18 dezembro 2006

Noite de Autógrafos


Da esquerda para a direita (foto acima): Gilberto Longo, Alexandre Kaup, Fernando Watanabe, Luciano Milici, Bruno Pessa, Sandra Vilella, Fernando Américo, Saulo Aride, Leonardo de Moraes, Antonio Alfredo Matthiesen, Paula Cury, Eduardo Oliva, Tiago Feliziani, Del Schimmelpfeng, (sentadas) Cristina Ruiz, Solange Castro Neves, Teresa Fazolo, Alice Betânia e (agachados) Ricardo Silva e Amanda Aouad.

NOITE DE AUTÓGRAFOS
pela Assessoria de Imprensa

O lançamento do livro "Contos Natalinos", organizado por Leonardo de Moraes e publicado pela Editora Atlas, reuniu vinte e um dos 25 autores do livro. O coquetel contou com a presença de pelo menos 350 pessoas, entre elas o próprio dono da Editora Atlas, Luiz Hermann Jr., a presidente do CHESP (Centro dos Hemofílicos do Estado de São Paulo) Maria Cecília Chiocca Magalhães Pinto e do governador do Estado de São Paulo, o professor Claudio Lembo.

Também estavam presentes professores universitários, jornalistas, editores, escritores, roteiristas de cinema e televisão, juristas, amigos, alunos e familiares dos autores, que vieram de diversos cantos do Brasil para se reunir e comemorar a publicação, que está a homenagear os 40 anos do Centro dos Hemofílicos do Estado de São Paulo.

O livro "Contos Natalinos" foi organizado por Leonardo de Moraes, professor universitário e assessor de gabinete do governador de São Paulo e traz vinte e cinco contos, de diferentes autores. Ironia, sutileza, poesia, sarcasmo, violência e erotismo dão o tom da obra, que procurou brindar os leitores com uma variedade de situações, tanto a estimular o fantasioso e mágico da data, quanto a zombar da hipocrisia humana durante as festas de fim de ano.

"Contos Natalinos" já se encontra disponível nas grandes livrarias do Brasil, e se mostra uma ótima opção para um presente de final de ano. Além do estímulo à iniciativa literária, comprar o livro reverterá em benefício do Centro dos Hemofílicos do Estado de São Paulo, ao qual foram cedidos os direitos autorais da obra.

06 dezembro 2006

Contos Natalinos (Capa)

"CONTOS NATALINOS" - Editora Atlas, 2006
Coquetel de lançamento dia 15 de dezembro de 2006
a partir das 19h, na Livraria Cultura do Shopping Villa-lobos (SP/SP)
Esperamos vocês por lá!
"Vinte e cinco autores, vinte e cinto histórias, vinte e cinco pontos de vista sobre a mais importante das festas cristãs: o NATAL"

Venha brindar com a gente!

01 dezembro 2006

ALQUIMIA NATALINA

pela Assessoria de Imprensa

O livro “Contos Natalinos”, publicado pela Editora Atlas e cujo lançamento se dará no dia 15 de dezembro, às 19h, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos, reúne professores, escritores, roteiristas de cinema, publicidade e televisão.

O livro foi idealizado por Leonardo de Moraes, assessor do governador do Estado de São Paulo Cláudio Lembo e autor do livro “A Caixa de Confeitos & contos sortidos”, publicado pela Ed. Manole na XIX Bienal do Livro. “Esta foi a forma encontrada para reunir 25 ótimos contadores de histórias, que pudessem brindar os leitores com um pouco de seu imaginário, às vésperas do Natal, bem como homenagear os 40 anos de uma instituição séria como o CHESP”, afirma Moraes.

Os direitos autorais do livro serão totalmente revertidos para o Centro dos Hemofílicos do Estado de São Paulo (CHESP). Segundo sua presidente, Maria Cecília Chiocca Magalhães Pinto, “o projeto é de uma delicadeza ímpar, e só vem reafirmar a importância da literatura como um móvel da sociedade, indireta ou diretamente, como no caso desse livro”.

Para Moraes, “em tempos de Internet, escrever não precisa mais ser um trabalho mais tão solitário. Grandes afinidades podem nascer de forma virtual, e tomar corpo em obras consistentes”. No caso de “Contos Natalinos”, alguns dos autores irão se conhecer justamente no dia do lançamento, vindo de diferentes partes do Brasil. “Será a nossa grande comemoração de Natal”, assegura o organizador da obra.

“Essa alquimia é fantástica. Tive o maior prazer em aceitar esse convite”, comenta Solange Castro Neves, autora de telenovelas que trabalhou durante anos na Rede Globo, ao lado de figuras como Ivani Ribeiro e Cassiano Gabus Mendes. “A variedade de enfoques sobre a mesma festa cristã é o grande atrativo deste livro. Falar sobre o Natal foi uma satisfação, e no meu caso, deve ter iluminado meus caminhos”, brinca Cristina Ruiz, escritora e roteirista paulista que também integra a obra e acaba de vencer o “1º Concurso de Talentos ‘Scriptmakers”, organizado pela teledramaturgia de Portugal.

30 novembro 2006

Convite Oficial - CONTOS NATALINOS


Amigos,
cá está o convite oficial para o lançamento do livro "Contos Natalinos"! Dentre os autores estão professores, escritores, roteiristas de cinema, publicidade e televisão, membros do GRTV, enfim, 25 contadores de histórias que pretendem brindá-los com um pouco de seu imaginário, às vésperas da maior festa cristã, o NATAL!!
AUTORES PARTICIPANTES
(alguns estão linkados)
Alberto Leôncio
Alexandre Kaup
Alice Betânia Miranda
Amanda Aouad
Antonio Alfredo Matthiesen
Bruno Pessa
Claudine Logrado
Cristina Ruiz
Del Schimmelpfeng
Eduardo Oliva
Fernando Américo
Fernando Watanabe
Gilberto Longo
Jean Cândido
Lelê Teles
Leonardo de Moraes
Luciano Milici
Milton Bernard
Paula Cury
Ricardo Silva
Sandra Villela
Saulo Aride
Solange Castro Neves
Teresa Fazolo
Tiago Feliziani
GRANDE ABRAÇO,
LEONARDO DE MORAES
(Moderador GRTV)

27 novembro 2006

Brasileiras vencem o 1º Concurso "Scriptmakers" de Portugal

Duas brasileiras (ambas associadas do GRTV) venceram o 1º Concurso "Scriptmakers" de Portugal, concebido pela equipe coordenada por Rui Vilhena para encontrar novos talentos da teledramaturgia.

As vencedoras são:
- Cristina Ruiz - com sua obra "O Dom da Vida", na categoria Telenovela;
- Rose Miranda - com sua obra "No meu tempo era diferente", na categoria Série Televisiva.

A equipe "Scriptmakers" foi criada neste 2006 por Rui Vilhena, dramaturgo nascido em Moçambique e que morou durante muitos anos no Brasil.

Há quase 15 anos em Portugal, Vilhena tem sido responsável pelos recentes sucessos da teledramaturgia portuguesa: as novelas "Ninguém como Tu" e "Tempo de Viver", veiculadas pela emissora TVI.

Graças à sua busca por temas polêmicos e cuidado especial com a qualidade de seus textos, a "Scriptmakers" tem garantido o crescento aumento da preferência dos portugueses pelas produções televisivas nacionais.

A equipe da "Scriptmakers" é também composta pelos escritores Celia Caeiro, Joana Jorge, Irina Gomes, Ana Maria Simões, Alexandre Castro e Alexandre Borges, sendo que a autora Celia Caeiro é nossa mais nova associada, abrilhantando os quadros do GRTV.

PARABÉNS aos autores brasileiros que participaram do concurso e PARABÉNS à equipe da "Scriptmakers", que demonstrou estar de portas abertas para a necessária integração Brasil/Portugal na área audiovisual!!!!!

Que outras iniciativas dessa espécie sejam criadas!

Grande abraço a todos,
Leonardo de Moraes
(Moderador GRTV).

07 novembro 2006

PARABÉNS!!! Amanhã (08/11) o GRTV faz seu 1º ano de vida!!!

Amigos,

amanhã o GRTV faz seu primeiro ano de vida!!!
Nestes 365 dias, já contamos com mais de 600 (seiscentos) associados, entre roteiristas profissionais, novatos, estudiosos da televisão, jornalistas e todas as espécies de contadores de histórias.

É com orgulho que comemoro esta data com vocês! Curiosamente, será amanhã que o YAHOO vai modernizar todo o seu sistema, tornando os "resumos diários" e as "mensagens" muito mais fáceis de serem lidos. O GRTV vai ganhar de presente um sistema mais ágil de leitura!

Agradeço a todos que participam ativamente, bem como àqueles que ficam "na espreita", sempre absorvendo e dando seus palpites vez em quando.

O GRTV foi criado com o intuito de reunir semelhantes e estimular o aprendizado de todos. Diferentemente de outros grupos de roteiro, nossa prioridade sempre foi - e continuará sendo - o aprimoramento do roteirista, a divulgação de conhecimento e informações (com nossos famosos "Clippings" semanais) e a formação de uma espécie de "Biblioteca Virtual" de roteiros, sinopses e livros virtuais!

O GRTV é, e continuará sendo, uma espécie de "workshop" virtual constante, onde todo e qualquer roteirista náufrago na Internet poderá encontrar sua tábua da salvação, saber o que deve ler, o que deve estudar, as parcerias que deve formar... e os rumos que certamente irá percorrer!

A vocês todos, PARABÉNS e o meu MUITO OBRIGADO!

LEONARDO DE MORAES
(Proprietário e Moderador GRTV)
http://www.leonardodemoraes.com.br/
http://www.ragazzodifamiglia.zip.net/

06 setembro 2006

TEXTOS DO 2º Concurso GRTV

2º CONCURSO GRTV "Ivani Ribeiro" DE CENAS

Amigos,
estão na disputa do 2º Concurso GRTV ao todo 22 textos, de 22 roteiristas de diversos cantos do país. Aproveitem para ler cada texto, comentar seu conteúdo (na lista do GRTV) e dar aos autores o tão necessário "feedback" de seus trabalhos.

Os três melhores textos serão indicados pela autora e escritora Solange Castro Neves, aumentando ainda mais a emoção de um concurso batizado com o nome da saudosa "Ivani Ribeiro", de quem nossa jurada muito especial foi única colaboradora e co-autora durante mais de uma década.

Para saber mais sobre Solange Castro Neves:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Solange_Castro_Neves
http://www.teledramaturgia1.kit.net/solange.htm

Para facilitar a leitura de todos (participantes e associados do GRTV), abaixo segue a lista dos títulos dos roteiros apresentados e o "link" respectivo. Boa leitura e sintam-se todos a vontade para comentar na lista do GRTV-Yahoo!

Os textos foram publicados SEM IDENTIFICAÇÃO DE AUTORIA. Apenas após a divulgação do resultado (segunda-feira, dia 11/setembro), os nomes serão adicionados à publicação.

BOA LEITURA!!!!

1) “Bodas de Papel”
2) “Tempo”
3) “Acorrentados”
4) “A Caneca de Louça e o Baú de Madeira”
5) “Amor Bandido”
6) “Com todo respeito”
7) “Declaração de Amor”
8) “É... do Brasil!”
9) “Uma Pergunta”
10) “Discussão entre marido e mulher, sobre traição amorosa”
11) “Cotidiano”
12) “A Recompensa”
13) “Alívio Imediato”
14) “Conjugação do verbo acenar!”
15) “Discussão entre Marido e Mulher – Traição Amorosa”
16) “Um tiro no Coração”
17) “A morte do Toquinho”
18) “Tarde para Chorar”
19) “O Cachorro é meu!”
20) “Quem vê cara, não vê coração”
21) “Tudo Bem”
22) “Maria-Fuzil”

Grande abraço a todos,
Leonardo de Moraes
(Pptário e Moderador GRTV)

Roteiro#1 - Bodas de Papel

Bodas de Papel

PERSONAGENS
Arthur – 33 anos, um homem bonito.Exato como as equações,homem de negócios, tem ar de superioridade.
Branca – 30 anos, mulher romântica, inteligente, luta pela independência. Pintora e artista plástica de considerável sucesso.

CENÁRIO
Sala de um apartamento de classe média.

Objetos cênicos:
Quadros contemporâneos pendurados na parede.
Peças de obras de arte.
Muitas dobraduras de papel (barcos, pássaros, flores, por toda sala).
Algumas velas acesas espalhadas pela sala
Mesa com o jantar posto.


Arthur e Branca estão comemorando um ano de casados. Ela prepara um jantar muito especial, tudo para uma noite perfeita se não fosse pela indiferença de Arthur, que sequerlembra da data.
Decepcionada e muito magoada ela acaba confessando que o traiu com seu melhor amigo criando um clima de sofrimento e libertação.

CENA 1. SALA DE ARTHUR E BRANCA / INTERIR / NOITE
ARTHUR ABRE A PORTA DO APARTAMENTO ENCONTRANDO AS LUZES APAGADAS E ALGUMAS VELAS ACESAS ESPALHADAS PELA SALA. CAMINHA DEVAGAR TATEANDOE PROCURANDO A TOMADA.

ARTHUR :(NORMA)
_ Meu Deus, o que está acontecendo aqui? (T) Ih! Já sei, a distraída da Branca deve ter esquecido de pagar a conta de luz. Também pudera, vive no mundo da lua, transpira arte, só pensa em cor e forma...

ARTHUR ACHA A TOMADA, ACENDE A LUZ E DÁ DE CARA COM BRANCA COM OS BRAÇOS CRUZADOS ENCOSTADA NA PAREDE.

BRANCA: (ÁSPERA/CÍNICA)
_ Por que será que você não entende o óbvio? Nossa quanta oquidão.

ARTHUR:(SEM SABER O QUE ESTÁ ACONTECENDO)
_ O que é isso ? Você aí parada no escuro toda agressiva ?(CÍNICO) Ah, já sei como é Mesmo este estado que você se encontra. (T) lembrei (PAUSADAMENTE) T.P.M.

BRANCA:(MEIO IRRITADA E IRÔNICA)
_ T.P.M.? A única coisa que você consegue lembrar de mim é dá T.P.M.? Ah,já sei! É porque na minha T.P.M., queeu falo tudo que penso de você.

ARTHUR:(CONSTRANGIDO)
_ Espera aí : Jantar à luz deVelas, o que são esses papéis dobradinhos ?.


BRANCA:( IRRITADA E DECEPCIONADA )
_ Não, nada em especial. É que eu acordei com vontade de explodir e fiz esse jantarzinho para gente. Aliás,eu estou explodindo por dentro faz tempo. Estou explodindo de carência,de solidão, de insatisfação. (T) E você não consegue nem perceber o que acontece comigo !. Sinceramente, eu não sei se você é cego ou é burro.

ARTHUR:(CONFUSO)
_ O que está acontecendo com você? Cego ? burro ? O queé, você enlouqueceu ?

BRANCA:( GRITANDO )
_ Eu te traí...

ARTHUR: (INDIFERENTE)
_ Deixa de besteira, Você não tem perfil de mulher que trai. Se bem que não sei o perfil de uma mulher que trai, mas tenho certeza que não é o seu. Eu sempre fui seu grande amor.
BRANCA:( BAIXINHO )
_ Grande amor? Sua autoconfiança, não te deixa enxergar um palmo a frente do seu nariz.

ARTHUR:(CHEIO DE SI)
_ Por que, não sou o grande amor da sua vida ? O grande não, o único, eu tenho certeza disso. Agora meu amor,vamos jantar vai. Vamos deixar essa discussão pra lá.

BRANCA:( NERVOSA )
_ Deixar pra lá ? Jantar ? Agora quero ir até o fim e nãovai mais ter jantar.Passei o dia preparando o seu prato predileto, fazendo essas dobraduras de papel. Sabe por que fiz essas dobraduras ?Claro que não sabe,é porque se comemora um ano de casado combodas de papel.(T) No fundo sempre quis salvar nossa relação. Mas é bom ver toda sua indiferença com meus sentimentos. É bom porque assim o meu remorso vai se esvaindo como água que se escorre ralo abaixo.(T) Quer saber por que sinto remorso ? (ESCORRENDO PELA PAREDE E SENTANDO NO CHÃO, MUITO EMOCIONADA) Por que te traí com o Marcos. (T) Pois é, o Marcos seu melhor amigo, seu amigo de infância.

ARTHUR:( DESACREDITADO)
_ Como é que você coloca alguém que já morreunessa sua vingança pessoal? Sem falar na crueldade. O que você quer ? Lançar a sementinha da dúvida na minha cabeça ? Com meu melhor amigo que nem está mais entre nós para se defender? .

BRANCA
_ Ele não se defenderia, sabe por quê ? Porque ele era um homem de verdade. Sabe que ele nunca esqueceu uma data ? Comemoramos tudo antes dele morrer. (SE ABRAÇA) Como sinto falta dele!! Ele foi o oxigênio para que eu suportasse toda essa sua ambição, toda sua indiferença (T) não foi só uma traição , foi uma fuga para o meu sofrimento e um resgate para minha alma. E saiba que sou feliz por ter vivido tudo isso.
(PEGA UMA DAS DOBRADURAS E COMEÇA A DESFAZER)
Está vendo esta dobradura?
Agora que eu desmanchei é só uma folha em branco, toda marcada pelas dobras. Assim é o nosso casamento, como uma folha em branco, sem história e por mais que desfaçamos os maus entendidos , as marcas jamais serão esquecidas.

ARTHUR TAMBÉM ESCORREGA PELA PAREDE SENTANDO NO CHÃO, COMO SE UM TRATOR TIVESSE PASSADO POR ELE.


*** FIM ***

Roteiro#2 - Tempo

“TEMPO”

PERSONAGENS:
Mauro - Homem de estatura média, músculos bem delineados, cabelos claros, barba por fazer. Administrador de empresas. Gênio forte.
Márcia – Mulher de estatura média, funcionária pública. Sensível, medrosa.

CENÁRIO
Casa de Mauro: apartamento de classe média. Dois quartos.
Banheiro: Amplo, com um grande espelho na pia.
Sala: Ventilada, com um bar, som, dois sofás, televisão.
Quarto: Cama de casal, guarda-roupas, ventilador de teto.

Objetos Cênicos:
Copo de Uísque
Som
CD
Sapato de bebê


Cena 1. INT - BANHEIRO - NOITE
Banheiro amplo, mal iluminado, pia larga, espelho grande cobrindo a parede onde fica a pia, alguns objetos comuns ao banheiro de um homem solteiro e um copo de uísque pela metade do lado direito da pia. MAURO, vestido apenas com uma bermuda, descalço, está parado em frente ao espelho, analisa os cabelos, os olhos.

MAURO
Devo mesmo estar ficando velho...

Lava o rosto, não enxuga. Olha-se de novo no espelho.

MAURO
Márcia, Márcia... Por que você fez isso?

Pega uma tolha, abre o chuveiro. Expressão cansada e pensativa. Ouve-se o toque da campainha. A campainha insiste, Mauro desliga o chuveiro irritado. Joga a toalha na pia.


Cena 2. INT - SALA DE ESTAR - NOITE
Sala de estar típica de apartamento da classe média-alta, em uma das paredes encontra-se um bar, no fundo do bar encontra-se o aparelho de som (será utilizado em cena) e alguns CDs. Mauro continua com a mesma bermuda e descalço, mas agora veste uma camisa de malha, acaba de abrir a porta. Márcia entra na sala. Ela está visivelmente triste. Mauro está com o copo de uísque na mão e mostra-se aborrecido com sua presença. Vira-se em direção ao bar para completar a dose, dando as costas a Márcia que fica parada ao lado da televisão.

MAURO
Pensei que tivesse dito para você nunca mais me procurar.

Márcia se aproxima do bar, mãos tremulas, não tem coragem de tocá-lo.

MÁRCIA
Mauro, nós precisamos conversar.

Mauro vira-se abruptamente, olhar de ódio.

MAURO
Conversar o que? Vai querer me explicar o que aconteceu?!

Vira-se novamente para o bar, bebe um grande gole do uísque.

MAURO
Não tem explicação, compreende? Não tem, jamais irei lhe perdoar. (grita) Jamais!! Esqueça que eu existo.

MÁRCIA
Calma, por favor. Eu tive os meus motivos.

MAURO
Motivos?! Que motivos?!

Empurra-a com uma das mãos, anda até o centro da sala e deixa-se cair em um dos sofás.

MAURO
Acha que eu merecia aquilo?!

Márcia continua ao lado do bar, vai se aproximando lentamente enquanto fala.

MÁRCIA
Ninguém merece nada, entenda. Mas eu me senti sozinha, você só pensava em seu trabalho. Não quis nem conversar. (pausa) Mauro, por favor, não precisa terminar assim.

Mauro levanta-se do sofá em direção a Márcia que já está na mesa de centro.

MAURO
Foi você quem escolheu, mulher. Foi você quem escolheu.

Pega-a pelo braço, e a conduz até a porta da rua, enquanto ela tenta protestar e se livrar de sua mão.

MÁRCIA
Mauro, por favor, tente compreender.

MAURO
Chega, porra.

Abre a porta e a solta no hall do elevador. Ela ainda tenta se recompor e segurar a porta para ser ouvida.

MÁRCIA
Tente compreender, eu não tive culpa.

Mais forte, Mauro consegue fechar a porta. Márcia ainda tenta protestar, tocando a campainha sem resultados. Começa, então, a dar murros e pontapés na porta. Mauro volta ao bar, liga o som em um alto volume para abafar os gritos de Márcia e fica sentado no banco do bar, ar pensativo, bebendo o uísque.

Cena 3. INT - QUARTO - NOITE
Mauro deitado na cama, olhando para o teto. Lágrimas correm do seu rosto. Em uma de suas mãos está um sapato de bebê. Ele coloca os dois dedos dentro de cada sapato e fica “andando” por sua barriga.

MAURO (em off)
O meu coração não mais ouvira seus apelos. Só o tempo pode abafar seu amor. Ou o que você chamou disso. Amor vazio, vazio como esse teto, vazio como minha mente longe de ti... Márcia... Agora tenho todo tempo do mundo.

Cena 4. EXT - RUA – NOITE – EDITADA EM PARALELO COM A ANTERIOR
Cena editada em paralelo com a anterior. Márcia sai do prédio. Enxuga as lágrimas. Atravessa a rua e começa a andar pelo calçadão da praia. O vento bate em seu rosto. Vai andando pela orla, cabeça baixa. Mãos trêmulas acariciam a barriga. Detalhe nesse gesto.

FIM

Roteiro#3 - Acorrentados

ACORRENTADOS

PERSONAGENS
LUCIA- advogada, 35 anos, viúva. Mata o noivo (Léo) no dia do seu casamento e não consegue mais se libertar deste fantasma. Sua fisionomia é de cansaço, de desânimo. Ela deve expressar a idéia de uma pessoa que vive apenas por viver, sem perspectivas, sonhos ou objetivos.
Lucia estará com o mesmo vestido de noiva do dia do casamento, mas a roupa está toda rasgada, desbotada e com marcas de sangue acumuladas pelo tempo. Os cabelos são mau tratados. A imagem é de muita fragilidade.

LEONARDO (LÉO)- empresário, 36 anos, morto pela noiva (Lucia) no dia do casamento. Apesar de ser um fantasma das lembranças de Lucia aparece para ela com a mesma imagem que tinha no dia do casamento, por isso, seu terno preto estará rasgado por causa da luta antes da morte.
Seu comportamento deve ser o de uma pessoa revoltada e com muito ódio.

CENÁRIO
Apartamento de classe média. A imagem que deve ser passada ao público é que o local passou por uma guerra, pois toda a mobília do apartamento está quebrada ou espalhada pelo chão, pelas poltronas e demais cômodos da casa.

OBJETOS CÊNICOS
Os atores contracenarão durante toda cena apenas na sala de estar. Esta, por sua vez, terá apenas duas cadeiras de madeiras intactas, as únicas que restaram no apartamento. As cadeiras devem estar estrategicamente colocadas uma de frente para a outra, separadas apenas por ramalhetes de flores que estarão espalhadas por todo apartamento, assim como caixas e presentes do casamento. Lucia não se desgrudará de um buquê de flores do campo murchas.


CENA 1- SALA DO APARTAMENTO LÚCIA/LÉO/INTERIOR/NOITE
A cena inicia-se com Lúcia e Léo sentados um de frente para o outro. Lúcia está com o olhar perdido e segura um buquê de flores no colo. Léo está com a cabeça baixa. Toca uma música estilo Enya que com o início da fala de Lúcia deve ficar apenas como som de ambiente, sem interferir na fala dos atores.


LUCIA- Até quando?

LÉO- (irônico) Até quando o quê?

LUCIA- Até quando vamos ficar aprisionados neste lugar?

LÉO- (com raiva)- Foi você quem nos colocou aqui. A culpa por tudo o que aconteceu é sua, tão somente sua, de mais ninguém!!

LÚCIA- (com voz de choro)- Eu não queria nada disso. Eu não planejei nada. Foi um acidente.

LÉO- Não seja hipócrita (gritando). Você tem noção do que fez com a minha vida? Você destruiu todos os meus sonhos, interrompeu o meu futuro. Por quê? Eu só me pergunto o porquê de tanto ódio?

LUCIA- (o choro é mais intenso)- Não fala assim. Pelo amor de Deus. Não me faça sentir mais culpada do que eu já estou. (levantando-se da cadeira. Ela circula por todo o cômodo como se quisesse vê-lo e leva junto o buquê). Léo, se eu pudesse voltar o tempo...Eu..nunca senti ódio de você. Mas eu também não sentia amor.

LÉO (explodindo)- Cala a boca sua maldita. Não me faça sentir mais ódio de você. Na verdade, o que sinto não é ódio. È pena!!. Você destruiu a minha vida, mas também destruiu a sua.

LUCIA- Isso me atormenta todos os dias. È por isso que não consigo sair deste apartamento. Estou presa neste lugar. Tenho medo de sair nas ruas e das pessoas me apontarem.

LEO- E o que você gostariam que elas fizessem? Você matou um homem inocente sem ele nunca ter feito nada contra você.

LUCIA- Desde que você se foi eu nunca mais consegui vê-lo. Mas a sua voz, a sua presença não me deixam em paz. Eu não consigo dormir, não consigo comer. Eu também não vivo mais Léo. Minha alma vaga como a sua. Apenas o meu corpo físico está aqui..

LÉO- E você queria o que? (levanta-se e circula ao redor dela). Este é o preço do seu castigo. O preço que você terá que pagar até ir para o inferno que é o lugar de assassinos como você.

LUCIA- (O grito e o choro devem ficar evidentes nesta fala) - Não fale assim Léo. Eu preciso mais do que nunca do seu perdão. Eu preciso de um pouco de paz. Já faz três anos que estou presa neste lugar.

LÉO- Nunca Lucia ( com raiva). Nunca vou perdoá-la e você nunca terá paz na sua vida. Eu tinha muitos planos, sabe? (irônico). Eu sonhava com o nosso casamento para poder ser feliz, para me libertar de muitas coisas.

LUCIA- Eu tive medo Léo. Medo de que todos soubessem da verdade.

LÉO- Não seja ingênua Lúcia. Essa verdade que você quis esconder do mundo sempre esteve exposta aos olhos das pessoas. O mundo é cruel com pessoas que fogem dos padrões.

LUCIA- (nervosa). Quer dizer que você sempre soube?

LEO- Sempre Lúcia. Mas eu tinha pena de você. Queria apenas ajudà-la.

LUCIA- Se você sempre soube por quê nunca me contou?

LÉO- (ele volta a sentar-se na cadeira. Ela também senta-se de novo). Porque talvez este também fosse o meu maior segredo.

LUCIA.. (espantada) Você também é?.

LÉO- Sim Lucia. Assim como você, eu também sou gay. A única diferença é que gosto de homem e você de mulher. Eu também sempre escondi esse segredo de todos e achei que me casando com uma pessoa igual a mim que juntos poderíamos viver uma vida feliz. Cada um com o seu namorado. Este seria o nosso segredo. O nosso pacto. Mas.você não me deu chances de viver este sonho.

LUCIA- Meu Deus. (arrependida)...Eu nunca imaginei isso...Se eu a menos desconfiasse...

LEO- Daí você não teria me matado não é?. Mas não foi assim que aconteceu. Hoje estou morto, distante do homem que amo e você se tornou a minha sombra. Vive atormentada pelas lembranças, com medo do próprio passado e sem poder viver o seu presente. Sem poder sonhar com um futuro. Me sinto vingado por isso.

LUCIA- Não!! (nervcsa). Eu não posso acreditar nisso. Dói demais saber que eu matei você por medo de ser descoberta e que você sempre soube de toda a verdade. Que você era igual a mim, que você não me culparia por ser diferente do resto das pessoas.(choro com dor).

LEO- Resta agora a você Lúcia, a nós dois, apenas nos acostumarmos com as correntes dos nossos destinos. Você atormentada por ser uma assassina e eu um fantasma que não consegue se desprender desse mundo. Eternamente infelizes. Eternamente juntos, como sempre desejei....

Neste momento a música deve ser mais intensa e os dois se aproximam. Mesmo sem poder vê-lo, Lúcia tem a sensação de estar protegida por ele. Léo se aproxima de Lúcia e a abraça por trás. Desta vez, a fisionomia de Lucia é de alívio e ao mesmo tempo de paz. Os dois fecham os olhos e ela deixa cair o buquê no chão.

FIM