30 novembro 2006

Convite Oficial - CONTOS NATALINOS


Amigos,
cá está o convite oficial para o lançamento do livro "Contos Natalinos"! Dentre os autores estão professores, escritores, roteiristas de cinema, publicidade e televisão, membros do GRTV, enfim, 25 contadores de histórias que pretendem brindá-los com um pouco de seu imaginário, às vésperas da maior festa cristã, o NATAL!!
AUTORES PARTICIPANTES
(alguns estão linkados)
Alberto Leôncio
Alexandre Kaup
Alice Betânia Miranda
Amanda Aouad
Antonio Alfredo Matthiesen
Bruno Pessa
Claudine Logrado
Cristina Ruiz
Del Schimmelpfeng
Eduardo Oliva
Fernando Américo
Fernando Watanabe
Gilberto Longo
Jean Cândido
Lelê Teles
Leonardo de Moraes
Luciano Milici
Milton Bernard
Paula Cury
Ricardo Silva
Sandra Villela
Saulo Aride
Solange Castro Neves
Teresa Fazolo
Tiago Feliziani
GRANDE ABRAÇO,
LEONARDO DE MORAES
(Moderador GRTV)

27 novembro 2006

Brasileiras vencem o 1º Concurso "Scriptmakers" de Portugal

Duas brasileiras (ambas associadas do GRTV) venceram o 1º Concurso "Scriptmakers" de Portugal, concebido pela equipe coordenada por Rui Vilhena para encontrar novos talentos da teledramaturgia.

As vencedoras são:
- Cristina Ruiz - com sua obra "O Dom da Vida", na categoria Telenovela;
- Rose Miranda - com sua obra "No meu tempo era diferente", na categoria Série Televisiva.

A equipe "Scriptmakers" foi criada neste 2006 por Rui Vilhena, dramaturgo nascido em Moçambique e que morou durante muitos anos no Brasil.

Há quase 15 anos em Portugal, Vilhena tem sido responsável pelos recentes sucessos da teledramaturgia portuguesa: as novelas "Ninguém como Tu" e "Tempo de Viver", veiculadas pela emissora TVI.

Graças à sua busca por temas polêmicos e cuidado especial com a qualidade de seus textos, a "Scriptmakers" tem garantido o crescento aumento da preferência dos portugueses pelas produções televisivas nacionais.

A equipe da "Scriptmakers" é também composta pelos escritores Celia Caeiro, Joana Jorge, Irina Gomes, Ana Maria Simões, Alexandre Castro e Alexandre Borges, sendo que a autora Celia Caeiro é nossa mais nova associada, abrilhantando os quadros do GRTV.

PARABÉNS aos autores brasileiros que participaram do concurso e PARABÉNS à equipe da "Scriptmakers", que demonstrou estar de portas abertas para a necessária integração Brasil/Portugal na área audiovisual!!!!!

Que outras iniciativas dessa espécie sejam criadas!

Grande abraço a todos,
Leonardo de Moraes
(Moderador GRTV).

07 novembro 2006

PARABÉNS!!! Amanhã (08/11) o GRTV faz seu 1º ano de vida!!!

Amigos,

amanhã o GRTV faz seu primeiro ano de vida!!!
Nestes 365 dias, já contamos com mais de 600 (seiscentos) associados, entre roteiristas profissionais, novatos, estudiosos da televisão, jornalistas e todas as espécies de contadores de histórias.

É com orgulho que comemoro esta data com vocês! Curiosamente, será amanhã que o YAHOO vai modernizar todo o seu sistema, tornando os "resumos diários" e as "mensagens" muito mais fáceis de serem lidos. O GRTV vai ganhar de presente um sistema mais ágil de leitura!

Agradeço a todos que participam ativamente, bem como àqueles que ficam "na espreita", sempre absorvendo e dando seus palpites vez em quando.

O GRTV foi criado com o intuito de reunir semelhantes e estimular o aprendizado de todos. Diferentemente de outros grupos de roteiro, nossa prioridade sempre foi - e continuará sendo - o aprimoramento do roteirista, a divulgação de conhecimento e informações (com nossos famosos "Clippings" semanais) e a formação de uma espécie de "Biblioteca Virtual" de roteiros, sinopses e livros virtuais!

O GRTV é, e continuará sendo, uma espécie de "workshop" virtual constante, onde todo e qualquer roteirista náufrago na Internet poderá encontrar sua tábua da salvação, saber o que deve ler, o que deve estudar, as parcerias que deve formar... e os rumos que certamente irá percorrer!

A vocês todos, PARABÉNS e o meu MUITO OBRIGADO!

LEONARDO DE MORAES
(Proprietário e Moderador GRTV)
http://www.leonardodemoraes.com.br/
http://www.ragazzodifamiglia.zip.net/

06 setembro 2006

TEXTOS DO 2º Concurso GRTV

2º CONCURSO GRTV "Ivani Ribeiro" DE CENAS

Amigos,
estão na disputa do 2º Concurso GRTV ao todo 22 textos, de 22 roteiristas de diversos cantos do país. Aproveitem para ler cada texto, comentar seu conteúdo (na lista do GRTV) e dar aos autores o tão necessário "feedback" de seus trabalhos.

Os três melhores textos serão indicados pela autora e escritora Solange Castro Neves, aumentando ainda mais a emoção de um concurso batizado com o nome da saudosa "Ivani Ribeiro", de quem nossa jurada muito especial foi única colaboradora e co-autora durante mais de uma década.

Para saber mais sobre Solange Castro Neves:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Solange_Castro_Neves
http://www.teledramaturgia1.kit.net/solange.htm

Para facilitar a leitura de todos (participantes e associados do GRTV), abaixo segue a lista dos títulos dos roteiros apresentados e o "link" respectivo. Boa leitura e sintam-se todos a vontade para comentar na lista do GRTV-Yahoo!

Os textos foram publicados SEM IDENTIFICAÇÃO DE AUTORIA. Apenas após a divulgação do resultado (segunda-feira, dia 11/setembro), os nomes serão adicionados à publicação.

BOA LEITURA!!!!

1) “Bodas de Papel”
2) “Tempo”
3) “Acorrentados”
4) “A Caneca de Louça e o Baú de Madeira”
5) “Amor Bandido”
6) “Com todo respeito”
7) “Declaração de Amor”
8) “É... do Brasil!”
9) “Uma Pergunta”
10) “Discussão entre marido e mulher, sobre traição amorosa”
11) “Cotidiano”
12) “A Recompensa”
13) “Alívio Imediato”
14) “Conjugação do verbo acenar!”
15) “Discussão entre Marido e Mulher – Traição Amorosa”
16) “Um tiro no Coração”
17) “A morte do Toquinho”
18) “Tarde para Chorar”
19) “O Cachorro é meu!”
20) “Quem vê cara, não vê coração”
21) “Tudo Bem”
22) “Maria-Fuzil”

Grande abraço a todos,
Leonardo de Moraes
(Pptário e Moderador GRTV)

Roteiro#1 - Bodas de Papel

Bodas de Papel

PERSONAGENS
Arthur – 33 anos, um homem bonito.Exato como as equações,homem de negócios, tem ar de superioridade.
Branca – 30 anos, mulher romântica, inteligente, luta pela independência. Pintora e artista plástica de considerável sucesso.

CENÁRIO
Sala de um apartamento de classe média.

Objetos cênicos:
Quadros contemporâneos pendurados na parede.
Peças de obras de arte.
Muitas dobraduras de papel (barcos, pássaros, flores, por toda sala).
Algumas velas acesas espalhadas pela sala
Mesa com o jantar posto.


Arthur e Branca estão comemorando um ano de casados. Ela prepara um jantar muito especial, tudo para uma noite perfeita se não fosse pela indiferença de Arthur, que sequerlembra da data.
Decepcionada e muito magoada ela acaba confessando que o traiu com seu melhor amigo criando um clima de sofrimento e libertação.

CENA 1. SALA DE ARTHUR E BRANCA / INTERIR / NOITE
ARTHUR ABRE A PORTA DO APARTAMENTO ENCONTRANDO AS LUZES APAGADAS E ALGUMAS VELAS ACESAS ESPALHADAS PELA SALA. CAMINHA DEVAGAR TATEANDOE PROCURANDO A TOMADA.

ARTHUR :(NORMA)
_ Meu Deus, o que está acontecendo aqui? (T) Ih! Já sei, a distraída da Branca deve ter esquecido de pagar a conta de luz. Também pudera, vive no mundo da lua, transpira arte, só pensa em cor e forma...

ARTHUR ACHA A TOMADA, ACENDE A LUZ E DÁ DE CARA COM BRANCA COM OS BRAÇOS CRUZADOS ENCOSTADA NA PAREDE.

BRANCA: (ÁSPERA/CÍNICA)
_ Por que será que você não entende o óbvio? Nossa quanta oquidão.

ARTHUR:(SEM SABER O QUE ESTÁ ACONTECENDO)
_ O que é isso ? Você aí parada no escuro toda agressiva ?(CÍNICO) Ah, já sei como é Mesmo este estado que você se encontra. (T) lembrei (PAUSADAMENTE) T.P.M.

BRANCA:(MEIO IRRITADA E IRÔNICA)
_ T.P.M.? A única coisa que você consegue lembrar de mim é dá T.P.M.? Ah,já sei! É porque na minha T.P.M., queeu falo tudo que penso de você.

ARTHUR:(CONSTRANGIDO)
_ Espera aí : Jantar à luz deVelas, o que são esses papéis dobradinhos ?.


BRANCA:( IRRITADA E DECEPCIONADA )
_ Não, nada em especial. É que eu acordei com vontade de explodir e fiz esse jantarzinho para gente. Aliás,eu estou explodindo por dentro faz tempo. Estou explodindo de carência,de solidão, de insatisfação. (T) E você não consegue nem perceber o que acontece comigo !. Sinceramente, eu não sei se você é cego ou é burro.

ARTHUR:(CONFUSO)
_ O que está acontecendo com você? Cego ? burro ? O queé, você enlouqueceu ?

BRANCA:( GRITANDO )
_ Eu te traí...

ARTHUR: (INDIFERENTE)
_ Deixa de besteira, Você não tem perfil de mulher que trai. Se bem que não sei o perfil de uma mulher que trai, mas tenho certeza que não é o seu. Eu sempre fui seu grande amor.
BRANCA:( BAIXINHO )
_ Grande amor? Sua autoconfiança, não te deixa enxergar um palmo a frente do seu nariz.

ARTHUR:(CHEIO DE SI)
_ Por que, não sou o grande amor da sua vida ? O grande não, o único, eu tenho certeza disso. Agora meu amor,vamos jantar vai. Vamos deixar essa discussão pra lá.

BRANCA:( NERVOSA )
_ Deixar pra lá ? Jantar ? Agora quero ir até o fim e nãovai mais ter jantar.Passei o dia preparando o seu prato predileto, fazendo essas dobraduras de papel. Sabe por que fiz essas dobraduras ?Claro que não sabe,é porque se comemora um ano de casado combodas de papel.(T) No fundo sempre quis salvar nossa relação. Mas é bom ver toda sua indiferença com meus sentimentos. É bom porque assim o meu remorso vai se esvaindo como água que se escorre ralo abaixo.(T) Quer saber por que sinto remorso ? (ESCORRENDO PELA PAREDE E SENTANDO NO CHÃO, MUITO EMOCIONADA) Por que te traí com o Marcos. (T) Pois é, o Marcos seu melhor amigo, seu amigo de infância.

ARTHUR:( DESACREDITADO)
_ Como é que você coloca alguém que já morreunessa sua vingança pessoal? Sem falar na crueldade. O que você quer ? Lançar a sementinha da dúvida na minha cabeça ? Com meu melhor amigo que nem está mais entre nós para se defender? .

BRANCA
_ Ele não se defenderia, sabe por quê ? Porque ele era um homem de verdade. Sabe que ele nunca esqueceu uma data ? Comemoramos tudo antes dele morrer. (SE ABRAÇA) Como sinto falta dele!! Ele foi o oxigênio para que eu suportasse toda essa sua ambição, toda sua indiferença (T) não foi só uma traição , foi uma fuga para o meu sofrimento e um resgate para minha alma. E saiba que sou feliz por ter vivido tudo isso.
(PEGA UMA DAS DOBRADURAS E COMEÇA A DESFAZER)
Está vendo esta dobradura?
Agora que eu desmanchei é só uma folha em branco, toda marcada pelas dobras. Assim é o nosso casamento, como uma folha em branco, sem história e por mais que desfaçamos os maus entendidos , as marcas jamais serão esquecidas.

ARTHUR TAMBÉM ESCORREGA PELA PAREDE SENTANDO NO CHÃO, COMO SE UM TRATOR TIVESSE PASSADO POR ELE.


*** FIM ***

Roteiro#2 - Tempo

“TEMPO”

PERSONAGENS:
Mauro - Homem de estatura média, músculos bem delineados, cabelos claros, barba por fazer. Administrador de empresas. Gênio forte.
Márcia – Mulher de estatura média, funcionária pública. Sensível, medrosa.

CENÁRIO
Casa de Mauro: apartamento de classe média. Dois quartos.
Banheiro: Amplo, com um grande espelho na pia.
Sala: Ventilada, com um bar, som, dois sofás, televisão.
Quarto: Cama de casal, guarda-roupas, ventilador de teto.

Objetos Cênicos:
Copo de Uísque
Som
CD
Sapato de bebê


Cena 1. INT - BANHEIRO - NOITE
Banheiro amplo, mal iluminado, pia larga, espelho grande cobrindo a parede onde fica a pia, alguns objetos comuns ao banheiro de um homem solteiro e um copo de uísque pela metade do lado direito da pia. MAURO, vestido apenas com uma bermuda, descalço, está parado em frente ao espelho, analisa os cabelos, os olhos.

MAURO
Devo mesmo estar ficando velho...

Lava o rosto, não enxuga. Olha-se de novo no espelho.

MAURO
Márcia, Márcia... Por que você fez isso?

Pega uma tolha, abre o chuveiro. Expressão cansada e pensativa. Ouve-se o toque da campainha. A campainha insiste, Mauro desliga o chuveiro irritado. Joga a toalha na pia.


Cena 2. INT - SALA DE ESTAR - NOITE
Sala de estar típica de apartamento da classe média-alta, em uma das paredes encontra-se um bar, no fundo do bar encontra-se o aparelho de som (será utilizado em cena) e alguns CDs. Mauro continua com a mesma bermuda e descalço, mas agora veste uma camisa de malha, acaba de abrir a porta. Márcia entra na sala. Ela está visivelmente triste. Mauro está com o copo de uísque na mão e mostra-se aborrecido com sua presença. Vira-se em direção ao bar para completar a dose, dando as costas a Márcia que fica parada ao lado da televisão.

MAURO
Pensei que tivesse dito para você nunca mais me procurar.

Márcia se aproxima do bar, mãos tremulas, não tem coragem de tocá-lo.

MÁRCIA
Mauro, nós precisamos conversar.

Mauro vira-se abruptamente, olhar de ódio.

MAURO
Conversar o que? Vai querer me explicar o que aconteceu?!

Vira-se novamente para o bar, bebe um grande gole do uísque.

MAURO
Não tem explicação, compreende? Não tem, jamais irei lhe perdoar. (grita) Jamais!! Esqueça que eu existo.

MÁRCIA
Calma, por favor. Eu tive os meus motivos.

MAURO
Motivos?! Que motivos?!

Empurra-a com uma das mãos, anda até o centro da sala e deixa-se cair em um dos sofás.

MAURO
Acha que eu merecia aquilo?!

Márcia continua ao lado do bar, vai se aproximando lentamente enquanto fala.

MÁRCIA
Ninguém merece nada, entenda. Mas eu me senti sozinha, você só pensava em seu trabalho. Não quis nem conversar. (pausa) Mauro, por favor, não precisa terminar assim.

Mauro levanta-se do sofá em direção a Márcia que já está na mesa de centro.

MAURO
Foi você quem escolheu, mulher. Foi você quem escolheu.

Pega-a pelo braço, e a conduz até a porta da rua, enquanto ela tenta protestar e se livrar de sua mão.

MÁRCIA
Mauro, por favor, tente compreender.

MAURO
Chega, porra.

Abre a porta e a solta no hall do elevador. Ela ainda tenta se recompor e segurar a porta para ser ouvida.

MÁRCIA
Tente compreender, eu não tive culpa.

Mais forte, Mauro consegue fechar a porta. Márcia ainda tenta protestar, tocando a campainha sem resultados. Começa, então, a dar murros e pontapés na porta. Mauro volta ao bar, liga o som em um alto volume para abafar os gritos de Márcia e fica sentado no banco do bar, ar pensativo, bebendo o uísque.

Cena 3. INT - QUARTO - NOITE
Mauro deitado na cama, olhando para o teto. Lágrimas correm do seu rosto. Em uma de suas mãos está um sapato de bebê. Ele coloca os dois dedos dentro de cada sapato e fica “andando” por sua barriga.

MAURO (em off)
O meu coração não mais ouvira seus apelos. Só o tempo pode abafar seu amor. Ou o que você chamou disso. Amor vazio, vazio como esse teto, vazio como minha mente longe de ti... Márcia... Agora tenho todo tempo do mundo.

Cena 4. EXT - RUA – NOITE – EDITADA EM PARALELO COM A ANTERIOR
Cena editada em paralelo com a anterior. Márcia sai do prédio. Enxuga as lágrimas. Atravessa a rua e começa a andar pelo calçadão da praia. O vento bate em seu rosto. Vai andando pela orla, cabeça baixa. Mãos trêmulas acariciam a barriga. Detalhe nesse gesto.

FIM

Roteiro#3 - Acorrentados

ACORRENTADOS

PERSONAGENS
LUCIA- advogada, 35 anos, viúva. Mata o noivo (Léo) no dia do seu casamento e não consegue mais se libertar deste fantasma. Sua fisionomia é de cansaço, de desânimo. Ela deve expressar a idéia de uma pessoa que vive apenas por viver, sem perspectivas, sonhos ou objetivos.
Lucia estará com o mesmo vestido de noiva do dia do casamento, mas a roupa está toda rasgada, desbotada e com marcas de sangue acumuladas pelo tempo. Os cabelos são mau tratados. A imagem é de muita fragilidade.

LEONARDO (LÉO)- empresário, 36 anos, morto pela noiva (Lucia) no dia do casamento. Apesar de ser um fantasma das lembranças de Lucia aparece para ela com a mesma imagem que tinha no dia do casamento, por isso, seu terno preto estará rasgado por causa da luta antes da morte.
Seu comportamento deve ser o de uma pessoa revoltada e com muito ódio.

CENÁRIO
Apartamento de classe média. A imagem que deve ser passada ao público é que o local passou por uma guerra, pois toda a mobília do apartamento está quebrada ou espalhada pelo chão, pelas poltronas e demais cômodos da casa.

OBJETOS CÊNICOS
Os atores contracenarão durante toda cena apenas na sala de estar. Esta, por sua vez, terá apenas duas cadeiras de madeiras intactas, as únicas que restaram no apartamento. As cadeiras devem estar estrategicamente colocadas uma de frente para a outra, separadas apenas por ramalhetes de flores que estarão espalhadas por todo apartamento, assim como caixas e presentes do casamento. Lucia não se desgrudará de um buquê de flores do campo murchas.


CENA 1- SALA DO APARTAMENTO LÚCIA/LÉO/INTERIOR/NOITE
A cena inicia-se com Lúcia e Léo sentados um de frente para o outro. Lúcia está com o olhar perdido e segura um buquê de flores no colo. Léo está com a cabeça baixa. Toca uma música estilo Enya que com o início da fala de Lúcia deve ficar apenas como som de ambiente, sem interferir na fala dos atores.


LUCIA- Até quando?

LÉO- (irônico) Até quando o quê?

LUCIA- Até quando vamos ficar aprisionados neste lugar?

LÉO- (com raiva)- Foi você quem nos colocou aqui. A culpa por tudo o que aconteceu é sua, tão somente sua, de mais ninguém!!

LÚCIA- (com voz de choro)- Eu não queria nada disso. Eu não planejei nada. Foi um acidente.

LÉO- Não seja hipócrita (gritando). Você tem noção do que fez com a minha vida? Você destruiu todos os meus sonhos, interrompeu o meu futuro. Por quê? Eu só me pergunto o porquê de tanto ódio?

LUCIA- (o choro é mais intenso)- Não fala assim. Pelo amor de Deus. Não me faça sentir mais culpada do que eu já estou. (levantando-se da cadeira. Ela circula por todo o cômodo como se quisesse vê-lo e leva junto o buquê). Léo, se eu pudesse voltar o tempo...Eu..nunca senti ódio de você. Mas eu também não sentia amor.

LÉO (explodindo)- Cala a boca sua maldita. Não me faça sentir mais ódio de você. Na verdade, o que sinto não é ódio. È pena!!. Você destruiu a minha vida, mas também destruiu a sua.

LUCIA- Isso me atormenta todos os dias. È por isso que não consigo sair deste apartamento. Estou presa neste lugar. Tenho medo de sair nas ruas e das pessoas me apontarem.

LEO- E o que você gostariam que elas fizessem? Você matou um homem inocente sem ele nunca ter feito nada contra você.

LUCIA- Desde que você se foi eu nunca mais consegui vê-lo. Mas a sua voz, a sua presença não me deixam em paz. Eu não consigo dormir, não consigo comer. Eu também não vivo mais Léo. Minha alma vaga como a sua. Apenas o meu corpo físico está aqui..

LÉO- E você queria o que? (levanta-se e circula ao redor dela). Este é o preço do seu castigo. O preço que você terá que pagar até ir para o inferno que é o lugar de assassinos como você.

LUCIA- (O grito e o choro devem ficar evidentes nesta fala) - Não fale assim Léo. Eu preciso mais do que nunca do seu perdão. Eu preciso de um pouco de paz. Já faz três anos que estou presa neste lugar.

LÉO- Nunca Lucia ( com raiva). Nunca vou perdoá-la e você nunca terá paz na sua vida. Eu tinha muitos planos, sabe? (irônico). Eu sonhava com o nosso casamento para poder ser feliz, para me libertar de muitas coisas.

LUCIA- Eu tive medo Léo. Medo de que todos soubessem da verdade.

LÉO- Não seja ingênua Lúcia. Essa verdade que você quis esconder do mundo sempre esteve exposta aos olhos das pessoas. O mundo é cruel com pessoas que fogem dos padrões.

LUCIA- (nervosa). Quer dizer que você sempre soube?

LEO- Sempre Lúcia. Mas eu tinha pena de você. Queria apenas ajudà-la.

LUCIA- Se você sempre soube por quê nunca me contou?

LÉO- (ele volta a sentar-se na cadeira. Ela também senta-se de novo). Porque talvez este também fosse o meu maior segredo.

LUCIA.. (espantada) Você também é?.

LÉO- Sim Lucia. Assim como você, eu também sou gay. A única diferença é que gosto de homem e você de mulher. Eu também sempre escondi esse segredo de todos e achei que me casando com uma pessoa igual a mim que juntos poderíamos viver uma vida feliz. Cada um com o seu namorado. Este seria o nosso segredo. O nosso pacto. Mas.você não me deu chances de viver este sonho.

LUCIA- Meu Deus. (arrependida)...Eu nunca imaginei isso...Se eu a menos desconfiasse...

LEO- Daí você não teria me matado não é?. Mas não foi assim que aconteceu. Hoje estou morto, distante do homem que amo e você se tornou a minha sombra. Vive atormentada pelas lembranças, com medo do próprio passado e sem poder viver o seu presente. Sem poder sonhar com um futuro. Me sinto vingado por isso.

LUCIA- Não!! (nervcsa). Eu não posso acreditar nisso. Dói demais saber que eu matei você por medo de ser descoberta e que você sempre soube de toda a verdade. Que você era igual a mim, que você não me culparia por ser diferente do resto das pessoas.(choro com dor).

LEO- Resta agora a você Lúcia, a nós dois, apenas nos acostumarmos com as correntes dos nossos destinos. Você atormentada por ser uma assassina e eu um fantasma que não consegue se desprender desse mundo. Eternamente infelizes. Eternamente juntos, como sempre desejei....

Neste momento a música deve ser mais intensa e os dois se aproximam. Mesmo sem poder vê-lo, Lúcia tem a sensação de estar protegida por ele. Léo se aproxima de Lúcia e a abraça por trás. Desta vez, a fisionomia de Lucia é de alívio e ao mesmo tempo de paz. Os dois fecham os olhos e ela deixa cair o buquê no chão.

FIM

Roteiro#4 - A caneca de louça e o baú de madeira

A CANECA DE LOUÇA E O BAÚ DE MADEIRA


PERSONAGENS
Roberto – 50 anos,advogado,boa aparência,jovial.
Leonor – 48 anos,dona de casa,de aspecto decadente

CENÁRIO
Apartamento de classe média, desocupado recentemente, sem armários ou luminárias.

Objetos cênicos:
Um baú grande de madeira escura e uma caneca de louça tipo souvenir,com a foto de Roberto e Leonor,mais jovens e gravado:Felizes Para Sempre-1972.Caixas de papelão e jornais velhos.


INT.APTO.DE ROBERTO E LEONOR-SALA/NOITE
Sala de um apartamento de classe média.O cômodo está vazio, a exceção de um enorme BAÚ DE MADEIRA, desses bem antigos, semelhantes a uma arca.A sala é iluminada por LÂMPADA fraca pendurada por um fio.Uma janela grande no fim da sala está entreaberta.PAPELÕES, JORNAIS VELHOS E CAIXAS de todos os tamanhos, estão espalhados pela sala.

LEONOR, 48 anos, cabelos castanhos escuros, com a raiz branca começando a aparecer e um pouco acima do peso, está sentada em cima do baú com as pernas cruzadas.Ela usa uma CALÇA JEANS surrada e uma CAMISA AZUL ESCURA grande, usada por fora da calça.
Leonor tem nas mãos uma CANECA DE LOUÇA
PD-DA CANECA-com a foto de Leonor e Roberto e os dizeres: Roberto e Leonor: Felizes para Sempre-1972.

VOLTA A CENA

LEONOR
Tão magra, tão feliz e tão iludida.

Close-up-do olhar de Leonor percorrendo a sala vazia.

VOLTA A CENA

BARULHO DE MOTOR DE CARRO
Leonor, deixa a caneca em cima do baú e vai até a janela:
POV LEONOR
Um homem (ROBERTO) salta do carro e nervosamente olha ao redor.

VOLTA A CENA

LEONOR
(sorrindo)
Pontual como sempre.

Roberto ENTRA na sala recuando um pouco diante da escuridão quase total.Roberto possui um aspecto simpático e jovial.

ROBERTO
Leonor?Você tá aí?

Leonor caminha em direção a Roberto.

LEONOR
Aqui.

Leonor oferece a face para ser beijada, mas Roberto hesita.Ele olha ao redor desconfiado.

ROBERTO
Por que você me chamou aqui?Não posso me demorar.Tenho que ir para o aeroporto.

Leonor mete a mão no bolso traseiro do jeans e retira uma CARTEIRA DE CIGARROS, apanha um cigarro bastante amassado e coloca na boca.

LEONOR
Tem fogo?

Leonor sorri maliciosa

ROBERTO
Você sabe que eu não fumo e detesto cheiro de cigarro.

LEONOR
(riscando um fósforo)
Mas ela fuma, não é mesmo?O cigarro dela é perfumado por acaso?

ROBERTO
Não comece Leonor.Não quero falar sobre isso.

LEONOR
(acendendo o cigarro)
Claro que não quer.Por que você se importaria com o cheiro do cigarro da sua amante, não é mesmo?

Leonor dá uma longa tragada, se aproxima de Roberto e sopra a fumaça no rosto dele, falando ao mesmo tempo.

LEONOR
Amantes são sempre tão perfeitas.Arrumadas, sem preocupações com filhos, casa, empregadas e o melhor de tudo:

Leonor levanta um pouco a blusa e acaricia seu sexo.

LEONOR (cont.).
Sempre prontas pra foder.Verdadeiras máquinas de trepar.

Roberto se afasta de Leonor e senta no baú, apanha a caneca e olha para ela com indiferença.

ROBERTO
Detesto quando você é vulgar e ultimamente

LEONOR
Desde de que você começou esse seu casinho com aquela vagabunda que você detesta tudo em mim.

Leonor se aproxima, apanha a caneca das mãos de Roberto e corre o dedo pela superfície do baú.

LEONOR
Esse baú e essa caneca são as únicas coisas que vou levar dos nossos 34 anos decasamento.

Leonor dá uma risada sarcástica.

LEONOR
Além de um belo par de chifres, naturalmente.Mas quem se importa?

Roberto levanta e olha firmemente para Leonor.

ROBERTO
Você torna tudo tão sujo.Eu me apaixonei.E se você não tem nada para me dizer então

Leonor dá uma última tragada, joga o cigarro no chão e amassa-o com pé demoradamente.
Roberto anda de um lado a outro da sala, vai até a janela, debruçando-se sobre o parapeito.

ROBERTO
Eu preciso ir.

Leonor se aproxima de Roberto pelas costas, suas mãos percorrem a base da espinha dele.

LEONOR
Eu quero fazer amor pela última vez com você.Pode ser no chão ou quem sabe ali

Leonor faz um gesto com a cabeça em direção ao baú de madeira.

ROBERTO
Pare com isso Leonor,eu não quero magoar você.

Leonor crava as unhas com força nas costas de Roberto.Ele grita.

ROBERTO
Você enlouqueceu?

LEONOR(sussurrando)
Mágoa?Eu sei tudo sobre esse sentimento.
Aprendi na prática.Volte para mim.

Roberto olha para Leonor e ela recua diante do seu olhar.

ROBERTO
Eu nunca vou voltar pra você.Nunca!
Acabou Leonor.Reconstrua a sua vida.Eu vou reconstruir a minha

LEONOR
(interrompendo)
Como você pode me trocar por aquela piranha?Eu sou a mãe de seus filhos e ela é apenas uma puta.

Leonor avança em direção a Roberto e começa a bater nele com força.

LEONOR (cont.).
Puta, rapariga, prostituta!

Roberto dá um empurrão em Leonor que desequilibra e cai.
Roberto se aproxima, abaixa-se, preocupado.

ROBERTO
Eu só quero ser feliz Leonor.E quero sinceramente que você seja feliz também.

LEONOR
Minha felicidade acabou no dia em que você foi embora.Tudo, agora, está tão escuro, sempre tão escuro.

Roberto vai até a porta, olha com tristeza para Leonor sentada no chão.Leonor olha para ele.

Roberto SAI da sala.

Leonor levanta.Suas roupas, seu rosto e seu cabelo estão cobertos de poeira.

CLOSE-UP – do rosto de Leonor sorrindo

VOLTA A CENA

Leonor abre o baú

POV LEONOR
Dentro do baú estão um cadáver de mulher coberto de sangue, uma maleta de viagem, uma faca suja de sangue e um frasco contendo um líquido amarelo.
CORTA PARA


EXT.APTO.PORTA-LOGO DEPOIS
Leonor encosta-se à porta, de olhos fechados, nas mãos a caneca de louça.
SOM DA PORTA DO ELEVADOR SE ABRINDO
CLOSE-UP –rosto de Leonor chorando- as lágrimas escorrendo pelo rosto sujo de poeira.
CLOSE-UP da fumaça saindo por debaixo da porta.
Leonor limpa o rosto com as mãos e ENTRA no elevador.

FADE OUT

FIM

Roteiro#5 - Amor Bandido

AMOR BANDIDO

PERSONAGENS
Vera – 38 anos. Esposa de Jorge. Executiva de uma empresa do segmento de construção civil. Trai o marido ao envolver-se com um colega de trabalho.
Jorge – 45 anos. Cientista. Marido de Vera. Sente-se intensamente decepcionado ao constatar que fora traído após vários anos de casamento.
Carlos – 40 anos. Amante de Vera. Engenheiro civil.


CENÁRIO
Apartamento de classe média. Deve conter porta de entrada, e janela ampla para a rua.

Objetos cênicos:
Uma camionete cinza;
Um sofá;
Um bar (deve estar equipado com garrafas, copos, etc..)
Uma mesa de centro (deve conter porta-retratos com fotografias de Jorge e Vera, e também do filho de ambos, menino entre 7 a 8 anos).

CENA 1. FRENTE DO PRÉDIO, ONDE MORAM JORGE E VERA. INT/MADRUGADA
RUA DESERTA. UMA CAMIONETE ESTACIONA, E JORGE, ATRAVÉS DA JANELA DE SEU APARTAMENTO, OBSERVA O MOVIMENTO. JORGE, TENSO, BEBE. VERA SAI DA CAMIONETE E DESLOCA-SE ATÉ A FACHADA DO PRÉDIO. REPENTINAMENTE, CARLOS SAI DE DENTRO DO CARRO COM A BOLSA DE VERA NAS MÃOS.

CARLOS
(GRITA)
Vera, Vera.

VERA, QUE ESTÁ DE COSTAS PARA CARLOS, VIRA-SE.

VERA
Você enlouqueceu?

CARLOS
A sua bolsa.

VERA
Quanta distração!

VERA PEGA A BOLSA E CARLOS, IMPULSIVAMENTE, DÁ UM DEMORADO BEIJO NA BOCA DA AMANTE. JORGE, QUE PERMANECE EM FRENTE À JANELA, LEVA UM CHOQUE, TRAGANDO TODO O UÍSQUE EM UM SÓ GOLE. APREENSIVA, VERA CESSA o BEIJO.

VERA
Acho que perdi a cabeça.

CARLOS
Eu não resisti ao seu charme.

VERA
Nunca mais faça isso.

CORTA PARA:

CENA 2. SALA DO APARTAMENTO DE VERA E JORGE. INT/MADRUGADA
NERVOSO, JORGE DIRIGE-SE ATÉ O BAR, ONDE SERVE-SE DE UÍSQUE. VERA CHEGA CANTANDO TRANSAS (MÚSICA INTERPRETADA POR RITCHIE). ELA FICA SURPRESA.

VERA
Ainda acordado, meu amor?

JORGE
Você sabe que horas são?

VERA
(COMPORTA-SE NATURALMENTE)
Trabalho, querido. A empresa tá fechando um novo contrato.

JORGE
Mais uma reunião noturna?

VERA
Foi. Que mal há nisso?

JORGE
O Carlos participou dessa reunião?

VERA
Você tá sendo infantil. O meu relacionamento com o Carlos é estritamente profissional.

JORGE
(IRÔNICO)
O beijo que o Carlos te deu há poucos minutos atrás, aqui na frente do prédio, também foi profissional?

VERA FICA SEM PALAVRAS. SENTA-SE NO SOFÁ.

VERA
Você tá brincando comigo.

JORGE
Mas você é muito cínica mesmo. Nem nosso filho, que dorme como um anjo inocente, você respeita.

VERA
Beijei sim, não nego, mas foi um beijo de amizade, de coleguismo, nada mais.

JORGE
(EXTREMAMENTE IRRITADO)
Cala essa boca. Chega da tanta mentira. Eu tô com muito nojo de você, Vera.

VERA LEVANTA-SE DO SOFÁ E BAIXA A CABEÇA.

VERA
Eu não tenho culpa se me apaixonei por um outro homem.

JORGE
(MAIS CALMO)
Como fui um idiota. Desconfiei, mas nunca imaginei.

VERA
Não sei como é que aconteceu. Acho que convivi muito com o Carlos nesse último ano.

JORGE
Não te dei amor suficiente? Foi falta de sexo?

VERA
(INTROSPECTIVA, ENCARA O MARIDO)
Eu nunca deixei de te amar, mas os meus sentimentos em relação a você foram se transformando com o passar dos anos: eu comecei a te enxergar mais como um pai, um irmão mais velho. Aquele tesão que eu tinha por você foi dando lugar a amizade, a cumplicidade, e o Carlos, ah, deixa pra lá.

JORGE
Seja sincera comigo, pelo menos uma vez na vida.

VERA
O Carlos me despertou desejo, me reacendeu. Eu me sento amada.

JORGE
Você quer dizer que renasceu nos braços de um estranho?

VERA
É duro dizer, mas a gente se dá bem em todos os sentidos, principalmente na cama.

JORGE
Ele só objetiva sexo com você. Conheço muito bem aquele tipo.

VERA
Tem também muita paixão.

JORGE
Te amar como eu te amei, ninguém mais vai te amar.

VERA
O que você propõe?

JORGE
Eu não quero mais viver com você.

VERA
Talvez seja melhor assim, mas é cedo para tomarmos atitudes precipitadas. Precisamos rever nossas vidas, onde falhamos.

JORGE
Eu vou arrumar as minhas malas.

JORGE RETIRA-SE. VERA APROXIMA-SE DA JANELA E OBSERVA A RUA ESCURA E VAZIA. DESSA MANEIRA COMEÇA A CHORAR.

*** FIM ***

Roteiro#6 - Com todo respeito

COM TODO O RESPEITO

PERSONAGENS
EDUARDO
MARTA

CENÁRIO
Sala do Apartamento Medeiros


Objetos Cênicos:
Fotos, mesa de centro, bebida, copo, pasta de executivo, sofá e quadro com foto do casal.


CENA 1: SALA DO APARTAMENTO MEDEIROS. INT. DIA
MARTA OBSERVA AS FOTOS QUE RECEBEU DA DETETIVE HÁ POUCAS HORAS ATRÁS. DE QUANDO EM VEZ, GOLEIA UM UÍSQUE, LEVANTA-SE, CAMINHA E SENTA NOVAMENTE. DE REPENTE EDUARDO CHEGA.

EDUARDO
- Oi, me desculpe não ter te ligado, mas é que essa viagem surgiu de repente... Sabe como é... Negócios... (LARGA A SUA PASTA DE EXECUTIVO)

MARTA
- Sei, mais uma viagem de negócios... (IRÔNICA) E eu acredito em papai noel...

EDUARDO
- Marta, você não vai começar de novo, vai?

MARTA
- Eu não entendo, Eduardo... O seu trabalho nem exige que você viaje tanto. Isso nunca aconteceu. De repente desandou essa onda de viagens...

EDUARDO
- Eu não vou discutir com você. Já se foi o tempo em que eu chegava em casa e você vivia me cobrando. (PAUSA/SUSPIRA) Tem alguma coisa pra comer? Eu tô com uma fome...

MARTA
- Eu acredito que você esteja esfomeado. (DEBOCHANDO) Afinal, exercícios forçados, ainda mais na sua idade, dão uma fome de leão.

EDUARDO
- Aonde você quer chegar com isso tudo, mulher?

MARTA
- Onde eu quero chegar? (FIRME) A isso aqui! (JOGA AS FOTOS EM CIMA DA MESINHA DE CENTRO DA SALA) As fotos de suas viagens.

EDUARDO JUNTA AS FOTOS E AS OLHA PERPLEXO.

EDUARDO
(SURPRESO)
- O que é isso? Agora botou alguém para me vigiar?

MARTA
- Ah! (TOM) Quer dizer que você não ficou surpreso com o fato de eu ter em mãos uma dezena de fotos suas com uma vagabunda e sim por eu ter posto alguém para te vigiar?

EDUARDO
- Você não devia ter feito isso...

MARTA
- Claro, eu deveria ter ficado aqui pensando que você estava em uma viagem de negócios, quando você entrava no entardecer em um motel, há três quarteirões daqui, com uma mulherzinha qualquer e só saía pela manhã? Você é muito cafajeste mesmo!

EDUARDO
(GRITANDO)
- Você! Você é a culpada disto! Você que me fez procurar o amor nos braços de outra mulher!

MARTA
(ENLOUQUECIDA)
- Canalha! Você sempre foi um canalha! Quantas e quantas noites eu fiquei aqui, fazendo um jantar, escolhendo vinho, acendendo velas e ficando mais bonita, me arrumando, até lingerie nova eu comprava. (VOZ EMBARGADA) Mas aí, passavam as horas... A comida esfriava, a vela ia se apagando e eu me deitava nesse sofá e ficava esperando por quem não aparecia...

EDUARDO
(TOM)
- É que você nunca foi compreensiva comigo. Nunca foi carinhosa... Sempre faltou algo...

MARTA CAMINHA VAGAROSAMENTE ATÉ A PORTA E ABRE-A.

MARTA
- Antes de você sair por essa porta... E nunca mais voltar... (RESPIRA FUNDO) Eu quero que você ouça uma coisa, que eu espero que você nunca mais esqueça. Lembra-se daquela vez em que você foi preso, porque andava com gente que não prestava... Não que eu não tivesse te aberto os olhos, mas você nunca me ouviu... Depois de um certo tempo na prisão, você foi solto e se enfurnou dentro desta casa. Não queria mais visitar nossos amigos, não queria mais voltar ao seu trabalho. Então eu te puxava e dizia: “Vamos homem, se anime. Bola pra frente!” Eu fui por tudo com você, te acompanhei, te defendia, dizia que você tinha sido injustiçado, que era inocente... Cheguei a perder o meu emprego numa escola particular, por que faltei várias vezes por causa de você, Eduardo. (TOM) E então as coisas esfriaram e o Eduardo voltou a sua vida normal! Me responda! Isso não é ser compreensiva? Não é ser carinhosa?

EDUARDO
(ARREPENDIDO)
- Marta, eu...

EDUARDO TENTA SE APROXIMAR DE MARTA, QUE SE AFASTA.

MARTA
- Saia, Eduardo. Eu não quero mais te ver. Apareça nesta casa amanhã, apenas para buscar as suas roupas que eu vou pedir para a Judite arrumar.

EDUARDO
- Me ouça, eu quero...

MARTA FAZ SINAL PARA EDUARDO SAIR. EDUARDO APANHA A SUA PASTA E RETIRA-SE. MARTA FECHA A PORTA E CHORA. VAI ANDANDO PELA SALA ATÉ VER UM QUADRO DELA COM EDUARDO. ENTÃO PEGA O COPO E ATIRA SOBRE A FOTO. DEITA NO SOFÁ E CONTINUA CHORANDO.

***FIM***