em espaço alternativo. A ausência do palco italiano, um espaço que dá pra você modificar, fazer teatro de arena, arquibancada, mudar os bancos de lugar… espaços moduláveis. Alternativiza o espaço. Não entra em linguagem convencional. Puta divulgação que têm, mas não está em espaço convencional, não é só pra classe dominante. Pra burguesia. Muitos estudantes de periferia vão assistir peças nos Satyros. Se as pessoas que tem mais dinheiro querem assistir as peças junto, também assistem, mas não são feitas para a burguesia. Há uma gama de diferentes espectadores, de diferentes tipos.
Aula de dramaturgia de Marici Salomão no Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council, datada de 2009.
Entrevista de Marici Salomão para o "Cena 3" (08/01/2013): CLIQUE AQUI

Para conhecer mais do trabalho de Marici Salomão como autora, acesse o site da Coleção Aplauso da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (clique aqui), e baixe o livro "O teatro de Marici Salomão", disponibilizado grátis para download e leitura.

08 fevereiro 2013

Conheça o dramaturgo Franz Kepler, autor de "Camille e Rodin"

Fonte: Letras em Cena - Entrevista de 2011.

Franz Keppler: O Teatro, Para Mim, É Imprescindível!

Ultimamente ele vive entre a criação e a produção teatral. De suas peças, claro! Franz Klepper está feliz da vida de voltar ao teatro com toda a dedicação possível. Para ele, “a recompensa é infinitamente maior do que os percalços do caminho (...)”, no fazer teatral.


Inquieto e observador por natureza, este jornalista trabalhou na área cultural no início da carreira e depois se envolveu com o setor empresarial, mas jamais abandonou o sonho de viver o teatro, “pois tinha a certeza de que um dia estaria de volta, o que está acontecendo agora”. Entre a produção de sua terceira peça, ele nos conta que se descobriu autor quando leu uma crítica de Alberto Guzik, no Jornal da Tarde, cuja manchete dizia: “Um texto forte estragado pela direção”. Detalhe: o diretor era ele. “Nesse dia, concluí: meu caminho é mesmo escrever”.

Conheça um pouco mais sobre este novo dramaturgo que está trilhando seu caminho, entre a alegria da criação, a ansiedade da produção e a consciência de que precisa do teatro para viver melhor.

Franz, você é jornalista da área cultural, está sempre em contato com a classe teatral.
Franz Keppler: Não me considero um jornalista da área cultural especificamente. Meu trabalho em jornalismo esteve ligado à cultura logo que me formei, há quase 20 anos. Na época, escrevia sobre a cena cultural paulista para um jornal de arte e cultura do Rio de Janeiro, que não existe mais. Ainda neste período, escrevi artigos para algumas revistas ao mesmo tempo em que fazia divulgação das peças da Cia. SP-Brasil, formada por atores como Leopoldo Pacheco, Sofia Papo, Cida Almeida etc. Na verdade, vivi intensamente o teatro de 1978 a 89, depois, por caminhos que a vida toma, foquei meu trabalho na comunicação empresarial até o início de 2006, mas sempre acompanhando a produção teatral, pois tinha a certeza de que um dia estaria de volta, o que está acontecendo agora.

Que avaliação faz da atual produção teatral de São Paulo?
Franz: Hoje temos uma produção fértil, diversificada, capaz de atingir todos os tipos de espectadores. Vamos da tragédia ao besteirol como num piscar de olhos e acredito que é assim que tem que ser, desde que seja bem feito, bem escrito, bem encenado.

O que destacaria em nossa cena teatral que poderia ser a nossa identidade?
Franz: Na minha opinião, todas as produções que conseguirem unir humor, poesia e a crítica social com a mesma intensidade.

Como se descobriu autor?
Franz: Foi um processo de descoberta que começou, creio eu, quando criança. Ainda pequeno, inventava histórias que eu e meus primos encenávamos para a família. Depois, este processo continuou na escola, na quinta série. Minha professora de português, Maria Helena Muniz, irmã do escritor Lauro César Muniz, incentivava o teatro de uma maneira apaixonante. Ela organizava concursos, festivais na escola e, um dia, recebi do próprio Lauro um prêmio de melhor ator. Tinha 11 anos e o vi como uma figura mágica. Naquele momento, pensei: “um dia, quero escrever como ele”. Claro que entre o pensamento e a concretização demandou-se um grande tempo, mas tenho certeza de que aquele dia foi decisivo para mim.

Depois, aos 14 anos, entrei para um grupo de teatro da Prefeitura. Naquela época, algumas bibliotecas municipais tinham grupos coordenados por atores como Hilton Have e Marcos Caruso. Fiquei lá por cinco anos, depois participei de montagens amadoras em outros grupos, o que me proporcionou um contato maior com a dramaturgia, pois líamos textos de vários autores e, quando me profissionalizei como ator, escrevi minha primeira peça, “Egos Com Plexos”, encenada no TBC. Recordo-me de uma crítica do Alberto Guzik no Jornal da Tarde, cuja manchete dizia: “Um texto forte estragado pela direção”. Detalhe: o diretor era eu. Nesse dia, concluí: meu caminho é mesmo escrever.


Sempre desejou escrever para o teatro ou aconteceu mais em conseqüência do teu trabalho como jornalista interessado na produção cultural?
Franz: Sempre desejei escrever para o teatro, independentemente do jornalismo. Isso ficou muito claro para mim em 2005. Estava afastado do teatro e a comunicação não era mais suficiente para preencher uma sensação de vazio profissional que me dominava. Foi quando comecei a escrever o “Anjo da Guarda”, e o vazio deu lugar a sentimentos que há muito não sentia. O teatro, para mim, é imprescindível.

Quais são seus autores preferidos?
Franz: É muito difícil responder isso. São tantos e tão bons autores de épocas distintas e das origens mais diversas. Mas ressalto Maria Adelaide Amaral, Nelson Rodrigues, Alcides Nogueira e Caio Fernando Abreu.

O que você acha essencial para um dramaturgo?
Franz: A curiosidade. Aquela que em uma viagem, por exemplo, faz com que você vá além dos pontos turísticos de alguma cidade, mas que te faça querer entender quem são e como vivem as pessoas daquele lugar. Sem esta curiosidade e sem a paixão pelo ser humano, acho que é impossível escrever. Mas, acima de tudo, e aí não falo só para os dramaturgos, mas para os artistas em geral, não deixar que seu ego seja maior do que a própria obra.

Você tem acompanhado muitas mudanças nas produções teatrais, tais como a Lei Rouanet, Lei Mendonça, Programa Municipal de Fomento para a cidade de São Paulo e agora o PAC estadual. Qual sua opinião e avaliação sobre estas políticas?
Franz: Hoje li na Folha de S. Paulo que a Oktoberfest foi autorizada a captar mais de um milhão de reais com os benefícios da Lei Rouanet. É desesperador saber disso. E pior é ter a certeza de que a festa do chope vai conseguir este dinheiro, enquanto que tantos projetos, ainda que tenham o benefício da lei, não conseguem levantar recursos. Por outro lado, temos o Programa de fomento que beneficia trabalhos de grupo, de pesquisam, que são fundamentais. E no meio de tudo isso, contamos com profissionais apaixonados, que continuam resistindo à escassez financeira.

Se fosse convidado a dar uma idéia sobre lei de fomento ou de renúncia fiscal para a produção teatral, o que diria?
Franz: Um pensamento utópico: empresas que tenham um faturamento acima de determinado valor anual, a partir de hoje, fossem obrigadas a investir em cultura e que a porcentagem investida, que seria abatida dos impostos, fosse dividida nos mais diversos projetos e não apenas naqueles que contam com grandes nomes da mídia.

O que mais lhe agrada no “fazer teatral”?
Franz: A união de idéias e pessoas que irão transformar de alguma maneira o espectador. Para mim, esse é o grande sentido do teatro.

Que conselho daria a quem está começando a trilhar os caminhos da dramaturgia?
Franz: Não gosto muito de dar conselhos. Prefiro citar o que eu faço: leio muito, vejo muito teatro, cinema, TV, fico atento a tudo o que acontece ao meu redor... Sou observador demais. Costumo dizer que em qualquer lugar que se vá, você há de encontrar um personagem. Para mim, também é importante participar de ciclos de leituras, ouvir outros textos, pedir opiniões sobre os meus textos, tudo isso me acrescenta. O mais difícil mesmo é controlar a ansiedade, aquela que começa quando você termina um texto e só termina quando você o vê encenado. Isso sim é difícil.

Você disse que está deixando um pouco o jornalismo de fora e se dedicando mais ao teatro, como autor. Gostaria que você comentasse um pouco sobre esta experiência, o caminho para colocar um espetáculo em cena, a rotina de escrever, pensar em produção, criar as dificuldades e as recompensas também, claro.
Franz: Não tenho uma rotina para isso. Mas é engraçada a maneira como acontece comigo: as idéias vão chegando devagarinho, os personagens vão aparecendo e de repente eles começam a falar comigo e aí eu sei que é hora de sentar e escrever. Para mim, esse é o momento que me dá mais prazer. A produção ainda me angustia um pouco. E produzir algo que você escreveu acho mais angustiante ainda. Se me perguntar se eu prefiro somente escrever, minha resposta certamente é sim. Mas no começo tem que correr atrás. No momento estou envolvido com a produção da minha terceira peça, “Nunca Ninguém Me Disse eu Te Amo”, que tem estréia prevista para 18 de agosto no Teatro Augusta. São tantas as coisas e ao mesmo tempo tantas as idéias que vão surgindo para outros textos que tem horas que você quer parar e só escrever. Pra mim, esta é a maior dificuldade. Mas a recompensa é infinitamente maior do que os percalços do caminho, principalmente quando a equipe vai tomando contato com seu texto, se apaixonando por ele e descobrindo tudo aquilo que você quis dizer. É essa união que me referi anteriormente que faz com que tudo valha a pena. 

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Peça 'Camille e Rodin' - Promo on Vimeo


06 fevereiro 2013

FSA seleciona 41 projetos de longas que receberão investimentos de R$ 50 milhões



A Ancine e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE anunciaram o resultado da Chamada Pública PRODECINE 01/2012 (Linha A) do Fundo Setorial do Audiovisual - FSA. Um total de R$ 50 milhões será investido na produção de 41 projetos de longa-metragem (35 filmes de ficção, três documentários e três animações). Foram contempladas 35 produtoras diferentes do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Conheça os projetos selecionados e o valor investido pelo FSA:
  • “Brega Naite”, da Aroma Filmes (R$ 400 mil)
  • “Cataguases”, da Bananeira (R$ 1 milhão)
  • “Deserto”, da Banaeira Filmes (R$ 500 mil)
  • “O Porão”, da Camisa 13 (R$ 800 mil)
  • “No Retrovisor”, da Casé Filmes (R$ 2 milhões)
  • “O Juízo Final”, da Conspiração (R$ 2,5 milhões)
  • “Boa Sorte”, da Conspiração (R$ 1 milhão)
  • “Restô”, da Damasco Filmes (R$ 1 milhão)
  • “As Boas Maneiras”, da Dezenove (R$ 1,5 milhão)
  • “João ou o Milagre das Mãos”, da Filmes do Equador (R$ 3 milhões)
  • “Pureza”, da Gaia Filmes (R$ 2 milhões)
  • “Tô Ryca”, da Glaz (R$ 1,75 milhão)
  • “O Adorador”, da Goritzia (R$ 1 milhão)
  • “O Homem que Matou a Minha Amada Morta”, da Grafo (R$ 450 mil)
  • “Vida de Palhaço”, da Gullane (R$ 3 milhões)
  • “4 X 100”, da Gullane (R$ 1,5 milhão)
  • “Cidade Maravilhosa”, da HB Filmes (R$ 2 milhões)
  • “Todas as Coisas Mais Simples”, da Lacuna Filmes (R$ 600 mil)
  • “Órfãos do Eldorado”, da Matizar (R$ 900 mil)
  • “Doidas e Santas”, da Melodrama (R$ 1,75 milhões)
  • “Linda de Morrer”, da Migdal (R$ 1 milhão)
  • “Ponto Zero”, da Mínima (R$ 400 mil)
  • “Querida Mamãe”, da Moonshot (R$ 1 milhão)
  • “A Pele do Cordeiro”, da O2 (R$ 1,5 milhão)
  • “Exodus”, da O2 (R$ 1 milhão)
  • “Sampa”, da Pulsar (R$ 1 milhão)
  • “D. Pedro II”, da Regina Filmes (R$ 2 milhões)
  • “Galáxias”, da República Pureza (R$ 300 mil)
  • “O Deserto Animado”, da Sincrocine (R$ 1,5 milhão)
  • “Lino”, da Start Desenhos Animados (R$ 1 milhão)
  • “Quatro Histórias e Meia”, da Taiga (R$ 300 mil)
  • “Campo Grande”, da Tambellini (R$ 1 milhão)
  • “A Glória e a Graça”, da Tambellini (R$ 1 milhão)
  • “Barata Ribeiro 716”, da Teatro Ilustre (R$ 1,4 milhão)
  • “Do Fundo do Lago Escuro”, da Teatro Ilustre (R$ 600 mil)
  • “Qualquer Gato Vira-Lata 2”, da Tietê Produções (R$ 1,5 milhão)
  • “O Pergaminho Vermelho”, da Tortuga/44 Toons (R$ 1,5 milhão)
  • “O Fantasista”, da Truq (R$ 1 milhão)“Julio Sumiu”, da TV Zero (R$ 850 mil)
  • “A Memória é um Músculo da Imaginação”, da Videofilmes (R$ 1 milhão)
  • “Terra de Grande Beleza”, da Sertaneja de Cinema (R$ 500 mil)

04 fevereiro 2013

Bráulio Mantovani fala sobre temas essenciais no canal Story Touch

Bráulio Mantovani, nascido em 1963, é considerado um dos melhores roteiristas brasileiros da atualidade, tendo se tornado popular graças ao roteiro do consagrado "Cidade de Deus", dirigido por Fernando Meirelles.
Ele se formou na PUC em "Língua e Literatura Portuguesa", tendo se pós-graduado em Roteiro Cinematográfico pela Universidade de Madri. Começou sua carreira em grupos de teatro e em 1987, passou a escrever roteiros profissionalmente. 
No Brasil, sua carreira despontou para o grande público com o roteiro do curta-metragem "Palace II" (2011), e em seguida "Cidade de Deus" (2002), ambos dirigidos por Fernando Meirelles. Vale lembrar que "Cidade de Deus" foi indicado a quatro Oscar em 2004, incluindo melhor roteiro.

Mantovani também trabalhou em diversas produções de sucesso como "O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias", "Linha de Passe", "Chega de Saudade", "VIPs", "Tropa de Elite" e "Tropa de Elite 2".
Abaixo, trazemos para vocês uma série de entrevistas/aulas de Bráulio Mantovani, divulgados em 2012 pela "Story Touch" em seu canal no Youtube, e que abordam diversos temas essenciais para todo roteirista. Vale a pena assistir! Escolha o tema e clique nos links.


01 fevereiro 2013

Concursos literários são ponto de partida para novos escritores

Fonte: UOL


Aquela redação escrita na sala de aula ou a poesia rabiscada numa noite em claro podem ganhar visibilidade por meio de concursos literários, capazes de dar o pontapé inicial na carreira de quem quer virar escritor.
No ano passado, ao menos 312 concursos de poesias, contos, romances e crônicas foram abertos no Brasil, segundo mapeamento do escritor Rodrigo Domit, 28, criador do blog concursos-literarios.blogspot.com.
"Viabilizar uma obra para um autor iniciante é caro, por isso os concursos são a melhor opção", afirma.

O escritor João Paulo Hergesel, 20, vencedor de diversos concursos de literatura


O escritor João Paulo Hergesel, 20, não pode ouvir falar em concursos literários: seus dedos ficam inquietos e a cabeça vai a milhão.
Nascido em Sorocaba, mas criado em Alumínio, a 79 km de São Paulo, ele já participou de mais de 200 concursos. Ganhou 60 deles.
Como resultado, teve textos publicados em nada menos que 25 antologias. As porcelanas e os porta-retratos que antes decoravam a sala da casa onde mora deram lugar a livros, troféus, certificados e menções honrosas. Prêmios em dinheiro foram três, totalizando R$ 3.500.
Hergesel enfrentou o primeiro concurso aos oito anos, na escola. Aos 15, começou a levar a coisa a sério.
"Percebi que queria mesmo escrever, então fiz o que muitos adolescentes fazem: criei uma comunidade --na época, no Orkut-- e passei a divulgar meus textos. Ver as pessoas comentando e elogiando me incentivou a ir aos concursos", conta.
Resolvida a questão da coragem, o que faltava era idade para concorrer.
"Era uma dificuldade. A maioria dos concursos era para maiores de 18 anos, mas eu não desanimava. Ia atrás dos que permitiam todas as idades. Não tive medo."

PORTUGAL

Antes mesmo de completar a maioridade, o paulista conquistou 25 prêmios, sendo dois em Portugal, na categoria poema.
Mas aquele que considera o mais importante veio quando tinha 19 anos: o primeiro lugar na categoria conto infantojuvenil do Prêmio Sesc de Literatura 2012.
Um dos mais importantes do país, o Prêmio Sesc teve na última edição 1.200 participantes. As inscrições para a próxima edição vão de 1º de junho a 31 de agosto, só para maiores de 18 anos. As obras vencedoras serão publicadas e comercializadas.
Para escrever os textos dos concursos a inspiração do aluminense vem até de madrugada. "Quando não tem papel e caneta por perto anoto tudo no celular", conta. "E se o celular pifar?", pergunto. "Nesses casos, a memória é a única solução! Durante um voo de volta de Brasília, isso me aconteceu: não podia ligar o celular e não tinha papel e nem caneta, então simplesmente registrei no pensamento", conta. A situação lhe rendeu um trecho para um poema: "escrevo no pensamento e quem quiser que me leia pelos olhos".
Quem também viu a carreira deslanchar depois de concursos foi Luisa Geisler, 21.
Nascida em Canoas (RS), ela ganhou o Prêmio Sesc em 2010 na categoria conto, com o livro "Contos de Mentira", e, em 2012, venceu com o romance "Quiçá".
Luisa foi uma dos 20 nomes escolhidos pela celebrada revista literária inglesa "Granta" para a edição "Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros", publicada em 2012.
"Quando você é muito novo, rola preconceito. Os concursos são uma forma de ganhar reconhecimento."
Ela dá um conselho a quem quer entrar nesse meio.
"Perdi vários concursos e isso me desmotivava, mas aprendi que não se pode levá-los tão a sério. É coisa de momento, do jurado que leu seu texto. Perder não é sinal de que a obra é ruim. Uma hora você ganha."

31 janeiro 2013

Conheça Eric-Emmanuel Schmitt, celebrado dramaturgo francês

Todas as pessoas que escrevem ou falam de Schmitt costumam iniciar seus textos ou conversas afirmando que, nos últimos dez anos, ele é o mais lido e aclamado escritor da França.

Eric-Emmanuel Schmitt nasceu no dia 28 de março de 1960, na França. Fez doutorado em filosofia e é considerado um dos maiores especialistas a respeito do escritor e filósofo francês Denis Diderot.

Em 1991, realizou sua primeira peça "La nuit de Valognes" encenada pela Royal Shakespeare Company, o que é não só uma honra, mas uma excepcional maneira de deixar seu nome em evidência.

A peça chamada "Le Visiteur", outra bela obra de Schimitt, é uma história baseada em um diálogo entre Freud e Deus. Em 1994 esta peça rendeu ao escritor 3 prêmios Molières.


Após esses eventos, o autor se tornou febre mundial e resolveu deixar seu trabalho de professor de filosofia na universidade de Savoie para se dedicar a escrever em tempo integral.

Com peças sendo encenadas nas cidades mais importantes do mundo, e tendo os atores mais consagrados disputando entre si para atuar como protagonistas em suas peças, Schmitt não só pode, mas deve ser considerado um dos melhores autores desse século.

Talvez um dos fatos mais interessantes sobre ele é que em pouco mais de 10 anos ele escreveu um número extremamente elevado de obras, incluindo peças, livros (ficção, e não ficção), inclusive roteiros para filme. E por ser um apaixonado por música, ele traduziu uma série de óperas para o idioma francês.

Outro fato sobre ele que deve agradar muito aos diretores de teatro com quem trabalha, é que ele acredita que o ator e o diretor podem conduzir suas idéias, de uma maneira mais eficiente e mais honesta, se tiverem a liberdade de alterar o texto original. Ele acredita que mantendo apenas 20% do texto escrito por ele, e dando ao diretor a liberdade de conduzir a peça e ao ator o direito de encarnar no papel, o espetáculo terá muito mais profundidade. Não é à toa que ele é considerado o mais genial dos autores contemporâneos.





Em uma entrevista, Schmitt afirmou:

"Em parte eu me tornei dramaturgo para poder expressar o que eu realmente sinto, usando o filtro da ficção. Eu preciso que outras pessoas me dêem suas vozes e corpos, eu não consigo me dizer. Os momentos em que estou usando essa máscara, são os momentos em que sou mais sincero".
A lista de prêmios que esse autor ganhou nos últimos 10 anos é imensa e considerada merecida por público e crítica.


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Das obras do autor que tive a oportunidade de ler, destaco: "O Evangelho segundo Pilatos" e a peça "Pequenos crimes conjugais" (que foi traduzida e adaptada por Paulo Autran, e montada no Brasil em 2007, com Maria Fernanda Cândido e Petrônio Gontijo).

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Mais sobre o autor, clique aqui (wikipedia).
Para conhecer o site do autor, clique aqui.

29 janeiro 2013

Robert Mckee critica hegemonia do audiovisual dos EUA


Fonte: UOL - Alberto Pereira Jr.


A pecha de guru dos roteiristas não incomoda Robert McKee, 71.
Autor de “Story” (1997), considerada a bíblia do roteiro, esse americano de Detroit, consultor de grandes estúdios, dedica-se há 30 anos a ensinar como contar boas histórias. “Na TV, no cinema e mesmo na literatura”, elenca, por telefone, do Rio.
Em sua segunda passagem pelo Brasil – a primeira foi em 2010 –, ministrou aulas no Programa Globosat de Desenvolvimento de Roteiristas, que terminou anteontem.
O ciclo foi motivado pela lei nº 12.485/2011, que regulamenta o setor da TV por assinatura e, entre outras medidas, fixa cotas de programação nacional (parte dela de produção independente) nos canais pagos.
Uma segunda edição do curso já está confirmada. Será de 12 a 17 de março, com a presença de Marta Kauffman, criadora de “Friends”, e Anthony Zuiker, produtor-executivo da franquia “C.S.I.”.
“[Essa lei] é ótima, uma maravilha”, avalia o mentor de nomes como Peter Jackson (“O Hobbit”). “O governo está forçando escritores e produtores nacionais a serem sérios e a olharem para seus próprios corações e relacionamentos. O Brasil é enorme: tem 200 milhões de pessoas e muitas subculturas.”

INVASÃO

McKee, cujos alunos já foram reconhecidos com 49 Oscar e 170 Emmy, entre outros prêmios, afirma se preocupar com a invasão da cultura hollywoodiana não só no cinema mas também na televisão mundial.
“A TV americana está em todos os lugares, e isso não é uma coisa boa. Nós precisamos de ótimos contadores de histórias internacionais para humanizar as sociedades em todo o planeta. Se uma sociedade tem o domínio sobre isso, encolhe e empobrece outras culturas”, observa.
Para ele, a produção audiovisual brasileira tem avançado. “Assisti, recentemente, à novela ‘Avenida Brasil’ [da Globo]. Achei encantadora, um material ótimo. Espero que leve a telenovela para outro patamar.”
Segundo o escritor, a TV nacional começou a olhar para as classes mais pobres, num movimento já realizado por filmes como “Cidade de Deus” e “Central do Brasil”. “Finalmente perceberam que a predominância de personagens burgueses ficou chata.”
Mas o que falta para o cinema e os programas de televisão do Brasil se firmarem no exterior?
“Diretores que escrevam roteiros originais. Esse não é um problema só do Brasil. Quando se faz uma adaptação de um romance que originalmente se passa na mente do personagem, e tudo o que se tem é o rosto do ator como expressão do que era a grande literatura, o filme se torna vazio”, diz ele.
Além de palestras e consultorias, Robert McKee tem contrato para mais cinco livros. Hoje, trabalha num tomo sobre personagens –balanceando os conceitos de “Story”– e noutro sobre ação. “Escreverei também sobre histórias de amor, comédias e, se ainda estiver vivo, sobre filmes de horror.”

Globosat investe em roteiristas

Programadora traz ao Brasil Robert McKee no 1º Programa Globosat de Desenvolvimento de Roteiristas; outras iniciativas serão implementadas


A Globosat está promovendo até domingo, 27, o 1º Programa Globosat de Desenvolvimento de Roteiristas, que traz ao Rio de Janeiro o mestre dos roteiros Robert McKee, nome prestigiado em Hollywood. A iniciativa é parte de uma estratégia da programadora das Organizações Globo de investir no mercado audiovisual nacional. No encerramento desta edição do programa, Letícia Muhana, consultora de programação da Globosat e diretora do canal Viva, divulgará a atração da próxima edição que acontecerá ainda neste quadrimestre.

“Com o novo marco regulatório e a atual situação da dinâmica de mercado de pay tv, é quase uma obrigação trazermos uma pessoa como ele para abrir um evento que estamos trabalhando ao longo do primeiro quadrimestre. Como é um programa de roteiristas, nada como um mestre como Mckee para estar aqui dando este kick off”, fala. McKee é o mais prestigiado e requisitado mestre na arte de escrever roteiros em Hollywood. Ele é autor do livro Story, considerado uma bíblia para roteiristas do mundo inteiro. Nos últimos 30 anos, formou milhares de roteiristas, como Peter Jackson, de “O Senhor dos Anéis”, e John Lasseter, de “Wall-E”. Entre as conquistas dos alunos de McKee se destacam 49 Oscars e 170 Emmys.

Para Letícia, a lei 12485 está incitando a Globosat a trabalhar fortemente com a produção independente de ficção e não ficção. “Nada mais oportuno, quase obrigatório, a gente ajudar o mercado de roteiro a se desenvolver, tentando inspirar e, de alguma maneira, contribuir para o treinamento deles. Isso no final das contas será revertido para o próprio mercado e evidentemente pra gente como Globosat e seus canais. É uma forma de estímulo e qualificação do próprio mercado e de seus talentos”, diz.

O seminário, gratuito, está tendo a participação de 250 pessoas, sendo parte delas profissionais da Globo, da Globosat e de produtoras parceiras. “Ficamos surpresos com a procura, só divulgamos no site e foram quase 1200 inscrições para as cem vagas abertas ao público de fora. Nosso programa será um marco para o mercado”, promete a executiva.